Artigos

1 DE SET DE 2018

Bens públicos criados sem o governo

Em uma palestra no Center for internet no Society Universidade de Harvard, Nicholas Gruen, um economista australiano falou sobre a crescente de bens públicos criados no setor privado. E começou a palestra apresentando a definição econômica

2050 ENSAIO Bens públicos criados semo governo ROGER MEDKE · 1 DE SET DE 2018

Em uma palestra no Center for internet no Society Universidade de Harvard, Nicholas Gruen, um economista australiano falou sobre a crescente de bens públicos criados no setor privado. E começou a palestra apresentando a definição econômica clássica de um bem público: bens que o governo deve fornecer porque o setor privado não forneceria. Na teoria econômica, um bem público é não competitivo (Como no caso de um farol, a utilização por uma pessoa não impede os outros de se beneficiarem nem reduzir os benefícios que os outros podem obter) E não excludente (Como no caso da defesa Nacional, todos se beneficiam, independentemente de pagarem ou não por isso). Dito isso Gruen sugeriu que pensássemos no Google no Facebook e no Twitter, Eles são gratuitos e abertos a todos. Não importa quantas pessoas participam deles, eles não se esgotam.

 Um insight interessante. O setor privado está começando a ver que os investimentos em plataformas abertas ao máximo tem o potencial de fornecer o maior valor para o acionista.

Então Gruen fez uma firmação memorável: “as empresas privadas estão fornecendo importantes bens públicos. Os bens públicos estão sendo criados sem o governo”. Pense na criação de uma moeda pelo bitcoin, uma atividade que todo mundo considerava ser da alçada do governo.

Nicholas explica que existe toda uma gama de possibilidades quanto ao modo como os bens públicos podem ser criados, que vão desde “bens públicos emergentes”, voluntários, criados por consentimento, até bens públicos protegidos por coerção (regras, regulamentos impostos). A ideia de empresas criando bens públicos e ao mesmo tempo empolgante e aterrorizante, empolgante porque significa que não precisamos mais depender de verbas públicas ou da boa vontade política dos governantes para produzir os bens públicos, e aterrorizante porque, como vimos, os CEOs das empresas privadas e seus investidores não são obrigados a agir em benefício do público, não precisam se preocupar com benefícios sociais ou ambientais, não raro são recompensados por lucros imediatos e não em longo prazo e não se preocupam muito dos interesses financeiros de grupos que não incluem os acionistas. Os governos estão recorrendo as pessoas comuns para resolver problemas e tornar cego criadores. Os consumidores tem cada vez mais poder e autonomia. E conceitos completamente novos, como a cadeia de blocos (blockchain), estão possibilitando as pessoas coordenar seu trabalho, sem esbarrar no problema do coordenador voluntário, para realizarem o que antes era exclusivamente da alçada de governos e instituições.

Será que essa nova realidade forçaria algumas empresas a fechar as portas? Já sabemos bem que a transferência do poder para as mãos das pessoas fez com que algumas empresas (nos setores hoteleiros, de táxi, mídia e entretenimento), repensassem as melhores maneiras de agregar valor. Alflen Blue, um dos fundadores do LinkedIn, especulou: Qual vai ser o valor da empresa daqui a 25 anos, quando tudo for transferido para o lado das pessoas comum? 

Fonte: LinkedIn