Artigos

2 DE FEV DE 2019

Cidades Inteligentes

Duas palavras que eu gosto de trazer pra começar a falar sobre Cidades Inteligentes é Velocidade e Disrupção (rompimento), uma palavra super moderna lembra gente, startup, economia criativa, mas é uma palavra que até pouco tempo na nossa hi

2050 STARTUPS Cidades Inteligentes ROGER MEDKE · 2 DE FEV DE 2019

Duas palavras que eu gosto de trazer pra começar a falar sobre Cidades Inteligentes é Velocidade e Disrupção (rompimento), uma palavra super moderna lembra gente, startup, economia criativa, mas é uma palavra que até pouco tempo na nossa história não era tão bem vista. Eu nasci em, 1984, e um fato importante é como o mundo está se movendo com mais velocidade, e que incomoda muita gente, porém principalmente a geração X. Mas antes de entrar no tema específico, eu queria convida-lo para uma viagem muito rápida.

Imagina se pudéssemos ouvir o nosso planeta respirar e crescer. A terra tem 4,5 bilhões de anos, e demorou 1 bilhão de anos, (eu não consigo imaginar o que é 1 bilhão de reais imagina 1 bilhão de anos) pra ter a primeira forma de vida na Terra. Depois mais 3.3 bilhões de anos para nós seres humanos começarmos a nos desenvolvermos na terra, ou seja, nós estamos aqui há mais de 200.000 anos, cerca de (0.005%) do tempo da terra. Se houve uma grande disrupcão na terra, uma grande ruptura, essa fomos nós. Nós somos a verdadeira disrupcão na terra. 

E não é só isso, nos últimos 100 anos, adicionamos quase 6 bilhões de pessoas na terra, em números pequenos, 153.000 pessoas nasceram por dia.

E claro, isso traz um problema sério para o nosso modo de vida, nosso dia a dia. Nos últimos 100 anos tudo mudou muito, o mundo começou a se tornar mais e mais urbano e previsões da ONU/OCDE, que em 2050 cerca de 65% da população estará vivendo em cidades. No BR é apontando uma taxa de 92% da população que estará vivendo em cidades. Uma migração urbana diária de 380.000 pessoas, saindo da suas cidades do interior para as grandes capitais. O Brasil já está muito urbano, indícios disso são os problemas de mobilidade. Mas por exemplo na Índia, a taxa de urbanização é de apenas 39%, e nos próximos 30 anos, 300 milhões de pessoas vão migrar do interior da Índia para as grandes cidades.

Pra ficar fácil de entender isso, de novo um número pequeno. Lagos na Nigéria em 2015 recebeu 85 pessoas por dia. Já em São Paulo 18 pessoas chegaram por dia. Em 2018. 

Todo esse fluxo de pessoas acaba agravando muitos problemas que ja existem nas cidades e as soluções para esses problemas já nascem pagas por si só. Nos Estados Unidos estima-se que o gasto, a perda, jogamos fora USD 121 bilhões de dólares por ano com trânsito. Em SP são cerca de R$ 50 bilhões por ano. 

Indo para um número um pouquinho pior, uma pesquisa no passado revelou que aproximadamente 95% da população mundial, ou seja, 7 bilhões de pessoas tem pelo menos 1 tipo de doença. Uma criança morre no mundo a cada 5 segundos. Segundo a Unesco em 2018 cerca de 263 milhões de crianças estavam fora da escola. As crianças não só estão morrendo, essas crianças não estão se preparando para o futuro. Não da mais pra pensar em resolver esses problemas de forma linear de forma matricial, a nossa matriz está errada, nós teríamos que estar fazendo 100.000 escolas esse ano, nós não temos vontade política, provavelmente não temos dinheiro direcionado pra isso. Precisamos mudar a maneira como pensamos os formatos do nosso estilo de vida.

E a pergunta é, o que está sendo feito? bem, desde a década de 80 nos Estados Unidos principalmente pelo motivo da migração começou-se a falar de cidades inteligentes, e o conceito de cidades inteligentes vem evoluindo com todo esse processo de disrupção (globalização acelerada). Então nos últimos 30 anos um conceito que era simplesmente tecnológico, passa ter outras variáveis que são fundamentais, não só uma tendência, mas um conceito para colocar em prática. Eu venho estudando cidades inteligentes desde 2016, e sugiro um conceito baseado em pelo menos 3 pilares principais, pra começar a pensar projetos de cidades inteligentes.

#1 - é sim tecnologia, não apenas a tecnologia da informação e comunicação, mas a internet de tudo, que é a evolução da internet das coisas - IoT, que está sendo começado a falar agora. 

#2 - os projetos precisam ser orientados para o cidadão, na década de 80 era tecnologia por tecnologia, hoje a gente tem que resolver o problema que o cidadão tem aplicando a tecnologia.

#3 - precisa focar em melhorar a qualidade de vida das pessoas, e aí todos esses três pilares de cidades inteligentes tem que ser hoje considerados sobre duas subjetivas, as novas economias (criativa, compartilhada, circular), e é preciso trazer a resiliência para cidade.

Lembre-se, o problema de migração não só cidades grandes estão sofrendo com os problemas, mas nos Estados Unidos e na Europa já tem cidades fantasmas. A cidade inteligente pode ser aplicada em todas as cidades, um exemplo é uma cidade na Itália com apenas 4.000 habitantes que está implementando soluções de cidades inteligentes, os chamados Smart Villages, conceito oriundo da Índia em 2014.

E a pergunta é, porque precisamos delas? nós precisamos de cidades inteligentes? parece que está muito claro todos esses problemas que temos encontrado em torno da migração, mas a grande verdade é que nós precisamos sim de cidades inteligentes, que a disrupcão somos nós. Cidades inteligentes estão sendo desenvolvidas porque a sociedade está ficando mais inteligente, os chamados milleniuns tem uma perspectiva de vida completamente diferente da geração X, eles são conectados, multi-telas, eles querem co-criar nessa nova economia, eles querem economia não só no setor privado, vida profissional, mas na relação e no sentimento de cidadão.

Uma teoria que vem sendo estimulada por especialistas e experts em cidades inteligentes no mundo, estão embasadas em 4 elementos, a qual eu tenho falado em algumas reuniões com prefeitos, de como acelerar o processo de mudança do estilo de vida urbano que nós temos, e começar a repensar as cidades, modelos de gestão compartilhada.

Primeiro: as pessoas não querem uma cidade nova, as pessoas querem uma cidade melhor, toda cidade tem um DNA, você que é de Joinville por exemplo, se identifica não com seu país, mas com sua cidade. A entidade governamental onde nos sentimos cidadão é nossa cidade. Pra isso é preciso definir o DNA da cidade, nós precisamos vender nossa cidade para nosso cidadão e para os investidores que querem vir para nossa cidade. Uma Cidade inteligente é um estilo de vida, é uma percepção, é como "eu preciso perceber que tudo aquilo que está ao meu redor está conspirando pra ter uma qualidade vida melhor".

Segundo, Simplicidade, espere o momento certo de investir em projetos milionários porque provavelmente você não tem dinheiro pra fazer isso, eu ouço prefeitos chamando suas cidades de cidades inteligentes apenas por estarem substituindo parte de iluminação pública por Led e chamando de cidade inteligente, desculpa, isso não é cidade inteligente. Qual problema seu projeto resolve? essa é a questão.

Terceiro, são as Parcerias, precisamos entender que é o conjunto de (stakeholders) dos interessados que fazem a cidade melhor, o governo é importantíssimo como aquele que liga as pontas, mas a cidade inteligente precisa ser feita em conjunto, (academia, universidade, iniciativa privada, poder público e cidadão).

Quarto e último, se fala muito de instrumentos inteligentes pra se fazer cidades inteligentes no mundo que são as PPPs, parceiras público privadas, onde as pessoas precisam ser parte desse objeto de solução para nossas cidades, e essa nova geração, os milleniuns, que em 2020, serão 49% da força de trabalho, dos trabalhadores, esses atores estão prontos para fazer a co-criação. Falando em dois sentidos, primeiro, trazer o cidadão para co-criar e resolver os problemas dele, e segundo o que também tá super em moda é o crowdfunding, porque eu como cidadão não poderia investir em uma empresa que está investindo pra fazer uma cidade melhor, não estou falando em pedir dinheiro não, até porque pagamos os impostos pra isso, mas eu poderia virar sócio, imagina se alguém tivesse nos convidado pra ser sócio do Facebook, do Airbnb ou do Uber, todos eles são soluções urbanas, para problemas urbanos que nós temos.

Trago aqui alguns estudos de casos de cidades inteligentes, que mudaram a perspectiva e podem ser consideradas como tendências:

1 - Caso do Rio de Janeiro nas olimpíadas, onde a IBM foi pro Rio de Janeiro dizendo “vamos fazer o estado da arte, criar o maior e mais moderno centro de operações e controle do mundo”, bacana, em cinco meses a IBM levantou uma estrutura no Rio de Janeiro, foi o projeto mais rápido da IBM no mundo, e na hora de ligar o botão pra funcionar, dizendo "agora vamos controlar o trânsito porque vai ter evento", quantas câmeras você tem, 800, e aí Rio você está de brincadeira né, Londres tem 16.000 câmeras, moscou tem 140.000 câmeras, como é que vou fazer cidade inteligente com 800 câmeras? só para duplicar, para colocar 1600 câmeras já custaria mais caro do que o Centro de Operações e Controle. Bem, então o CDO do Rio de Janeiro pegou um avião foi pra São Francisco/CA conversar com uma empresa que tava indo para o IPO em 2016, a Waze, uma startup israelense baseada no Vale do Silício e disse, “nós temos 1 milhão de usuários no Rio de Janeiro, vem pro Rio, abre dados com a gente, e vamos criar uma plataforma onde usamos as informações pra gerar informação de inteligência pra cidade”, então o Waze foi, no ganha ganha, Waze não pagou nada o Rio não pagou nada, o Waze conseguiu criar um algoritmo de todas as informações enviadas pelos motoristas de acidentes enviando direto para o centro de operações do Rio e do dia pra noite passou de 800 câmeras para 1.000.000 de usuários co-criando o processo de fazer cidade inteligente. 

2 - Moscou, nós temos aquela visão de burocracia de comunismo etc, porém em 2016 Moscou foi escolhida como a segunda cidade mais orientada a dados do mundo, tudo em Moscou hoje é digital, por exemplo se quero marcar uma consulta com meu médico, imagine tenho o meu médico, o sistema utiliza todas as bases de informação de saúde de Moscou que tem mais de 12 milhões de habitantes e mais 8 milhões que comutam, portanto, se você quiser fazer a consulta com seu médico no seu centro de saúde só daqui a 2 meses tem vaga, agora, se você quiser fazer daqui a 2h00, a cerca de dois bairros a diante tem tempo livre, lá tem um posto de saúde com horário livre. Bem, está tudo aí, não precisa reinventar a roda, os dados já estão disponíveis, estão abertos, já estão sendo captados, basta conecta-los de forma inteligente.

3 - Washington: Criou um programa chamado Grade.DC, fez um tipo de uberização com o serviço público, de forma com que o tomador do serviço avalie a prestação do serviço. O programa permite que você envie comentários sobre certas agências do distrito e veja como os residentes do distrito classificaram essas agências. O objetivo é ajudá-lo (cidadão) a envolver-se melhor com seu governo e ajudar as agências governamentais a melhorar a qualidade de seus serviços. 

4 - Chicago lançou a plataforma OpenGrid para democratizar dados abertos, uma aplicação baseada em mapas interativos que fornecem uma maneira de compreender visualmente dados complexos do município e mais facilmente usar esses dados para se envolver com o ritmo e fluxo de sua cidade. Chicago declarou especificamente que o OpenGrid seria "o primeiro sistema de consciência situacional de fonte aberta que outros municípios podem usar e construir novas aplicações”. 

5 - O DubaiNow é uma aplicação de serviços governamentais unificada que oferece mais de 50 serviços inteligentes de 22 entidades governamentais. O aplicativo visa permitir que os cidadãos transitem com os serviços governamentais através de uma única plataforma, em vez de alternar e fazer login em vários aplicativos governamentais. Alguns dos serviços incluem o pagamento de utilidades e contas, informações de tráfego em tempo real, planejamento de rotas de transporte com base nas condições de tráfego e envio de comentários e queixas aos departamentos governamentais. Os pagamentos móveis são feitos através do sistema mPay do governo, que registrou um aumento de USD 416 milhões nas transações em 2014, um aumento de 418% em relação ao ano anterior. 

6 - Reino Unido: Criou um programa de Financiamento de Infraestrutura comunitária para permitir que organizações pobres urbanas acessem recursos maiores. O programa permitiu que organizações mais pobres tenham acesso a maiores recursos do setor público, privado e da sociedade civil para fornecer moradias adequadas, sustentáveis e serviços básicos para moradores de favelas através de práticas inovadoras e influência nas políticas. 

7 Londres: O London Data Store, foi uma das primeiras plataformas de dados abertas do mundo (2010). Hoje existem mais de 400 App de transporte, mapas interativos, projeções populacionais, demográficas e projetos de planejamento urbano focados para priorizar o transporte público, para resolver os problemas de congestionamento crônico de Londres.

8 - Houston: Houston TranStar é uma parceria exclusiva de representantes da cidade de Houston, Harris County, METRO e TxDOT que compartilham recursos e trocam informações sob o mesmo teto para manter os motoristas informados, estradas limpas e vidas seguras na quarta cidade mais populosa dos Estados Unidos. Para cada US $ 1 gasto no TranStar, a região obtém um benefício de US $ 19,50. Há 21 anos, a TranStar economizou US $ 6 bilhões aos passageiros em atrasos reduzidos e custos de combustível, além da redução da poluição.

Foi com base estudos de casos positivos que criarmos a plataforma chamada #CityOpen. Essa plataforma é justamente um projeto aberto orientado a dados. E um dos módulos é orientada pela população, com o objetivo de acelerarmos a transição do gerencialismo para a governança colaborativa, além de criarmos novos canais de participação bem como melhor a coordenação das atividades internas e externas ao governo como poderosa ferramenta para aumentar a resolutividade das demandas gerando economia de escala. Disponível hoje para os 5.570 municípios do Brasil, e o módulo Governo.

E mais, eu defendo que as cidades são grandes laboratórios pra desenvolver, testar e aperfeiçoar os novos modelos de vida, eu acredito muito nisso e que possamos fazer isso aqui no Brasil começando pela nossa cidade. 

Fonte: LinkedIn