13 DE MAR DE 2025
Adaptação Empresarial e a Importância da Inovação Dada pela Liderança
Tempos inéditos eu diria, marcado por constante transformação, onde a capacidade de adaptação tornou-se uma competência essencial para empresas e líderes.
Tempos inéditos eu diria, marcado por constante transformação, onde a capacidade de adaptação tornou-se uma competência essencial para empresas e líderes.
Na missão de ajudar pessoas e organizações a se adaptarem com sucesso a esse cenário dinâmico, busco trazer insights decodificando as práticas de sucesso de empresa e lideres que assim o fizeram.
Neste artigo, exploro os principais temas discutidos em um episódio recente do podcast do ex-líder de inovação global da Ambev - Bruno Stefani, para discutir como as empresas podem se adaptar a um ambiente de mudanças aceleradas.
A Necessidade de Adaptação
Não podemos negar que a velocidade das transformações nos tempos atuais é impressionante. Em apenas três dias, o cenário global pode mudar drasticamente, como vimos no dia do lançamento do DeepSeek AI fez empresas perderem mais de USD 1 Trilhão em valor de mercado, e como a tentativa de aquisição da Volkswagen por investidores chineses em dois dias apenas chacoalhou o mundo dos negócios. Essas mudanças exigem que as empresas estejam preparadas para se adaptar rapidamente, independentemente do seu tamanho ou setor. Seja uma empresa de logística, uma agência de marketing digital ou uma corporação multinacional, a adaptação é mandatória.
Bruno Stefani, que teve uma trajetória marcante na Ambev Tech, destacou que a adaptação não é apenas uma questão de sobrevivência, mas também de oportunidade.
Ele compartilhou sua experiência na Ambev, onde liderou iniciativas de inovação e ajudou a empresa a se transformar em uma plataforma digital, além de uma tradicional cervejaria.
Ressaltou que, para se adaptar, as empresas precisam equilibrar eficiência operacional com a capacidade de inovar.
A Cultura de Aprendizado e Inovação
Um dos pontos centrais da discussão está a importância de criar uma cultura de aprendizado dentro das organizações. Muitas vezes, as empresas param de fazer perguntas e se acomodam em suas zonas de conforto, especialmente quando atingem um certo nível de maturidade. No entanto, em um mundo em constante mudança, a capacidade de questionar e aprender é fundamental para a inovação.
No caso da Ambev, que, apesar de ser uma empresa com uma cultura forte e orientada para resultados, ela precisou aprender a abraçar a inovação. Bruno Stefani foi responsável por treinar o board da companhia, introduzindo conceitos como o letramento digital e a conexão com startups. Essa mudança cultural foi essencial para que a Ambev pudesse se adaptar às novas demandas do mercado.
O Papel da Liderança na Adaptação
A liderança desempenha um papel crucial na adaptação das empresas. Líderes precisam estar dispostos a questionar o status quo e a buscar novas formas de fazer negócios. Ele mencionou que, durante sua trajetória na Ambev, uma das maiores lições foi a importância de equilibrar a busca por resultados de curto prazo com a necessidade de investir em inovações que podem gerar impactos de longo prazo.
Além disso, enfatizou que a adaptação não é um processo rápido. Mudanças em grandes empresas podem levar anos, pois envolvem a reestruturação de processos, governança e, muitas vezes, a substituição de pessoas que não estão alinhadas com a nova visão da organização. No entanto, ele acredita que o esforço vale a pena, pois empresas que conseguem se adaptar têm maior probabilidade de prosperar no longo prazo.
A Inteligência Artificial e o Futuro dos Negócios
Outro tema abordado por ele foi o impacto da inteligência artificial (IA) nos negócios, onde a IA está transformando não apenas a forma como as empresas operam, mas também como elas pensam sobre inovação. Ele previu que, nos próximos anos, veremos uma explosão de aplicações de IA em áreas como vendas, atendimento ao cliente e logística.
No entanto, alertou - e também compartilho do ponto de visa - que a IA não é uma solução mágica, assim como a tecnologia em um processo de inovacao não deve ser o fator principal, motivo pelo qual mais de 95% das inovações falham. Para que as empresas possam aproveitar ao máximo essa tecnologia (IA), elas precisam entender sua cadeia de valor e identificar onde a IA pode gerar impactos reais. Ele citou um exemplo de empresas que estão usando IA para melhorar a recuperação de cobranças, aumentando a eficiência em 30% sem aumentar os custos proporcionalmente.
A Importância de Fazer Perguntas
Uma das maiores barreiras para a adaptação é a tendência das empresas de pararem de fazer perguntas.
Quando as organizações atingem um certo nível de sucesso, elas tendem a se concentrar em manter o status quo, em vez de explorar novas oportunidades. No entanto, em um mundo em constante mudança, a capacidade de questionar e explorar novas possibilidades é essencial.
Quem lembra do caso Eastman Kodak Company, que falhou em se adaptar à era digital porque fez a pergunta errada. Em vez de questionar como as pessoas consumiriam fotos no futuro, a Kodak se concentrou em como melhorar a fotografia tradicional. Em contraste, a FUJIFILM Diosynth Biotechnologies conseguiu se reinventar ao perceber que sua tecnologia poderia ser aplicada em outras áreas, como a indústria de saúde.
Conclusão
A adaptação é um desafio constante para as empresas em um mundo em transformação. Como destacado pelo Bruno Stefani, a chave para o sucesso está em criar uma cultura de aprendizado, equilibrar eficiência operacional com inovação e estar disposto a questionar o status quo.
Além disso, a inteligência artificial e outras tecnologias emergentes oferecem oportunidades incríveis, mas só serão efetivas se as empresas entenderem como aplicá-las de forma estratégica.
No final das contas, a adaptação não é apenas uma questão de sobrevivência, mas também de crescimento.
Empresas que conseguem se adaptar às mudanças estão melhor posicionadas para aproveitar as oportunidades que surgem nos momentos de sinais do mercado. E, como ele bem lembrou, o processo de adaptação pode ser longo e desafiador, mas os resultados valem o esforço.
O Código do Futuro: A Necessidade de um Shift Mindset na Era IA-First
A transformação para um mundo cada vez mais digital e a velocidade exponencial da inovação nos conduzem a um momento decisivo:
a necessidade de reconfigurar a forma como pensamos e agimos para nos mantermos relevantes e competitivos. O modelo tradicional de transformação digital já não é suficiente. Estamos entrando na era da Iatização (IA-tização), onde a Inteligência Artificial não é mais uma ferramenta acessória, mas sim um elemento central na construção do futuro das empresas, do trabalho e da sociedade. - Roger Medke
Minha tese central no meu novo Livro 2050 - O Código do Futuro parte desse princípio. A transição entre as eras da Digitização → Digitalização → Transformação Digital → IA-tização não é apenas um avanço tecnológico, mas uma mudança estrutural na forma como criamos valor, tomamos decisões e inovamos. Para que líderes e organizações prosperem nesse cenário, é essencial adotar um Shift Mindset – uma mentalidade de aprendizado contínuo, desaprendizagem de conceitos ultrapassados e reaprendizagem de novas abordagens, fundamentada na neuroplasticidade, no pensamento exponencial e na fluência digital.
O desafio não é apenas tecnológico, mas humano e organizacional. A IA está moldando não apenas os processos empresariais, mas também os papéis dos profissionais e a cultura das empresas. Líderes que não compreendem essa nova lógica correm o risco de se tornarem obsoletos em um curto espaço de tempo.
Portanto, a questão não é mais se a mudança acontecerá, mas sim como nos preparamos para liderá-la. Empresas e profissionais que internalizarem essa transição e desenvolverem uma mentalidade adaptativa estarão à frente nos próximos 3, 5 e 10 anos. Como argumentado em minha tese, o futuro não é um destino fixo, mas um código a ser decifrado e programado por aqueles que estão dispostos a aprender e inovar continuamente.
Se a transformação digital nos trouxe até aqui, a IA-tização nos levará adiante. E a grande questão que deixo para reflexão é: você está preparado para decodificar o futuro?
Fonte: LinkedIn