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20 DE SET DE 2018

Bancos como Plataformas

É fato que a tecnologia acaba mudando as regras do jogo e poucas indústrias estão sendo tão bombardeadas por novidades disruptivas quanto no setor financeiro, o que leva a uma busca por novas estratégias, como por exemplo, a de Bancos como

2050 INDÚSTRIA Bancos como Plataformas ROGER MEDKE · 20 DE SET DE 2018

APIs na estratégia de Bancos e Fintechs

É fato que a tecnologia acaba mudando as regras do jogo e poucas indústrias estão sendo tão bombardeadas por novidades disruptivas quanto no setor financeiro, o que leva a uma busca por novas estratégias, como por exemplo, a de Bancos como Plataformas.

Nos últimos meses de 2017, o número de Fintechs no país subiu de 309 para 377, um aumento de 22%, o que mostra que o ritmo de crescimento do setor continua acelerado. Em 2016, o incremento no número de fintechs havia sido de cerca de 40%.

 Nesta edição do Mapa, o Finnovation volta a fazer o levantamento em conjunto com o Finnovista e o BID (Banco Interamericano de Desenvolvimento), como parte de um levantamento maior, realizado em outros países da América Latina.

O modelo tradicional dos bancos está ameaçado pela comoditização, desagregação e desintermediação. A pressão vem de todos os lados (novas regulações, tecnologias, competidores, expectativas…) e a estratégia de Bank-as-a-Platform - BaaP, ou seja, banco como plataforma pode favorecer bancos e fintechs a usar algumas dessas forças a seu favor.

Pressão de Novas Regulações: PSD2 (UE), CMA (UK), UPI (Índia)…

Além da PSD2 (UE), CMA (UK), UPI (Índia), iniciativas similares estão sendo estudadas no Japão, Austrália, Brasil e em outros países. Essas regulações buscam abrir o setor financeiro para competição, estimular a inovação, reduzir os custos de transação, aumentar a transparência e dar maior poder ao consumidor.

Uma das implicações da PSD2 será que os usuários poderão ter acesso a suas informações bancárias e fazer pagamentos a partir de outras empresas (TPPs – third party payments service providers), ou seja, prestadores de serviços de pagamentos de terceiros. Essa integração de dados e serviços precisa ser segura, ágil e escalável, o que pode ser feito utilizando open APIs. Essas regras da PSD2 estão previstas para serem incorporadas nas operações dos bancos europeus até 2019.

Pressão de Novas Expectativas: Omnichannel, Transparência, Personalização

Mais serviços ficam disponíveis por apps, coletando dados e efetuando transações em tempo real, com UX sofisticadas e algoritmos disparando ações próativas.

A gente fica meio mal-acostumado né. Quem nunca sentiu ódio em ter que ir numa agência habilitar não sei o quê? Pegar fila (até quando?) ou ligar não sei onde por que x não é z? Falando em Z, essa geração mais nova (gen-z) tem ainda menos paciência do que eu. Bom, eu não sei exatamente quando foi a última vez que estive em uma agência bancária pessoalmente.

Bom, as empresas que oferecem uma melhor experiência têm grande vantagem, como o crescimento dos bancos digitais vêm mostrando, aqui no brasil o NUBANK, BANCO INTER, BANCO ORIGINAL, BANCO NEON e outros. Depois do PSD2, TPPs poderão acessar informações e disparar pagamentos de clientes dos bancos (desde que autorizado pelos clientes) para executar seus serviços.

Esses TPPs poderão morder a maior parte do valor que poderiam ser dos bancos, deixando para estes apenas serviços de menor valor agregado (comoditização).

Pressão de Novos Avanços Tecnológicos: APIs, Analytics+AI, IoT, Blockchain

Os grandes drivers tecnológicos (A.I, Cloud, IoT, Mobilidade), estão criando oportunidades em todos os setores. Alguns deles, como as novas ferramentas de Analytics e Artificial Intelligence, permitem a análise de grandes volumes de dados em real-time, gerando insights e disparando ações próativas, em forma de Push por exemplo.

Com IoT - internet of things, as “coisas de todas as coisas” também entram no jogo, podendo fazer a coleta de dados, análise e disparo de ações internas e externas. Implementando APIs, é possível fazer integrações ágeis, seguras e escaláveis entre sistemas legados, aplicativos móveis, serviços na cloud e ecossistemas de parceiros. Por sua vez, o blockchain habilita transações seguras e rastreáveis de forma descentralizada.

As possibilidades de combinar essas tecnologias para gerar novos negócios são inúmeras, por exemplo: dispositivos realizando microtransações com criptomoedas (pagamentos, investimentos, empréstimos), de forma autônoma e direta entre si, usando os smart contracts e algoritmos. Ou seja, o mapa elaborado pelo Gartner ilustra muito bem esse cenário.

Pressão de Novos Entrantes: Fintechs, OTTs (Amazon, Google, Apple, …), Telecom, Varejo, Seguradoras

A digitalização dos serviços financeiros favoreceu a entrada de novos players, como empresas de setores de tecnológicos, fintechs e dos bancos digitais.

Muitos desses entrantes não carregam o peso de certas regulações e da complexidade de sistemas legados como ocorre com os bancos. Além disso, conseguem assimilar com agilidade as novas tecnologias e gerar soluções inovadoras, capazes de oferecer conveniência, boa experiência e serviços financeiros diferenciados para os consumidores.

 Como Bancos e Fintechs podem enfrentar esse cenário?

Observando esse cenário, podemos estabelecer algumas premissas:

A partir dessas premissas, as estratégias competitivas de Bancos e Fintechs precisam considerar ações como:

Na figura abaixo temos o modelo o cenário de três etapas que já sabemos está em andamento deslocado, diminuído e desintermediado.

Para enfrentar esses desafios, os bancos possuem recursos favoráveis para se posicionarem como plataformas de serviços financeiros, como por exemplo: base de clientes, capital, marca, expertise regulatória. Porém, possuem algumas dificuldades com a complexidade de seus sistemas legados, ciclos de inovação mais longos, regulações mais rígidas.

Por sua vez, as fintechs tem um ciclo de inovação mais ágil, oferecem soluções com experiência diferenciada e possuem domínio de tecnologias específicas. No entanto, não dispõem de uma base ampla de clientes, marcas fortes e confiáveis, capital e economias de escala, assim como expertise para lidar com regulações complexas.

Os Bancos podem encontrar na colaboração com diversas fintechs uma variedade de capacidades e serviços a fim de somar com suas ofertas, ampliando as fontes de receitas, engajamento de clientes, atuando com ciclos mais curtos de experimentação e aprendizado.

Na imagem abaixo vemos um banco com os seus serviços na forma de lego, utilizando APIs em todas esses microserviços dos quais as Fintechs estão se tornando melhores que o próprio banco em cada um desses serviços.

Por outro lado, as fintechs podem encontrar na colaboração com bancos uma base ampla de clientes, além do apoio de uma marca consolidada e de economias de escala.

Essa colaboração entre bancos e fintechs possibilita a oferta de um portfólio superior de serviços e canais, para uma base de clientes consistente, com uso de dados e monetização mais efetiva, além de estimular a criação de novos produtos e modelos de negócios, em um ambiente de inovação mais aberto.

Para alcançar essa colaboração efetiva, não basta apenas estabelecer uma estratégia de negócio compartilhada, mas integrar processos e sistemas que proporcionem agilidade, segurança e escalabilidade, e a forma adequada para isso é através de APIs.

O poder das APIs para Novos Negócios e Inovação

As APIs são um meio padronizado e neutro para fazer integrações entre pessoas, coisas, aplicações e ecossistemas, com agilidade e  segurança.

Essa capacidade das APIs de disponibilizar e combinar recursos de diferentes elementos as coloca como habilitadoras chaves para inovação e novos negócios.

Além da integração de sistemas internos e entre parceiros de um ecossistema, as APIs também viabilizam:

Para ilustrar melhor podemos utilizar esse desenho a seguir:

Estratégias de Plataformização para Bancos e Fintechs

 O ambiente competitivo atual no setor financeiro requer uma nova mentalidade. A competição não é mais somente entre empresas, com produtos e ativos próprios, mas entre ecossistemas, com parceiros que sejam capazes de combinar serviços, orquestrar recursos e executar ações coordenadas.

A estratégia de plataformização busca construir ou integrar um ecossistema com clientes, parceiros, serviços e dispositivos, a fim de promover criação e troca de serviços, de forma que todos possam capturar valor.

Essa integração entre o ecossistema possibilita aos seus membros vantagens como:

Entretanto, para suportar uma estratégia de plataformização (seja construir ou participar de um ecossistema), bancos e fintechs precisam dispor de um mecanismo de integração ágil e eficaz dos sistemas internos com os demais parceiros.

APIs são um meio padronizado e neutro para fazer essas integrações entre pessoas, coisas, aplicações e ecossistema com segurança e escalabilidade, e vale para praticamente todos os setores da economia e tecnologias.

Fonte: LinkedIn