28 DE JAN DE 2020
AS TECNOLOGIAS DISRUPTIVAS
As tecnologias emergentes, incluindo a mobilidade de conexões, os veículos autônomos, o avanço da engenharia genética, a internet das coisas, a computação em nuvem e o avanço da robótica, sem dúvida terão potencial para redefinir esse novo
As tecnologias emergentes, incluindo a mobilidade de conexões, os veículos autônomos, o avanço da engenharia genética, a internet das coisas, a computação em nuvem e o avanço da robótica, sem dúvida terão potencial para redefinir esse novo século. Muitos governos e até líderes de muitas empresas ao redor do planeta estão preocupados, alguns inclusive investindo bilhões de dólares em pesquisas e colocando suas estratégias em prática para não ficarem parados e serem pegos de surpresa pelos im- pactos da onda tecnológica que se aproxima em velocidade exponencial.
Muitas são as previsões, como já ressaltei. Porém, ao avaliar as mais de 20 tecnologias disruptivas, cerca de metade delas apresentam um potencial de impacto econômico gigantesco, com cifras exorbitantes, entre US $ 14 trilhões e US $ 33 trilhões por ano, em 2025, números com base em uma análise profunda das aplicações e do valor que elas pode- riam criar de várias maneiras, em dados apresentados por um relatório do McKinsey Global Institute.
A grande questão não são as tecnologias isoladas, mas a combinação delas é que potencializam a disrupção, e criam novos modelos de negócios, e que em breve se tornarão mainstream e estarão acessíveis por meio dos nossos smartphones.
Posso afirmar que o uso das tecnologias de internet móvel já estão bem difundidos, com mais de 4 bilhões de usuários acessando a internet por meio de dispositivos móveis ao redor do planeta. No Brasil, já temos mais dispositivos móveis conectados do que pessoas: são cerca de 220 milhões de celulares ativos, contra 210 milhões de habitantes, tornando-se o segundo país do mundo a ficar mais tempo conectado à internet, ficando atrás apenas das Filipinas, de acordo com relatórios da GlobalWebIndex, GSMA Intelligence, Statista, Locowise, App Annie e SimilarWeb, no primeiro trimestre de 2019. A rápida adoção desses dispositivos demonstra que a tecnologia de internet móvel é muito mais do que apenas uma outra maneira de navegar online. Equipados com dispositivos e aplicativos de computação móvel com acesso à Internet para praticamente qualquer tarefa, as pessoas usam cada vez mais para entender, perceber e interagir com o mundo em suas rotinas diárias. Em um tempo notavelmente curto, a capacidade da internet móvel tornou-se uma característica na vida de bilhões de pessoas, que desenvolveram um apego mais forte aos seus smartphones do que a qualquer outra tecnologia de computação anterior. No entanto, todo o potencial da internet ainda está para ser realizado. Eu creio que na, próxima década, poderá provocar transformações e disrupções mais significativas ainda, a partir do momento em que tivermos toda população do planeta conectada.
Os novos softwares e aplicativos móveis oferecem uma ampla gama de funcionalidades, e aqui cabem alguns números interessantes para termos ideia da magnitude desse mercado. A Apple Store possui cerca de 2,2 milhões de aplicativos disponíveis para download. A Google Play Store possui cerca de 2,8 milhões, mercado esse com estimativa de chegar em 2020 com receita de US $ 189 bilhões. Mais interessante ainda é que cerca de 21% dos Millennials abrem cerca de 50 vezes por dia e 49% das pessoas abrem uma aplicação cerca de 11 vezes ao dia. 57% de todo o uso de mídia digital vem de aplicativos móveis e um proprietário de smartphone usa cerca de 30 aplicativos por mês. Toda essa infinidade de aplicativos colocando os recursos de uma variedade de gadgets em um pacote móvel que fornece chamadas de voz, acesso à internet, navegação, jogos, monitoramento da saúde, processamento de pagamento e acesso à nuvem. Estimativas apontam que as aplicações da internet móvel poderão gerar um impacto econômico anual de US $ 3 trilhões para US $ 10 trilhões globalmente até 2025. Esse valor vindo de três principais fontes: a) melhor prestação de serviços; b) aumento da produtividade em trabalhos selecionados por categorias; e c) o valor do uso da internet para os novos usuários da internet que serão provavelmente adicionados em 2025.
Automação do conhecimento do trabalho é também uma das confluências que estão avançando em velocidade exponencial. O aprendiza- do de máquina e interfaces de usuários trouxeram a computação a um estágio importante, onde os computadores estão tornando-se capazes de fazer trabalhos que antes eram apenas feitos por humanos. Os computa- dores, por exemplo, agora podem atuar em comandos “não-estruturados”, respondendo a uma pergunta feita em linguagem simples, e até mesmo fazendo julgamentos consistentes. Eles podem filtrar grandes quantidades de informação e diferenciar padrões e relacionamentos. Eles podem literalmente aprender regras e conceitos baseados em exemplos ou simplesmente acessando grandes volumes de dados, os chamados Big Data. E, ainda, com interfaces avançadas e softwares de inteligência artificial, eles podem entender e interpretar a fala humana, ações e até mesmo intenções de comandos indeterminados. Em suma, os computadores podem cada vez mais fazer muitas das tarefas atualmente realizadas pelos trabalhadores que detém o conhecimento de como fazer cada atividade.
No entanto, ferramentas e sistemas autômatos podem assumir tarefas que seriam iguais à produção equivalente entre 110 a 140 milhões de trabalhadores em tempo integral. No geral, a estimativa do impacto econômico potencial de ferramentas de automação do conhecimento podem chegar a US $ 6 trilhões por ano até 2025, devido a maior produção por trabalhador. Por consequência, há grandes chances de aumento dos salários dos trabalhadores. Em países que possuem economias mais desenvolvidas, estima-se que o salário anual do trabalhador seja cerca de US $ 60 mil, comparado com US $ 25 mil em países em desenvolvimento. Portanto, automatizar processos e atividades repetitivas podem, sim, gerar ganhos adicionais à economia de um país.
Já a internet das coisas, também considerada uma das tecnologias disruptivas por permitir a conectividade de objetos físicos, como máquinas, infraestruturas e dispositivos que podem ser equipados com sensores e atuadores que permitem monitorar seu ambiente, informar seu status, receber instruções e até tomar medidas com base nas informações que recebem. Nesse contexto, até mesmo pessoas podem ser equipadas com dispositivos habilitados por sensores, os wearables, que possuem capacidades para rastrear seu estado de saúde. Por exemplo, eu mesmo utilizo um dispositivo no qual fico surpreso, às vezes, com o tanto de informações sobre meu desempenho durante uma atividade física ou até mesmo durante o sono. Estima-se que mais de 15 bilhões de dispositivos em todo o mundo estão atualmente conectados à internet (2019), incluindo computadores e smartphones. Espera-se que esse número aumente dramaticamente nos próximos anos, podendo chegar a um trilhão de dispositivos.
O potencial de criar impacto econômico com Internet das Coisas poderá chegar a US $ 6 trilhões anuais até 2025. Alguns dos usos mais promissores estão nos cuidados de saúde, infraestrutura e serviços públicos, ajudando a sociedade a lidar e resolver os maiores desafios e problemas da humanidade. O monitoramento remoto, por exemplo, tem o potencial de fazer enorme diferença na vida das pessoas com doenças crônicas, enquanto simultaneamente esses vem utilizando fontes significativas de aumento dos custos com saúde em diversos países. Já a capacidade de monitorar e controlar redes elétricas e sistemas de água podem ter grandes impactos na conservação de energia, emissões de gases de efeito estufa e perdas de água, elementos que impactam em sustentabilidade. Usando sensores embarcados para coletar informações que podem agilizar as operações e funções do setor público, como a coleta de lixo, que pode se tornar muito mais produtiva. No capítulo IV do livro do meu livro eu faço uma abordagem mais completa sobre esse tema.
A tecnologia da computação em nuvem vem se tornando comum nos últimos anos e, com boa razão. Todos nós consumimos serviços através de nossos smartphones e até mesmo de nossas casas e isso tudo graças a computação em nuvem. A nuvem já cria um enorme valor para os consumidores e empresas, tornando o mundo digital mais simples, mais rápido, mais poderoso e mais eficiente. Além de oferecer serviços valiosos e aplicativos baseados na internet, a nuvem pode fornecer uma maneira mais produtiva e flexível para as empresas gerenciarem sua infraestrutura de TIC. A tecnologia de nuvem tem o potencial de disrupção de modelos de negócios inteiros, dando origem a novas abordagens que são móveis e flexíveis. Ela permite a entrega de potencialmente todos os aplicativos de computadores e serviços através de redes ou da Internet. Com recursos de nuvem, o volume de trabalho computacional pode ser feito remotamente e entregue on-line, potencialmente reduzindo a necessidade de armazenamento e processamento de energia em computadores locais e também nos dispositivos móveis.
Os serviços de internet mais usados atualmente já são entregues através da nuvem, incluindo pesquisas on-line, redes sociais e streaming como Netflix e Spotify. A nuvem também permite modelos pay-as-you-go para consumir TI, exemplificado pela frase “software como serviço”, e a tendência é que, até 2025, a maioria dos aplicativos e serviços de TI e da Web serão entregues ou habilitadas para a nuvem, e a maioria das empresas poderão estar usando serviços para seus recursos de computação. Como os aplicativos geralmente dependem de recursos de nuvem, a nuvem é esperada para ser um dos principais impulsionadores do uso de smartphones. O impacto econômico total da nuvem poderá chegar a US $ 6,2 trilhões anuais em 2025. A maior parte na forma de superávit adicional gerado a partir da entrega em nuvem de serviços e aplicativos para usuários da internet, enquanto o resto poderia resultar do uso de tecnologia de nuvem para melhorar operações das empresas.
A robótica avançada, com a qual, durante as últimas décadas, os robôs industriais passaram a assumir uma variedade de tarefas de fabricação – geralmente aquelas que são difíceis, perigosas ou impraticáveis para humanos, como soldagem, pintura com spray ou manuseio de materiais pesados, por exemplo. Porém, a robótica nessa década está tendo grandes avanços, com a inclusão em massa de robôs em linhas de produção, substituindo máquinas para realizar trabalhos repetitivos em aplicações de fabricação e, principalmente, em usos extremamente valiosos, como em cirurgia robótica. Avanços em inteligência artificial, vi- são mecânica, sensores, motores e hidráulica – mesmo em materiais que imitam sensação de toque, estão tornando isso possível. Isso mostra que os robôs não estão apenas se tornando capazes de assumir tarefas mais delicadas e complexas, como escolher e empacotar, ou manipular peque- nos componentes eletrônicos, mas eles também são mais adaptáveis e capazes de operar em condições caóticas e ainda trabalhar ao lado de humanos. Já se vê muitos robôs colaborativos trabalhando ao lado de humanos. Eu já pude experienciar um teste na prática com o Kuka, um robô colaborativo.
A adoção em massa de robôs está sendo impulsionada pela Lei de Moore, uma vez que o custo dos robôs está diminuindo drasticamente e, com isso, a robótica avançada promete um mundo com necessidade limitada de trabalho físico em que trabalhadores robóticos e aumento robótico humano podem elevar muito a produtividade e até mesmo prolongar vidas humanas. Os ganhos serão imensos, pois muitos bens e serviços podem se tornar mais baratos e abundantes devido aos avanços exponenciais. Até os deficientes físicos e os idosos podem levar uma vida mais saudável e menos restrita usando próteses robóticas e exoesqueletos que se prendem como aparelhos e auxiliam na locomoção.
Estima-se que a aplicação de robótica avançada em toda a saúde, fabricação e serviços podem gerar um impacto econômico potencial de cerca de US $ 4,5 trilhões por ano até 2025, sendo cerca de US $ 2,6 trilhões em valor de usos em cuidados de saúde. Esse impacto resultaria em salvar e prolongar vidas, transformando a maneira em que muitos produtos são construídos e muitos serviços são entregues.
E você está preparado ou se preparando para enfrentar esses novos desafios do mundo novo?
Fonte: LinkedIn