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5 DE JUN DE 2022

A próxima onda - Indústria 5.0

Desde a primeira Revolução Industrial, o ser humano compreendeu o potencial da aplicação da tecnologia como meio de progresso. Mecanização da agricultura, maquinaria a vapor, linhas de montagem e computação são alguns dos avanços ocorridos

2050 INDÚSTRIA A próxima onda - Indústria5.0 ROGER MEDKE · 5 DE JUN DE 2022

Desde a primeira Revolução Industrial, o ser humano compreendeu o potencial da aplicação da tecnologia como meio de progresso. Mecanização da agricultura, maquinaria a vapor, linhas de montagem e computação são alguns dos avanços ocorridos nos últimos séculos, todos com o objetivo de gerar tecnologia cada vez mais potente e aumentar a produtividade e eficácia. 

Porém, a próxima onda da Indústria, denominada de 5.0 muda esse paradigma e traz uma nova revolução, pois diminui a ênfase na tecnologia e assume que o verdadeiro potencial de progresso passa a estar na colaboração entre humanos e máquinas, e isso muda tudo.

A Indústria 5.0 é considerada a próxima "evolução", não uma - revolução - industrial, onde seu objetivo é alavancar a criatividade de especialistas humanos em colaboração com máquinas eficientes, inteligentes e precisas, a fim de obter soluções de fabricação eficientes em recursos e preferidas pelo usuário em comparação com a Indústria 4.0.

Espera-se portanto que inúmeras tecnologias e aplicações promissoras ajudem a Indústria 5.0 a aumentar a produção e entregar produtos personalizados de forma espontânea. Para fornecer uma primeira discussão sobre a Indústria 5.0, assunto no qual está relativamente em sua fase inicial, pelo menos para nossa realidade brasileira, pretendo fornecer um tutorial baseado em algumas pesquisas sobre possíveis aplicações e tecnologias de suporte da Indústria 5.0. 

O que é a Indústria 5.0?

A Indústria 5.0 é um novo modelo de produção onde o foco está na interação entre humanos e máquinas.

"A camada anterior, a Indústria 4.0, surgiu com a chegada das tecnologias de automação, IoT e a fábrica inteligente. A Indústria 5.0 dá o próximo passo, que envolve alavancar a colaboração entre máquinas cada vez mais poderosas e precisas e o potencial criativo único do ser humano"

A fase que antecedeu a Indústria 5.0 viu o surgimento da indústria digital: avanços como a Internet Industrial das Coisas ou a combinação de Inteligência Artificial e Big Data passaram a gerar um novo tipo de tecnologia que pode oferecer às empresas um conhecimento baseado em dados, a iniciação de uma cultura analítica. Porém, em nossa realidade brasileira ainda estamos nos estágios muito iniciantes na Quarta Geração da indústria, vemos ainda muitos na fase 2.0 e 3.0 e na 4.0, (essa última adotada por uma escala muito pequena das industrias), que ainda contam com grandes desafios e barreiras para a digitalização em massa.

Bem, as empresas que já entenderam que o conhecimento baseado em dados que é sim um dos grandes diferenciais nesta década, por sua vez, se passaram e passam a traduzir esse conhecimento em processos como Inteligência Operacional e de Negócios, que geram modelos que aplicam a tecnologia com o objetivo de tomar decisões cada vez mais precisas e menos incertas.

No entanto, na fase da Indústria 4.0, o objetivo foi minimizar o envolvimento humano e priorizar a automação de processos. Até certo ponto, os humanos foram colocados em uma posição em que competiam contra as máquinas, deixando as primeiras de lado em uma infinidade de cenários.

No caso da Indústria 5.0, essa tendência se inverte: o objetivo é encontrar um equilíbrio em que a interação máquina-humano possa oferecer os maiores benefícios.

Por que é necessário o conhecimento e preparação para a Indústria 5.0

As mudanças desencadeadas pela digitalização nos levam naturalmente a Indústria 5.0, etapa essa irreversível. Este processo oferece às empresas a capacidade de máquinas cada vez mais potentes em combinação com especialistas mais bem treinados para promover uma produção mais eficaz, mais sustentável e mais segura.

A Indústria 5.0 não é uma moda passageira ou um hype, mas sim uma nova forma de entender a manufatura que tem consequências produtivas, econômicas e comerciais de escala global. Portanto, as empresas que não adequarem sua produção ao modelo de fábrica 5.0, logo se tornarão obsoletas, não podendo se beneficiar das vantagens competitivas que Indústria 5.0 baseada e conhecimento humano colaborando junto com máquinas oferece.

Eu diria que não é só isso, pois o ritmo de aceleração tecnológica é cada vez mais rápido e mostra que o surgimento de novos paradigmas não para a todo momento, tema esse que escrevi no meu livro em 2019, publicado em 2020, antecipando alguns cenários que se aceleraram com a pandemia. Por isso, se faz cada vez mais necessário, ajustar os processos e a transformar o conceito de indústria digital será vital para garantir que uma organização se mantenha competitiva nesta próxima década.

Otimização de custos

A Indústria 5.0 retoma melhorias passadas que, desde a Primeira Revolução Industrial, geraram processos mais eficazes. A busca por modelos de negócios que utilizem o mínimo de recursos para obter os maiores lucros encontra na fábrica 5.0 seu maior grau de perfeição até hoje, pois homem e máquina trabalham juntos para tomar as melhores decisões financeiras para uma empresa.

Soluções mais ecológicas

Nenhuma das transformações industriais acima mencionadas (1.0, 2.0, 3.0 e 4.0) teve como prioridade a proteção do meio ambiente. Com a Indústria 5.0, novas tecnologias e sensibilidades corporativas estão mudando essa tendência. Isso levou ao surgimento de políticas sustentáveis onde, por exemplo, uma geração mínima de resíduos e sua gestão tornam-se processos essenciais, transversais, tornando também a organização mais eficaz.

Essa mudança está alinhada com o que organizações internacionais, regulamentações governamentais e consumidores vêm exigindo cada vez mais, e a isso podemos chamar de ESG, assunto para outras discussões.

Personalização e criatividade

A inovação tecnológica não permite um grau de personalização que atenda à demanda dos clientes. Os stakeholders que fazem parte da Indústria 5.0 aproveitarão o potencial da tecnologia, mas também encontrarão espaço para agregar suas próprias ideias que levem a um produto desenvolvido com a personalização em mente.

Além disso, a automação alcançada durante a Indústria 4.0 permite que os trabalhadores se libertem de certas tarefas repetitivas, concentrando-se em elaborar estratégias mais poderosas ou aplicar sua criatividade para melhoria continuada de processos e engajamento de pessoas.

O que é necessário na Indústria 5.0?

Pessoal treinado

A Fábrica 5.0 trouxe o papel de Chief Robotics Officer - CRO, que em sua tradução livre podemos chamar de Diretor Executivo de Robótica. Essa pessoa é especializada na interação entre máquinas e operadores, e também possui conhecimentos em áreas como robótica e inteligência artificial. Seu papel na empresa implica tomar decisões em torno desses fatores.

O treinamento de colaboradores também dará um salto à frente com a disseminação da educação virtual (VR e AR) por exemplo. Isso permite menores custos para as empresas, pois não exige a paralisação da produção para treinamento de seus colaboradores. Além disso, também leva a um treinamento mais seguro que evita que os trabalhadores sejam expostos a riscos desnecessários durante o treinamento. A comunicação e a motivação dos colaboradores também são impulsionadas pelos ambientes de aprendizagem interativos resultantes.

Espera-se também a geração de uma infinidade de postos de trabalho (trabalhos do futuro) relacionados à interação com Sistemas Robóticos e Inteligência Artificial, entre outras tecnologias.

A tecnologia certa

O termo “cobots” foi cunhado em relação à Indústria 5.0: robôs colaborativos projetados para interação simples e intuitiva com humanos.

Essa tecnologia leva os humanos em consideração para processos como segurança e objetivos da planta. De certa forma, atuam como aprendizes, capazes de observar as ações de um humano e replicá-las, auxiliando os operadores.

A expansão dos Gêmeos Digitais também será outra tecnologia necessária na fábrica 5.0. São modelos visuais de um produto ou processo, e sua geração permite que sejam melhor compreendidos e testados.

Além disso, o surgimento de processos cada vez mais complexos exigirá softwares adequados, capazes de gerenciar essa vasta quantidade de dados e fornecer aos operadores humanos um espaço que eles possam usar para interagir com as máquinas.

Profissionais hiper qualificados

A Indústria 5.0 promove empregos mais qualificados em comparação com a Indústria 4.0, pois os profissionais intelectuais trabalham com máquinas. A Indústria 5.0 se concentra principalmente na customização em massa, onde humanos guiarão os robôs. Em quanto que na Indústria 4.0 os robôs já estão ativamente engajados na produção em larga escala, na Indústria 5.0 é projetada principalmente para aumentar a satisfação do cliente. A Indústria 4.0 se concentra na conectividade CPS, enquanto a Indústria 5.0 se conecta a aplicativos da Indústria 4.0 e estabelece uma relação entre robôs colaborativos (cobots). 

Outro benefício interessante da Indústria 5.0 é o fornecimento de soluções mais verdes em comparação com as transformações industriais existentes, nenhuma das quais se concentra na proteção do meio ambiente. 

A Indústria 5.0 usa análise preditiva e inteligência operacional para criar modelos que visam tomar decisões mais precisas e menos instáveis. Na Indústria 5.0, a maior parte do processo de produção será automatizada, pois os dados em tempo real serão obtidos de máquinas em colaboração com especialistas altamente equipados.

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Esse é o primeiro de uma serie que vou buscar trazer na medida que a evolução dos meus estudos, que trarei em outros artigos, desde o conjunto de tecnologias capacitadoras para a Indústria 5.0 como computação de borda/nuvem, internet de tudo, análise de big data, blockchain, redes 6G, as aplicações potenciais e casos de uso na Indústria 5.0.

Fonte: LinkedIn