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28 DE JAN DE 2020

AS GRANDES TENDÊNCIAS

Eu percebo que a humanidade está pensando muito no passado, pouco no presente e pouquíssimo no futuro, e isso terá consequências pro- fundas. Alguns dos mais renomados tecno otimistas relatam que em 2025 muita coisa vai mudar. Mas, por

2050 FUTURO AS GRANDES TENDÊNCIAS ROGER MEDKE · 28 DE JAN DE 2020

Eu percebo que a humanidade está pensando muito no passado, pouco no presente e pouquíssimo no futuro, e isso terá consequências pro- fundas. Alguns dos mais renomados tecno otimistas relatam que em 2025 muita coisa vai mudar. Mas, por que 2025? Na verdade, são dois ciclos de três anos: escrevo este livro em 2019, e a cada três anos um ciclo tecnológico se atualiza, então, até 2025, serão dois ciclos. As empresas irão mudar os seus modelos de mercados, os próprios modelos de negócios irão mudar e você precisará pensar na sua educação para se reinventar para esse novo mundo.

Venho estudando muito sobre inovação e com mais intensidade nos últimos três anos, algo que vem dentro de mim desde 2008, quando comecei a graduação em sistemas de informação, então sempre foi algo que eu gostei muito. Tive oportunidade de trabalhar no mercado de tecnologia desde 2010, e de fundar uma startup em 2017, mas desde muito cedo eu já tinha resolvido empreender, muito antes dos meus 15 anos. E foi mesmo em 2014 que constitui a minha primeira empresa, diante de muitos desafios, muito trabalho e estudo e, ao mesmo tempo, procurando sempre entender e aprender. Durante minha trajetória, tive muitas vitórias e conquistas, mas também inúmeras derrotas que me deram grandes aprendizados. Percebo a cada momento que ainda tenho muito a aprender, e esse apetite de aprender sempre tem vibrado muito forte em mim.

Ao ver a integração acontecendo entre o mundo off-line com o mundo on-line, vejo que a inovação disruptiva tem tudo a ver com isso, tem a ver com a confluência de tecnologias, que criam novos modelos de negócios completamente diferentes dos convencionais e desafiam o status quo. Ao longo dos últimos três anos, tenho estudado com afinco esses novos modelos de negócios por meio de muito benchmarking, buscando entender o fenômeno de empresas com poucos anos de vida e poucos funcionários que passaram a valer bilhões de dólares. Tentando entender como tudo isso vem acontecendo, eu acabei por tirar algumas conclusões e, baseado nisso tudo, resolvi escrever esse livro sobre transformação disruptiva, sobre como realmente as coisas estão mudando, o que é preciso fazer para continuar competitivo nesse novo cenário e porquê isso está mudando tão rápido.

O fator mais interessante destas pesquisas foi um estudo apre- sentado pela McKinsey, realizado em parceria com o evento Brazil at Silicon Valley, que apontou o Brasil como um país de empreendedores. Porém, fatores como a burocracia e alta taxa tributária, impedem que consigamos subir no ranking de empreendedorismo, por exemplo, permanecendo na posição 98 no ranking mundial apresentado pelo Global Entrepreneurship Index - GEI,28 dos 137 países que pertencem ao índice. Estamos ainda na posição 109 no ranking em facilidade de abrir novos negócios e ocupamos a posição 64 no ranking de inovação, do total de 126 países que compõem o índice, ficando atrás dos países da América Latina como Chile, que ocupa a primeira posição, seguida de Costa Rica em segundo, México na terceira, Uruguai ocupando a quarta posição, Colômbia a quinta, com o Brasil ficando apenas em sexto.

Está havendo um distanciamento muito grande entre as tecnologias, o indivíduo, os negócios e as políticas públicas, o que me preocupa muito, ainda mais pela situação econômica em que o Brasil se encontra e com os índices que vimos. Baseado nisso, fui buscar o entendimento de porque é tão difícil fazer inovação.

Dito tudo isso, eu mesmo tenho me reinventado ao longo dos últimos cinco anos, e a própria startup que fundamos em 2017 é fruto dessa mudança. Hoje, através da tecnologia que disponibilizamos para empresas, acabamos por levar essa inovação por meio de uma plataforma como forma de empresas encurtarem sua jornada e acelerarem as suas aplicações para conectarem seus negócios na era digital. Mas não basta apenas isso, é preciso que as empresas inovem em suas mentalidades organizacionais, que possam rever os seus modelos de negócios, ajustar suas visões para o futuro, soltarem suas amarras da revolução industrial e engrenarem na era digital.

E, para começar a entender mais de perto porque 2025 é a grande virada, e porque 2025 muda tudo o que a entendemos como negócio, cultura, modelos organizacionais e tecnologia, precisamos entender como as coisas estão acontecendo rápido e muito rápido, e trago novamente o exemplo do Uber: ele ter entrado em São Paulo e, depois de apenas três anos, São Paulo foi, e continua a ser, o maior mercado em número de corridas do Uber no mundo. Tudo isso aconteceu em apenas três anos. Quanto tempo leva para concluirmos uma faculdade? Cerca de quatro ou cinco anos. Então, imagine se você estivesse fazendo uma faculdade para ser motorista de táxi e, no meio do curso, a profissão de taxista deixasse de existir. Porém, esse fenômeno não está acontecendo só com os taxistas, está acontecendo em todas as profissões, umas mais rápido, outras nem tanto e, quando começamos a falar da inteligência artificial, passamos a entrar mais profundamente e entender o que é o machine learning e deep learning, e tudo aquilo que existe em volta dessa grande ciência.

Vendo tudo isso, passamos a entender, na verdade, que todo o trabalho repetitivo está sendo automatizado. Essa é uma verdade que pre- cisamos reconhecer. A própria palavra machine learning diz: é uma má- quina que aprende. Ela aprende aquelas tarefas que você a ensina fazer, só que ela tem um poder computacional enorme, ou de armazenamento muito grande e, por isso, ela consegue analisar históricos infinitos e trazer pra você uma solução.

Pense por um momento. Vamos pegar a biologia e a ciência da computação. O que acontece quando essas duas matérias se cruzam? Surge a engenharia genética, que é muito mais poderosa do que a biologia e a própria ciência da computação sozinha. O impacto na sociedade que uma engenharia genética traz é enorme e, ao olharmos para 2025, teremos uma confluência de tecnologias muito grande, teremos um grande volume de acesso a dados em velocidade 5G, isso se misturando, por exemplo, com realidade virtual, realidade aumentada. E quando temos dados e realidade virtual e aumentada, que tipo de tecnologia será possível criar? Eu ainda não sei, mas, com certeza, alguma nova tecnologia irá surgir. Então, conforme vamos unindo essas tecnologias, começam a nascer cada vez mais novas tecnologias e novos modelos de negócios, e aqui está um motivo do porque hoje é muito mais difícil prever o futuro. Porque, para prever o futuro, é necessário prevê-lo com base nas consequências da confluência das tecnologias e dos impactos gerados por elas, e não do que ela é hoje, não do que você conhece hoje. Então isso impacta tudo, até porque o biólogo não vai ser um engenheiro genético e o programador que fez ciência da computação também não vai ser um engenheiro genético, mas o engenheiro genético vai ter que saber biologia e ciência da computação. Portanto, por meio desses fenômenos nascem as profissões do futuro, sobre as quais falo no Capítulo VIII, do meu livro. 

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Fonte: LinkedIn