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25 DE MAR DE 2020

A NOVA ERA DA GESTÃO ÁGIL

A trilha da nova gestão ÁGIL, trata em como as empresas se transformam para viver nesse novo mundo, para jogar esse novo jogo. O ciclo que enfrentamos nos fez experimentar novas possibilidades e nos depararmos com desafios sem precedentes.

2050 LIDERANÇA A NOVA ERA DA GESTÃO ÁGIL ROGER MEDKE · 25 DE MAR DE 2020

A trilha da nova gestão ÁGIL, trata em como as empresas se transformam para viver nesse novo mundo, para jogar esse novo jogo. O ciclo que enfrentamos nos fez experimentar novas possibilidades e nos depararmos com desafios sem precedentes.

Esse momento nos mostrou que o modelo de gestão baseado no Planejamento, Comando e Controle que foi muito aplicado e disseminado no mundo inteiro no século passado que gerou ganhos de escala, de eficiência, de produtividade, não serve para um mundo de incertezas.

Sob o novo olhar das empresas que estão liderando a Transformação Digital e que conseguem ser ágeis a tempo de tomarem decisões rápidas, mostra que o modelo até então utilizado vivido atualmente está totalmente ameaçado, chegou ao fim, não funciona mais para os dias de hoje, porque mostra ser disfuncional, caro, lento e não responde mais ao que o mercado precisa e nem aos colaboradores e times. 

No livro o (Futuro da gestão) o autor por Gary Hamel discorre mais ou menos assim: Os fundamentos de gestão que são utilizados hoje foram criados por homens brancos americanos nascidos depois da Guerra Civil Americana, também conhecida como Guerra de Secessão (de 1861 a 1865), portanto ela tem em torno de 155 anos, são conceitos e práticas incríveis, sequenciamento de atividades e processos, orçamento de capital, definições de planejamento, e outras, mas portanto, um grande conjunto de práticas de gestão que nós temos e seguimos hoje que por sua vez promoveu um avanço monumental de crescimento do mundo, crescemos em performance crescemos em eficiência, foi incrível. Porém, se aqueles homens que criaram isso renascessem hoje, eles até ficariam felizes em ver as práticas abundantes em todas as empresas, mas ficariam um tanto decepcionados, questionando mais ou menos assim: poxa mas e aí não mudou nada? vocês não inovaram? vocês não criaram nada mais incrível?

Naquela época (de 1861 a 1865), uma empresa americana tinha em média 7 ou 8 funcionários, portanto, nós obviamente nos deslocamos muito na linha do tempo, avançamos enormemente. Só para fazer um paralelo, nos últimos 6 anos adicionamos cerca de 6 bilhões de pessoas no planeta, muita coisa mudou, mas ainda seguimos muitos modelos do século passado, modelos da revolução industrial, e portanto mais do que nunca é momento de discutirmos sobre quais são as novas alternativas e possibilidades de avançarmos na modernização dos métodos e da nova gestão. Prova de que os modelos novos que vem surgindo vem dando certo e que já estão comprovando mudanças significativas. Sim é um tema que nos provoca a pensar e debater agora.

Pra mim está mais que claro e visto que o modelo ainda seguido é de gestão consagrado no século passado não funciona mais para gerir as empresas da atualidade, para esse novo mundo que é incerto, volátil, complexo e ambíguo. Mas o que realmente está errado? o que não funciona mais? quais são as deficiências e os modelos que se apresentam como alternativa? e de que forma podemos pensar em novas modalidades de gestão?

Cabe a reflexão de novas abordagens...

Antes de começarmos a falar em novas abordagens, precisamos ter em mente o que é gestão? Se nós perguntarmos isso amplamente é possível que tenhamos como resposta alguns termos como Planejamento, Comando, Controle, certo. Essa função é basicamente o modelo dominante de gestão onde você faz um "Forecast" ou seja, realiza predições, expectativas e planejamento do próximo ano ou período e executa sobre ele a vigia, o controle das metas e marcos pré-estabelecidos. Na minha visão, esse modelo é portanto e se apresentou ser bem eficiente para um contexto em que o mundo era previsível, controlável, hierarquizado, linear, lento, estável, mas a grande questão, ou o grande desafio é: o que acontece quando o contexto, o cenário passa a ser dinâmico, incerto, inédito, repentino, fora da curva (exponencial)? é possível aplicar o modelo de gestão do século passado para esse novo ambiente? para esse novo mundo que agora é vivo, muda tudo o tempo todo? Onde o futuro se torna obsoleto muito rápido?

Na figura abaixo é nítido que se pegarmos o cenário do passado e colocarmos em cima do cenário atual, ele não tem como dar certo.

Contexto de mundo

Ao olharmos para o cenário fica evidente que se faz presente um novo modelo de gestão, esse modelo passa a ser o Core das empresas mais inovadoras atuais. No passado as mudanças de grande impacto demoravam para acontecer e o ritmo tinha um espaçamento no tempo onde era capaz de entender, de predizer, de analisar e com tempo realizar certas mudanças. Mas hoje - "não somente pelo momento exato que nós vivemos"-, mas que já estava acontecendo e que agora passa a ser cada vez mais exponencial, e - "independente de o que está acontecendo agora" - é bem possível que quando nós cruzarmos por esse momento e passarmos a lidar com as consequências, é muito possível que enfrentaremos outras mudanças improváveis, e portanto precisamos olhar para isso e buscar novas alternativas em modelos de gestão que nos tragam uma melhor eficiência para lidarmos com a imprevisibilidade desse mundo que é dinâmico, incerto, com esse mundo que passou a ser um organismo vivo, e portanto é isso que nos desafia como indivíduos, líderes, como empreendedores, como empresários, e desafia também a todos do ponto de vista de organização, de nós mesmos e da sociedade como um todo.

Ao olharmos as ondas inovação desse 1700, todas elas trouxeram mudanças que exigiram também novas metodologias, novas modalidades de trabalho, novas habilidades, e dado a (confluência das novas tecnologias, dos novos mercados e a nova gestão), movimento de mudanças que vem acontecendo cada vez mais veloz, e a partir do momento que eles se retroalimentam, exigem novas formas de liderar, de fazer gestão, e quem não perceber que os modelos de gestão também precisam evoluir na mesma velocidade está correndo risco de estar atuando com o modelo de gestão ultrapassado, o que passa a ficar cada vez mais desafiador competir em seus mercados.

Portanto, o grande motivo para o modelo de gestão antigo (século XX) ter caído por terra é que o planejamento funciona num cenário estável, previsível, lento; porém, ao adicionarmos uma pitada de incerteza, quando passamos a não saber mais quem realmente é o nosso concorrente, - se é uma (startup) que concorre com uma empresa grande hoje, ou as vezes um competidor de outro setor passa a entrar no seu mercado do qual jamais se esperava, - do qual temos inúmeros exemplos ilustráveis sobre isso, como o caso emblemático que foi da Kodak ao ser disruptado pelo smartphone que veio da industria de informática; um caso mais recente como a Space X ao anunciar o projeto Starlink para lançar 12 mil satélites e criar uma rede de telecomunicação muito barata, ameaçado complemente um setor extremamente sólido que é o setor de telecomunicação. Portanto, olhar apenas para o concorrente do mesmo setor já não é mais suficiente. Ampliar a visão, adquirir novas capacidades de pensamento, de estratégias, de mercado e muito mais, para o comportamento do consumidor, passa a ser a regra. Ficar preso apenas ao modelo atual e fazer melhorias incrementais tende a ser uma caminho para o abismo.

Além disso, temos ainda times internos que despertam cada vez mais desejos e necessidades, diferentes, eles querem empreender por si só, eles querem ter um sentimento de pertencimento, criar seu próprio caminho. E ainda, os clientes estão cada dia mais empoderados e com poder de escolha jamais visto antes, eles estão cada vez mais exigentes, sabem o que está acontecendo, possuem mais alternativas e querem ser cada vez mais bem tratados e/ou tratados com únicos, querem ter experiências que evoluam em níveis maiores, portanto é um mundo tão diferente, tão rápido, tão volátil, tão veloz que ele não da mais condição para as empresas gerenciarem suas estruturas com modelo de gestão do século passado, onde você planejava e controlava a execução do plano. Agora, para esse novo cenário que é veloz e incerto, em que os dados passam a virar o insumo principal para tomada de decisão e o mundo passa definitivamente ser online (digital), em tempo real, é preciso adotar novas modalidades de gestão que permita acompanhar o que o cliente precisa, o que o cliente quer, o que o mercado espera e atender essa demanda o mais rápido possível, pois senão o seu competidor o fará e você como negócio estará cada vez mais distante do novo consumidor, passando a tornar-se irrelevante.

"O passado nos ensinou inúmeras lições, ficar preso no pensamento do passado, com estruturas rígidas e hierarquizadas fez ruir inúmeras empresas icônicas."

Para finalizar, não estou dizendo que o modelo de planejamento, de controle, gerenciamento não se faz mais necessário, não é isso, mas trata-se de desafiá-lo da maneira que vem sendo feito, ou seja, cabe a nos permitir questionar como precisa ser o novo Mindset dessa nova gestão.

Trago no meu livro, inúmeros estudos de casos que comprovam que a nova gestão depende de um novo mindset, de uma nova reprogramação mental, como disse Alvin Toffler: "desaprender, aprender e reaprender", e para isso é necessário uma mente aberta, uma mente crescente, como afirma Carol Deck no livro "A nova psicologia do sucesso". A nova gestão pede transformações no pensamento, no comportamento e nas ações para nos adaptarmos ao mundo que passa agora por transformações digitais perpétuas. As organizações pedem um novo líder que desenvolva capacidades com o radar no futuro, que cultive a cultura de errar e falhar rápido, que desenvolva uma visão global e exponencial, que tenha agilidade em responder ao mundo "real time", que tome decisões informadas por dados apoiadas por algoritmos de machine learning e inteligência artificial.

Portanto, as principais transformações do novo líder passam a ser cognitiva, comportamental e emocional. Mas esse será tema para novo artigo.

E você, o que acha sobre esse tema ? Deixe abaixo o seu comentário.

Fonte: LinkedIn