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30 DE ABR DE 2019

COMO CRIAR O FUTURO

Vou trazer aqui algumas ferramentas para vencer no futuro digital. Cada um de nós, utiliza dispositivos digitais. Quantos de vocês têm um smartphone? Todos, eu imagino. Quantos têm um iPad ou tablet? Pense um minuto, todos nós (a grande mai

2050 FUTURO COMO CRIAR O FUTURO ROGER MEDKE · 30 DE ABR DE 2019

Vou trazer aqui algumas ferramentas para vencer no futuro digital. Cada um de nós, utiliza dispositivos digitais. Quantos de vocês têm um smartphone? Todos, eu imagino. Quantos têm um iPad ou tablet? Pense um minuto, todos nós (a grande maioria) tem dispositivos de preços e margens altas. Esses dispositivos têm algoritmos, esses dispositivos são digitalizados. Se você tem um iPhone, por exemplo, ele tem inteligência artificial, assim como outros similares. Mas não é só isso, mais está por vir.

Para criar o futuro, gostaria que pensasse sobre o que está provocando a mudança. Quais são as tendências que existem hoje e quais são os seres humanos que estão criando essa mudança. Essa informação está disponível hoje em ferramentas como o Google, como Facebook, e temos acesso a essa informação de forma barata e simples. Vou tratar aqui sobre quais são essas tendências que podemos dominar, que podemos aprender sobre elas e saber para onde essas tendências estão indo.

Como já comentado em capítulos anteriores, estamos na "era" da inteligência artificial, todo mundo que não a conhece tem medo dela. Mas não precisamos nos preocupar com ela, eu vou explicá-la melhor aqui, e veremos que é simples.

A inteligência artificial é uma coleção de equações matemáticas, mas não se preocupem com isso – nos dias de hoje, todas essas equações estão disponíveis, são transparentes, a maioria delas foi inventada antes do fim do século XIX, e você pode comprá-las, não é uma das coisas que são impossíveis de encontrar. Você já comprou um eletrodoméstico, certo? Agora podemos comprar as ferramentas sob a inteligência artificial, se você não a conhece, aprenda sobre ela. Portanto, não é uma ciência misteriosa, ela está disponível e é por isso que temos mais de 3 mil novas startups todo ano. Elas estão na Índia, elas estão em Israel, elas estão no Vale do Silício, elas estão em Austin, elas estão Seattle, elas estão na Rússia, algumas aqui no Brasil. Essas são as ferramentas da matemática inventadas – acreditem se quiserem – nos séculos XVIII e XIX. Estão disponíveis, você só precisa conhecê-las para comprá-las.

A mudança está em alta velocidade, vou dizer o porquê. Quando construíamos grandes fábricas, fábricas químicas, turbinas, foguetes, trens, caminhões e carros, essa mudança era lenta. Hoje, todas elas usam um software. O software pode ser mudado em menos de seis semanas. Na Amazon, no Facebook, no Google, essas mudanças são feitas diariamente, e se você faz essas mudanças diariamente, você tem uma mudança de alta velocidade. A segunda razão é que a informação, os dados, são totalmente transparentes nos dias de hoje. A transparência dos dados e uma disponibilidade de ferramentas faz com que as pessoas se encontrem e criem novos jogos, novas concorrências, e a velocidade da mudança é muito alta.

Novas tecnologias, algoritmos, dados, agora começam a criar novas formas de produção, novas formas de analisar materiais. Hoje é possível construir um carro com impressão 3D em 18 horas e está feito, não fabricamos a idéia. Temos motores de avião, partes do motor são fabricadas com a impressão 3D. O Instituto de Arquitectura Avanzada de Cataluña (IAAC) foi o responsável pela construção da ponte que liga as margens de um córrego no parque Castilla-La Mancha, em Alcobendas, município de Madri, na Espanha. Inaugurada no dia 14 de dezembro de 2017, a ponte – que só permite a travessia de pedestres – é feita de concreto micro-reforçado e tem exatos 12 metros de comprimento. Seu design, segundo os criadores, reflete a complexidade das formas naturais. Segundo o IAAC, o desenho, feito no computador e executado pela impressora, maximiza o desempenho estrutural, oferece total liberdade de formas e desafia as técnicas tradicionais de construção, além de "otimizar a distribuição de materiais e minimizar a quantidade de resíduos através da reciclagem da matéria-prima”.

Outro exemplo é que, apesar de o resultado final muitas vezes compensar toda a trabalheira, reformar ou construir uma casa não é exatamente a tarefa mais divertida para o dono do imóvel. Afinal, a empreitada costuma levar um bom tempo para ficar pronta e obriga você a morar em outro lugar enquanto tudo é acertado. Uma empresa norte-americana, no entanto, promete resolver de vez esse tipo de problema ao erguer a sua casa em apenas 24 horas. Mas qual o segredo dessa engenhosidade dos tempos modernos? Impressoras 3D, é claro. Imprimir construções desse modo não é exatamente uma novidade, mas o projeto desenvolvido pela APIS Cor se diferencia de outros, tanto pelo tempo de entrega quanto pela forma como o equipamento cria a moradia. Geralmente, as peças impressas são produzidas em uma localidade remota e então enviadas ao terreno para serem devidamente montadas ou encaixadas por lá. Mas, no caso da companhia, sediada em São Francisco, na Califórnia, todo o processo é feito de uma só vez e no próprio canteiro de obras.

Já na cidade de Eindhoven, na Holanda, será executada a primeira de cinco casas planejadas de concreto impressas em 3D. O projeto, chamado “Project Milestone”, é o primeiro do mundo, já que as casas tem o objetivo de serem habitáveis. Assim, as casas devem atender às rígidas normas de construção, bem como o programa de necessidades, conforto, acessibilidade e qualidade. A primeira casa contará somente com o pavimento térreo e deverá estar pronta para ocupação no primeiro semestre de 2019. O projeto será realizado com a parceria entre o município de Eindhoven, a Universidade Tecnológica de Eindhoven, Van Wijnen, o gestor imobiliário Vesteda, a empresa de materiais Saint Gobain-Weber Beamix e a empresa de engenharia Witteveen + Bos. O design das casas é produzido pelo escritório de arquitetura Houben/Van Mierlo, inspirados por pedras em uma paisagem verde. A forma irregular dos edifícios pode ser realizada graças a uma das principais características da impressão 3D: a capacidade de construir praticamente qualquer formato. O design visa um alto nível de qualidade e sustentabilidade, já que economiza material.

Todos esses eventos mudam completamente o status quo atual da indústria de construção civil, e vemos que, com a impressão 3D, a fabricação é mais rápida, e todos esses algoritmos da inteligência artificial estão mudando, inclusive os materiais e a fabricação, revertendo isso a: custo mais baixo, de forma mais rápida, mais leve e mais forte. É imprescindível que estejamos abertos a essas novas tecnologias, porque esses casos são todos reais e já estão acontecendo agora.

Precisamos pensar além do Brasil, nosso mercado é maior do que isso, porque a internet não tem barreiras. Precisamos setar nosso mindset para Global e Exponencial. O smartphone da Apple tem mais de 1,3 bilhões de consumidores hoje. Os Estados Unidos tem apenas 300 milhões de pessoas, e o chineses amam o smartphone da Apple. Nós, no Brasil, podemos criar produtos e serviços que serão usados por pessoas do mundo inteiro. Nós podemos ser disruptores. Muitos de nós não nascemos na era digital, muitos de nós somos de empresas tradicionais. As empresas têm mais vantagens, elas tem dados, elas tem clientes, elas dominam conhecimentos, e se elas se tornarem digitais, vencem. Pessoas digitais não conhecem seus clientes, não conhecem o seu conhecimento de domínio, elas não tem dados, elas pegam os seus dados.

Imagino que você já conheça todas essas empresas: Apple, Amazon, Google, Facebook. Se você olhar abaixo do CEO, quase todas as pessoas importantes vieram das empresas tradicionais, e não das empresas digitais.

Ram Charan, um conceituado consultor de CEOs e de executivos do alto escalão em empresas que vão desde startups até às que figuram na Fortune 500, incluindo GE, DuPont, EDS e Colgate-Palmolive, além de autor de 15 bestsellers com mais de 2 milhões de cópias, também professor da Harvard Business School, considerado um dos maiores experts em negócios e gestão empresarial do mundo. Em um de seus seminários, ele disse: “Se você quiser vencer, não tenha medo do futuro. Crie o futuro”. 

Charan apresenta também oito vetores importantes, que inclusive já citamos aqui, mas vale ressaltar novamente para quem quer entender as mudanças atuais que darão forma às novas oportunidades profissionais do futuro. Para isso, precisamos nos preparar e reprogramar nosso mindset com essas novas tecnologias, para que sejamos disruptores, e não aqueles que sofram com a disrupção. A primeira é a Inteligência Artificial: “Assim como você aprendeu o que é um relatório de lucros e perdas, um balancete, uma campanha de marketing, há jovens que podem usar dados, encontrar padrões e fazer previsões. É algo que está aqui e será muito barato”, garante ele. A solução: estudar sobre o assunto para não ser pego de surpresa. A segunda é que o poder está nas mãos do consumidor. Para demonstrar o poder crescente do consumidor, pergunte-se: “você consegue comparar preços em seu smartphone? Sim. E você pode apertar um botão e comprar algo agora. Sim”. A terceira é a aceleração da mudança: a era da informação exige softwares, e eles podem ser alterados do começo ao fim em apenas seis meses. Amazon, Google e Facebook fazem mudanças diárias. A disponibilidade de dados e um número cada vez maior de ferramentas disponíveis criam novas oportunidades. Adaptar-se ao ritmo acelerado e constante de mudanças será necessário. "Há uma escolha: podemos atacar ou ser atacados”. Hoje é possível projetar carros, casas, pontes, e construí-los com impressoras 3D. “As coisas são mais baratas, mais rápidas, mais leves, mais fortes. Você deve assumir a liderança e ficar à frente da curva.” Caso não tenha os conhecimentos técnicos sobre elas, o conselho é simples: encontre jovens estudantes ou recém-formados que tenham (e eles são muitos), e lhes deem a oportunidade de trabalhar com você. A quinta é que os mercados não tem fronteiras: a mesma base de tantas outras mudanças já mencionadas, a internet, está destruindo os mercados com fronteiras nacionais. “Pense além do Brasil, porque a internet não tem fronteiras, e smartphones também não”. A sexta é economia compartilhada: o conjunto formado pela internet, inteligência artificial e bons algoritmos consegue encontrar um motorista para um usuário de Uber em cerca de um minuto, sem intermediários humanos. Aspectos como esses da economia compartilhada só vão se fortalecer. “Continuem a pensar em ideias e como utilizá-las”. A sétima é que existem fundos disponíveis: startups são cada vez mais atraentes para investidores, “mesmo aquelas que não têm nem receita ainda”. Ele incentiva aqueles que querem empreender a irem em frente, criarem produtos e testarem suas ideias. “O dinheiro está disponível”. Oitava e última é a ascensão das startups: houve quem achasse que startups eram uma tendência de negócios. Charan não era um deles e hoje defende que esse tipo de empresa está aqui para ficar. “Tudo está mais disponível e transparente. Há dez anos, não havia Uber ou AirBnb, essas pessoas não eram ninguém. Mas tinham uma ideia. Deram um jeito de fazê-la, encontrar investidores e hoje está feito.” 

Fonte: LinkedIn