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23 DE DEZ DE 2018

CRIANDO UMA VISÃO

Bem vindo à era das mudanças exponenciais, o melhor momento para estarmos vivendo. Toda esta mudança em curso está alavancando um conjunto recém disponível de externalidades e, como resultado, estão expandindo organizações em uma p

2050 ENSAIO CRIANDO UMA VISÃO ROGER MEDKE · 23 DE DEZ DE 2018

Bem vindo à era das mudanças exponenciais, o melhor momento para estarmos vivendo. Toda esta mudança em curso está alavancando um conjunto recém disponível de externalidades e, como resultado, estão expandindo organizações em uma proporção muitas vezes maior que a de uma empresa típica. Não tenha dúvida, organizações exponenciais não são 10% melhores, elas são 10 vezes melhores, 10 vezes mais rápidas e 10 vezes mais baratas.

Um estudo iniciado em 2015 pelo Centro Global de Transformação de Negócios Digitais (DBT Center), uma iniciativa conjunta da escola de negócios IMD da suíça e da Cisco produziu um relatório muito interessante chamado “Digital Vortex”, em que colocava os setores como bancos e telecomunicação bem próximos ao centro do vórtice. Já as conclusões de um estudo de acompanhamento em junho de 2017, confirmando que o Vortex está realmente acelerando. Ainda na edição de 2017, vemos que a maneira pela qual o Digital Vortex é experimentado varia muito de acordo com a indústria. Essas indústrias no centro do Vortex enfrentam a maior perturbação, enquanto os efeitos ainda são leves nas bordas externas. No DBT Center, os modelos de negócios e as cadeias de valor são digitalizados o máximo possível. A força do vórtice separa as fontes de valor físico e digital, gerando “componentes” que podem ser facilmente combinados para criar novas rupturas e desfocar as linhas entre as indústrias. 

Uma olhada na imagem a direita de 2017 do Vortex mostra que todas as indústrias estão mais próximas do centro do que há dois anos, nenhuma delas teve menos interrupções do que antes. Um pouco de malabarismo aconteceu em termos de posição relativa, mas os cinco setores mais vulneráveis são os mesmos de antes: mídia e entretenimento; produtos e serviços de tecnologia; serviços financeiros; varejo; e telecomunicações. No geral, isso não é surpreendente, porque a maioria das principais ofertas dessas indústrias pode ser digitalizada (como streaming de música ou open banking) e são voltadas para os mercados B2C.

O que isto significa? Quanto mais próximo do epicentro das mudanças, mais suscetíveis os setores estarão da disrupção digital. A leitura atenta do relatório “Digital Vortex”, nos leva a várias reflexões. Uma delas é que a disrupção provocada pela transformação digital afetará de forma mais intensa e bem mais rápido a maioria das empresas, muitas da quais ainda estão relutantes em reconhecer esse cenário. Muitos executivos consideram que como seus setores são retardatários na adoção de novas tecnologias (Late Adopters), estarão a salvo e que essas transformações só virão quando eles já estiverem aposentadas. Ao olharem para seus concorrentes percebem que eles também estão aparentemente estagnados, lhes dando uma falsa sensação de segurança, o que consolida seu pensamento “que essa tal transformação digital não os afetará tão cedo”. Estão errados. O setor hoteleiro já viu que uma startup como a AirBnB pode corroer seu negócio rapidamente. Assim como o Uber que mudou toda uma indústria de táxis que imperava a décadas. Para quem interessar aprofundar no assunto, vale a pena ler o artigo “Here’s Proof Airbnb Is Shaking Up the Global Hospitality Industry”, traduzindo - Aqui está a prova que o AirBnB está agitando a indústria hoteleira global, para ter uma visão mais abrangente deste impacto.

Mas como é a vida no centro do Vortex? Para entender como o Vórtice Digital pode surpreender (e, portanto, requerer um alto nível de agilidade se você quiser sobreviver), vamos ver o que coloca a mídia e o entretenimento à frente da tecnologia para ocupar o primeiro lugar. Praticamente todos os tipos de mídia sofreram grandes rupturas, principalmente nos últimos dois anos. Essas mudanças vêm de desenvolvendo tecnologicamente, mudanças nas preferências dos consumidores e fortes pressões de novos concorrentes no mercado e concorrentes digitalmente ágeis.

A Netflix fornece um bom exemplo de agilidade e disposição digital para ser um autodestrutor no centro do Vortex. Fundada em 1997, não é uma empresa nova, (a MGM tem mais de 90 anos), mas desenvolveu rapidamente seus produtos, serviços e mercados ao longo dos 20 anos de história.

A Netflix começou fornecendo aluguel de DVD, com um modelo de negócio por assinatura que contrastava com outros provedores no momento. A empresa expandiu para o streaming de mídia em 2007, paralelamente à expansão geográfica. Algoritmos sofisticados de recomendação de vídeo ajudam a manter os clientes entretidos como querem estar. A produção de conteúdo foi adicionada em 2013, um sucesso que continua a crescer. Essencialmente, à medida que o Vortex ganha velocidade, o Netflix se mantém à frente, interrompendo-se cada vez mais rápido. A Netflix transformou a maneira como consumimos essas mídias, pense em “compulsão em assistir”, mudando o cenário competitivo no mercado de entretenimento. Na categoria do não esquecemos: lembre-se do Blockbuster vídeo? Eles recusaram uma oferta para comprar a Netflix em 2000.

Bom, a própria pesquisa do IMD, feita com quase 1.000 CEOs das principais empresas do mundo, aponta, na opinião destes CEOs, que pelo menos 4 em cada 10 destas empresas perderão relevância em market share nos próximos 5 anos, em consequência das rupturas causadas pela transformação digital. Vejam bem, apenas cinco anos. Portanto a estratégia de “esperar para ver no que dá” pode ser fatal. 

Eventualmente setores de indústrias inteiras correm o risco de desaparecer. Como ressaltei inicialmente, a transformação digital tem duas características que a distinguem de outras mudanças que ocorrem no passado: a velocidade e amplitude da mudança. Vamos pegar um exemplo que é muito conhecido e usado por imagino todo e qualquer adepto de um smartphone, o WhatsApp que, em poucos anos destruiu o mercado bilionário das mensagens de texto “SMS” das operadoras de telefonia móvel.

O fato do WhatsApp e anteriormente o Skype, não surgiram dentro das operadoras, que se acomodaram em seus modelos de negócio, isto custou as empresas em todo mundo nada mais do que US$ 386 bilhões de dólares. Mas o vórtice tem outras características que não deixam os setores mais distantes confortáveis:

- A medida que um objeto ou setor se aproxima do epicentro a velocidade da mudança aumenta exponencialmente capturada pelo empuxo do epicentro;

- Os movimentos em direção ao epicentro são caóticos, ou seja, um setor mais distante pode, bruscamente, ser sugado diretamente ao epicentro; e

- Objetos ou setores no vórtice podem colidir, desagregar-se e se aglutinarem com outros. A leitura é que setores podem ser desagregados e combinados com outros e criarem novos negócios, diferentes dos atuais.

O mercado, cada vez mais empoderado, é que determina o sucesso dos negócios. Os clientes valorizam custos (pagamento por uso, por exemplo), experiência, como o autoatendimento, automação e personalização, plataformas como marketplaces e modelos de economia compartilhada. Podemos simplificar dizendo que o que puder ser digitalizado o será, o que puder ser compartilhado, o será e o que puder ser feito sem intermediários, o será. Olhar somente para a concorrência não é mais suficiente. A pesquisa do IMD confirma que as maiores fontes de ruptura para as empresas e setores atuais não vem dos seus concorrentes diretos, mas de empresas de outros setores, e principalmente das startups. As startups são ameaças potenciais, são mais ágeis, flexíveis, inovadoras, correm mais riscos e ainda utilizam tecnologias exponenciais. O que não acontece com a maioria das empresas, (pequenas medias e grandes) tradicionais.

Não dá para negociar com a disrupção digital. Ela simplesmente vem e passa por cima de negócios solidamente estabelecidos a décadas. Cinquenta anos atrás o tempo médio de vida das empresas da Fortune 500 era de 75 anos. Hoje, esse tempo baixou para 15 anos e continua caindo. As mudanças estão apenas começando.

Nos próximos dez anos não reconheceremos muitas das empresas atuais e diversas delas simplesmente deixarão de existir. A questão para seus gestores é decidir hoje se querem ser sobreviventes ou não. Decidir daqui a dois ou três anos já será tarde demais. A transformação digital não tem a ver com tecnologia, tem a ver com estratégia e novas maneiras de pensar. Transformar-se para a era digital exige que o negócio atualize sua mentalidade estratégica, muito mais que sua infraestrutura de TI.

Tudo está sendo habilitado pela informação. Um ambiente habilitado pela informação proporciona fundamentalmente oportunidades disruptivas em um curto espaço de tempo. 

Fonte: LinkedIn