23 DE DEZ DE 2018
AS GRANDES TENDÊNCIAS
Embora existam inúmeras tendências para o futuro, quero falar sobre as quatro tendências para os próximos 25 anos. Kevin Kelly em seu livro “Inevitável, as 12 forças que mudarão mundo” expõe sua visão mais ampla, mas aqui vou falar
Embora existam inúmeras tendências para o futuro, quero falar sobre as quatro tendências para os próximos 25 anos. Kevin Kelly em seu livro “Inevitável, as 12 forças que mudarão mundo” expõe sua visão mais ampla, mas aqui vou falar somente de quatro tendências que são inevitáveis. Já sua companhia, um produto específico não são inevitáveis, mas as tendências vão acontecer independente do que fizermos. Então temos que estar prontos para abraçá-las.
A primeira tendência, que acho mais importante, e a idéia de que tudo será um pouco mais inteligente. Uso uma palavra chique em inglês que é "cognify", significa tornar mais inteligente. "Cognify" é algo que conhecemos também como inteligência artificial. Mas espero pegar essa palavra que vocês ouviram antes e dar uma ideia de porque acho tão importante. Em primeiro lugar, começamos com a idéia de que talvez estejamos usando esperteza artificial ao invés de inteligência artificial, porque dá uma idéia melhor do que vamos ver. Sua calculadora já é mais esperta que você em aritmética. Seu GPS é mais esperto em navegação espacial. Motores de busca como o Google já estão mais espertos em memória de longo prazo. Então as máquinas já tem algum tipo de inteligência. Temos alguma idéia de nossa inteligência que chamamos de QI, que a idéia é a única dimensão, como o barulho aumentando, que vai melhorando, como um camundongo, dai um rato, daí o macaco, dai um idiota, daí uma pessoa mediana como eu e você, dai um gênio e inteligência artificial.
E a sua idéia é totalmente errada, não é o que é inteligência, não tem uma única dimensão. É um conjunto de dezenas de tipos diferentes de cognição. Seu cérebro, sua mente, tem percepção, com ciência espacial, raciocínios simbólico, raciocínio dedutivo, inferência lógica, tem muito tipos de inteligências plurais dentro dela. É um complexo, é uma sinfonia de diferentes tipos de pensamento que, é claro, varia de pessoa para pessoa. Então o que quero dar a vocês é uma fotografia de que vamos fazer centenas de tipos de inteligência artificial.
É plural, não é um tipo só, existe muitos tipos. Nenhum deles é como o ser humano. Os tipos de mentes artificiais que vamos fazer não vamos pensar como humanos. Esse é o benefício deles, esse é o ponto forte. Vamos criar um zoológico de pensamentos artificiais e o motivo porque não queremos que sejamos humanos é que como humanos nós já fazemos. Não queremos que nenhum humano dirija um carro, queremos que uma inteligência artificial faça isso, porque ela não pensa como humano. Conforme nos conectamos a todos, temos 7 bilhões de pessoas conectadas o tempo todo, e isso torna muito difícil pensar de forma diferente. Se você está conectado a todos os humanos o tempo todo, torna-se difícil pensar diferente. Essa na verdade é uma das vantagens da inteligência artificial, ela vai nos ajudar a pensar de forma diferente. Por que ela pensa diferente. Então pensar diferente é um aspecto que eu queria enfatizar, e o segundo é a nova energia artificial.
Tivemos a revolução industrial, que criou essa cidade onde você está, e tudo porque inventamos energia artificial antes disso, na idade da agricultura, a única forma de fazer qualquer coisa, era usar energia muscular natural do homem e de outros animais. Para conseguir uma casa, você tinha que usar energia muscular, energia natural, para conseguir uma estrada, energia natural, fazer roupas, energia natural e inventamos energia artificial, locomotiva a vapor, os motores, energia do petróleo, nuclear, elétrica, e isso nos liberou para desenvolver uma habilidade que nunca tivemos antes. Então podemos realmente fazer coisas difíceis, como, fazer uma cidade, fazer as roupas, fazer as cadeiras que você senta, com energia artificial. E nós distribuímos energia artificial em uma rede, os chamados grids elétricos, todas as casas, todas as fábricas, todas as empresas, e essa rede tornou a eletricidade uma "commodity", uma utilidade, que todo mundo pode comprar, se você quer um pouco de energia artificial você simplesmente compra o tanto de energia que quer ou precisa. Esse acesso permitiu, por exemplo, que um fazendeiro em algum lugar tivesse uma idéia. Fazendeiro e uma bomba de água manual movida a de energia natural, ele usava energia muscular para fazer a bomba de água funcionar, mas ele teve uma idéia, bem, pensou ele, vou comprar energia artificial, eletricidade, e inventar a bomba elétrica. Isso vai funcionar dia e noite. Essa bomba elétrica foi a revolução industrial. Você multiplica isso por 1 milhão de exemplos e você tem a revolução industrial. Fez, repito, o ambiente que conhecemos hoje.
Agora vamos fazer a mesma coisa, outra vez mas com inteligência artificial. Vamos pegar a bomba elétrica e adicionar inteligência artificial nela, e vamos fazer uma bomba esperta. E vamos multiplicar isso por 1 milhão de vezes. E essa é a segunda revolução industrial, e é isso que significa inteligência Artificial.
Então quando você dirige um carro em uma rua, você aperta um botão, liga um interruptor, e você invoca energia de 250 cavalos, energia natural, 250 cavalos naturais, para você se deslocar pela rua, mas você também pode usar isso para levantar um arranha-céu, produzir roupas, tecidos, milhas por hora, você pode usar para fabricar todas as cadeiras, todos os sapatos que você usa, essa é a energia que temos com a energia artificial e agora vamos acrescentar 250 mentes. Não são mentes humanas, é pensamento, mas não é pensamento humano. Essa combinação de energia artificial com inteligência artificial é o carro auto-guiado (autônomo). Então eu sugeri que a fórmula das próximas 10.000 startups é: Pegue alguma coisa e acrescente inteligência artificial a isso. Então se você pega carro, se pegar táxis e acrescentar inteligência artificial você tem o Uber, por exemplo. Pode pegar sapatos e acrescentar inteligência artificial, você tem o que? Comida e acrescentar inteligência artificial? O que robôs e inteligência artificial estão fazendo é assumir as tarefas em que produtividade e ciência são críticos, e importam.
Esses são os tipos de tarefas que cabem aos robôs e inteligência artificial, coisas em que eficiência conta. Mas da um monte de outras coisas que precisam ser feitas, em que a eficiência não importa. E aí, é nisso que os humanos são bons, então em que a eficiência não importa? Por exemplo, ciência é inerente ineficiente, a única forma de descobrir algo novo é fazendo experimentos que falham. A falha é ineficiente, a única forma de descobrir algo novo é chegando a um beco sem saída. Becos sem saída são ineficiente. A única forma de inovar em Startups é experimentar coisas que não funcionam. Isso é ineficiente, se você é cem porcento eficiente como cientista ou inovador você não aprendeu nada. Quando Gary Kasparov, o melhor jogador de xadrez do mundo perdeu pro Deep Blue a maior inteligência artificial da época, ele ficou nervoso. Ele disse: sabe, eu perdi, mas se eu, Gary Kasparov, tivesse tido acesso ao banco de dados de todos os movimentos como o Deep Blue teve, porque ele tinha um registro em seu cérebro, de todos os movimentos já jogados no xadrez. Então Kasparov disse, se eu tivesse tido acesso a isso eu teria ganho. Então ele disse, realmente não é justo. Quero abrir uma nova liga de xadrez, na qual humanos possam jogar ao lado de inteligência artificial juntos. Ele chamou isso de centauro, uma equipe de humano mais inteligência artificial. Como figura mitológica grega, metade humana, metade cavalo, meio centauro meio inteligência artificial, meio humano, e acontece que essa é uma combinação muito poderosa. E hoje no planeta o melhor jogador de xadrez do mundo não é um uma inteligência artificial, não é um homem, é um centauro. Um homem mais as inteligências artificiais. Na verdade, são múltiplos homens e múltiplas inteligências artificiais.
A segunda tendência sobre a qual quero falar é interação. Toda vez que fazemos uma máquina, uma nova invenção um novo aparelho queremos interagir com ele, cada vez mais. Isso está aumentando com o tempo, não somos mais pessoas do livro, do manual, somos pessoas da tela, é com as telas que interagimos com as máquinas.
Kevin Kelly, estive envolvido com Steven Spielberg, para inventar a trilogia para o filme Minority Report, quando imaginava que o futuro das interfaces para o computador era usar as mãos. O personagem de Tom Cruise conduzia os dados. Não são apenas grandes gestos, mas pequenos gestos, que poderiam ser reconhecidos, e essa é outra forma de interagir com nossa Tecnologia.
Hoje temos comando de voz, temos a Alexa da Amazon, o Google Home, a Siri, nós conversamos em mão dupla, e isso está se tornando realmente muito exato. Mas a forma decisiva pela qual conversamos, e aí quando entramos dentro do computador, chamamos isso de realidade virtual, reparamos isso quando colocamos os óculos de realidade virtual. Porém, a dois tipos de realidade virtual. O tipo imersivo, no qual você coloca o fone de ouvido e você está em um lugar diferente chamado realidade virtual. E a outro tipo, chamado de leap motion, ou realidade aumentada, (basicamente, realidade aumentada é um modo de visualizar ao vivo o mundo real onde alguns elementos são suplementados (ou “aumentados”) por programas de computador com o auxílio de algum equipamento de hardware. As aplicações são inúmeras e a tecnologia começou a ser entendida em massa pelo público nos últimos anos, o que criou muitas oportunidades na área), então você coloca um tipo de óculos e você pode ver um ambiente, mas há coisas virtuais nesse ambiente, a bancos virtuais, você pode andar em volta dele e ver ele, e quem sabe até movê-lo com a sua própria mão. E isso na verdade é muito útil para fazer design, desenho industrial, projetos de fabricas, de veículos, e muitas outras aplicações.
A terceira tendência, sobre a qual quero falar é acesso. O Uber é a maior empresa de táxi do mundo sem possuir nenhum carro, o Facebook a maior empresa de mídia do mundo sem possuir nenhum conteúdo, o Alibaba é o maior varejista do mundo sem possuir estoque, o AIRBNB é a maior empresa hoteleira do mundo e não é dona de propriedade alguma. Então ter coisas não é mais tão importante quanto era, isso é verdade, estamos vendo uma mudança de ter acesso para as coisas Versus, possuí- las. Isso é uma mudança do consumidor, a ter acesso instantâneo para o que ele precisa em vez de ser dono, porque ser dono pode ser arriscado, exige fazer backup, manter seguro, estocar, arquivar, catalogar, limpar, tantas outras coisas. Se você acessá-las, é muito mais fácil enquanto consumidor, se você pode ter uma entrega rápida, fabricação imediata com impressão 3D, na loja do bairro que vai imprimir o que você precisa em 15 minutos, ou a materialização das coisas, as coisas se tornam menores e mais leves, todas essas coisas surgem que mesmo no mundo físico, ser dono das coisas não é tão importante quanto era. Não que não vai existir, alguém vai ter que ser dono de coisas, mas não será o padrão. O padrão será acessar coisas, em vez de possuí-las. Isso é economia sob demanda, sobre a qual sempre falamos, quer dizer, outra ver se quando você quer coisas sob demanda, você não tem de comprá-la, é uma se tornar outra enorme oportunidade para descobrir como entregar coisas instantaneamente sob demanda, o que chamamos do efeito Uber.
A quarta e última tendência sobre a qual quero falar é o compartilhamento. Outra vez, ou o Uber é meio que economia do compartilhamento, você compartilha o mesmo carro, não é dono, mas eu quero expandir esse conceito um pouco. Não importa em que negócio você está hoje, você está no negócio de dados. Agricultura, é um negócio de dados; química, é um negócio de dados; mineração, é negócio de dados; hotelaria é um negócio de dados; bancos, claro, é negócio de dados; Não importa, você agora está em um negócio de dados, e dados hoje são o novo petróleo, a nova riqueza, é como você eu obtemos o poder. As maiores empresas do mundo hoje são negócios dados, Google, Facebook, Amazon, Microsoft, são todas empresas de dados. E dados sobre seus clientes são quase tão valiosos quanto os próprios clientes, acho que estamos todos bem no comecinho, na primeira hora do primeiro dia, na verdade. Se pegarmos uma máquina do tempo para o ano 2050, e que daqui a 25 anos vamos olhar para trás, para hoje, e uma das coisas que vamos perceber é que não há especialistas. Muitas pessoas trabalham em inteligência artificial, tem altos salários, mas eles não sabe nada realmente comparado com o que saberão em 25 anos, a gente se da conta de que hoje não há experts, não há expert em realidade virtual, na verdade não sabemos como funciona. Não há especialistas em dados, tudo começou este ano, vamos nos dar conta, se olharmos para trás, que nada do que aconteceu antes de 2017 e realmente contar, tudo meio que começou agora. Quando começamos a descobrir o que era realidade virtual e inteligência artificial, e a gerir os dados, então comparado com o passado nunca ouve ferramentas melhores para fazer coisas, nunca ouve mercados maiores, nunca ouve recursos mais baratos para empréstimos, nunca ouve menos barreiras de entrada do que hoje, neste ano, mas também, comparado com o futuro, este é o momento, porque não há especialistas. As frutas estão pendurados em galhos baixos para serem colhidas. Não há concorrência comparativamente, porque apenas começou. É barato entrar, pensando que em um dia vamos estar daqui a 25 anos, e esse é o melhor momento para começar, sem dúvida, e todas as coisas que falei pra vocês, esqueci de dizer a mais importante: isso porque eu não sei qual é. A coisa mais importante daqui a 25 anos não foi inventado ainda. Se estivesse fazendo escrevendo isso em 25 anos eu não teria mencionado a web ou smartphone, então tenho muita certeza de que todas as coisas que escrevei aqui, não escrevi a mais importante, porque não foi inventado. Este ainda é o melhor momento, porque as melhores coisas estão à nossa frente, não foram inventadas, as melhores ferramentas, na história da humanidade, não temos especialistas ainda, significa que não estamos atrasados. Esse é o começo, saiam e façam acontecer, esse momento é o melhor de todos.
Fonte: LinkedIn