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21 DE SET DE 2026

Antes do prompt, vem a estratégia

Tem uma pergunta que tenho feito para muitas lideranças:

2050 LIDERANÇA Antes do prompt, vem aestratégia ROGER MEDKE · 21 DE SET DE 2026

Tem uma pergunta que tenho feito para muitas lideranças:

Sua empresa está implementando Inteligência Artificial ou apenas distribuindo ferramentas de IA?

Parece a mesma coisa. Mas não é.

Nos últimos anos, vimos uma corrida para contratar plataformas, liberar copilotos, testar agentes, automatizar tarefas e colocar IA generativa nas mãos das equipes.

Tudo isso é importante.

Mas existe uma diferença enorme entre usar IA e transformar IA em estratégia de negócio.

E talvez seja justamente aí que esteja um dos maiores desafios das lideranças agora.

Segundo a McKinsey & Company, 78% das organizações pesquisadas já utilizavam IA em pelo menos uma função de negócio. Ao mesmo tempo, em uma pesquisa complementar realizada em mercados desenvolvidos, apenas 1% dos executivos classificava sua implementação de IA generativa como madura.

Ou seja:

a tecnologia entrou nas empresas mais rápido do que a estratégia para utilizá-la.

E isso muda completamente a conversa.

1. IA não deveria começar no departamento de TI

Imagine uma empresa comprando dezenas de máquinas para uma nova fábrica antes de decidir o que aquela fábrica produzirá.

Parece estranho, certo?

Mas é exatamente o que muitas organizações estão fazendo com IA.

Primeiro escolhem a ferramenta. Depois procuram onde utilizá-la.

A ordem deveria ser praticamente inversa.

A liderança precisa voltar ao planejamento estratégico da organização e fazer algumas perguntas fundamentais:

Onde queremos crescer?

Onde estamos perdendo eficiência?

Quais processos limitam nossa escala?

Onde estão as decisões que poderiam ser melhores se tivéssemos mais inteligência sobre os dados?

Onde existe oportunidade de criar uma experiência diferente para o cliente?

E, principalmente:

onde a IA pode ampliar nossa capacidade de executar a estratégia?

Perceba a mudança.

A pergunta deixa de ser:

"Onde podemos colocar IA?"

E passa a ser:

"Quais objetivos estratégicos podem ser acelerados por IA?"

Isso é IA como estratégia.

2. Antes de escalar IA, crie capacidade para decidir sobre IA

É aqui que entra algo que considero essencial: um Comitê de IA.

E não estou falando de criar mais uma estrutura burocrática dentro da empresa.

O papel desse comitê é justamente o contrário.

Ele precisa funcionar como um mecanismo de orquestração.

Estratégia e negócio precisam estar na mesa. Tecnologia e dados também. Segurança, jurídico, compliance e pessoas precisam participar da conversa conforme a realidade da organização.

E a alta liderança precisa estar envolvida.

A pesquisa da McKinsey & Company encontrou uma associação entre a supervisão da governança de IA pelo CEO e maior impacto financeiro reportado pelas organizações. O estudo também aponta roadmap definido, treinamento por função, acompanhamento de KPIs e equipes dedicadas à adoção entre as práticas relacionadas à geração de valor com IA.

Isso nos diz algo importante:

IA não pode ser delegada somente à tecnologia.

Ela atravessa processos, pessoas, dados, riscos, clientes, decisões e modelos de negócio.

Por isso, o Comitê de IA deveria ajudar a organização a fazer seis movimentos:

  1. Conectar IA ao planejamento estratégico, identificando quais objetivos do negócio podem ser acelerados pela tecnologia.

  2. Mapear processos e oportunidades, construindo um portfólio de casos de uso priorizado por valor, viabilidade, risco e disponibilidade de dados.

  3. Avaliar a maturidade dos dados, entendendo qualidade, propriedade, disponibilidade, segurança e integração das informações.

  4. Capacitar lideranças e equipes, criando fluência para que diferentes funções entendam não apenas como utilizar IA, mas quando utilizá-la.

  5. Estabelecer governança, definindo responsabilidades, políticas, limites, critérios de segurança, privacidade e acompanhamento dos sistemas.

  6. Medir valor continuamente, acompanhando indicadores como produtividade, receita, redução de custos, tempo de processo, qualidade e ROI.

Parece menos glamouroso do que simplesmente lançar um chatbot corporativo.

Mas é justamente essa estrutura que permite sair do experimento para a escala.

3. Data-Driven precisa estar no centro dessa tese

Existe ainda um ponto que considero fundamental.

Não existe estratégia consistente de IA sem uma estratégia consistente de dados.

A IA pode ser extremamente sofisticada, mas continuará dependendo da informação disponível para gerar contexto, encontrar padrões, apoiar decisões e automatizar processos.

Colocar IA sobre uma estrutura de dados fragmentada é como instalar um motor de Fórmula 1 em um carro sem painel, sem combustível confiável e sem saber para onde dirigir.

Você terá potência.

Mas não necessariamente chegará ao destino.

É por isso que a mentalidade Data-Driven precisa estar no centro da transformação.

E Data-Driven não significa apenas ter dashboards.

Significa criar uma cultura em que dados confiáveis façam parte das decisões, dos processos e da estratégia.

Quem é responsável por cada dado?

Qual é a fonte?

Qualidade é medida?

Quem pode acessá-lo?

Que decisões dependem dele?

Como esse dado poderá alimentar modelos, agentes e automações?

Antes, essas perguntas eram importantes para analytics.

Agora, tornaram-se estratégicas para IA.

Governança não é o freio. É o que permite acelerar.

Existe uma percepção de que governança reduz velocidade.

Eu vejo de outra forma.

Quanto maior a velocidade da tecnologia, mais importantes se tornam os guardrails.

O NIST, uma das principais referências internacionais em gestão de riscos de IA, organiza seu framework em quatro funções: Govern, Map, Measure e Manage — governar, mapear, medir e gerenciar. E a governança aparece como uma dimensão transversal durante todo o ciclo de vida da IA.

Faz sentido.

Governança não deveria aparecer depois que dez departamentos já criaram soluções diferentes, dados sensíveis estão circulando em ferramentas não homologadas e ninguém sabe exatamente quem responde por um modelo.

Ela precisa nascer junto com a estratégia.

Não para impedir experimentação.

Mas para permitir experimentação responsável e escalável.

Essa talvez seja uma das principais mudanças de mentalidade que as lideranças precisam fazer.

A discussão sobre IA está deixando de ser uma conversa sobre ferramentas.

Está se tornando uma conversa sobre estratégia, dados, pessoas, processos e governança.

Porque a vantagem competitiva não estará em quem tiver acesso à IA.

Praticamente todos terão.

A vantagem estará em quem conseguir transformar IA em capacidade organizacional.

E essa construção começa muito antes do primeiro prompt.

Começa na liderança.

Começa na estratégia.

Começa nos dados.

A pergunta não é mais se sua empresa utilizará Inteligência Artificial.

A pergunta é:

sua empresa terá uma estratégia para ela?

Quer entender como estruturar essa jornada de IA, dados e governança dentro da realidade da sua organização? Vamos conversar.

Fonte: LinkedIn