11 DE OUT DE 2023
Desafios rumo a indústria do Futuro
Importante resgatarmos as mudanças ocorridas na sociedade principalmente em cada uma das Revoluções, e como podemos nos preparar como sociedade para a próxima, que não será uma Revolução, mas sim uma Evolução.
As revoluções industriais são marcos históricos que moldaram a forma como a indústria e a sociedade funcionam. Até a chegada da Indústria 5.0, da qual nos aproximamos a cada dia, tivemos quatro revoluções industriais principais.
Importante resgatarmos as mudanças ocorridas na sociedade principalmente em cada uma das Revoluções, e como podemos nos preparar como sociedade para a próxima, que não será uma Revolução, mas sim uma Evolução.
Revolução Industrial 1.0 (final do século XVIII): Caracterizada pela mecanização da produção através da invenção da máquina a vapor. Isso levou à transição da produção manual para a produção em massa em fábricas, inaugurando a era industrial.
Revolução Industrial 2.0 (final do século XIX): Marcada pela eletrificação e a introdução de linhas de montagem. Isso permitiu um aumento significativo na produção, eficiência e padronização de produtos.
Revolução Industrial 3.0 (década de 1960 em diante): Também conhecida como a Revolução da Informação, essa fase trouxe a automação industrial e a introdução da eletrônica e da tecnologia da informação nas fábricas. Isso incluiu o uso de computadores para controlar processos industriais.
Revolução Industrial 4.0 (início do século XXI): Esta fase envolveu a convergência de tecnologias como Internet das Coisas (IoT), Inteligência Artificial (IA), Big Data e Computação em Nuvem. A Indústria 4.0 introduziu a conectividade entre máquinas e sistemas e a capacidade de coletar e analisar dados em tempo real para otimizar processos de produção.
Evolução Industrial 5.0 (início do século XXI): Agora, a Indústria 5.0 representa uma nova fase de transformação industrial. Ela coloca um foco ainda maior na integração harmoniosa de humanos e máquinas, reconhecendo que os seres humanos têm habilidades únicas, como criatividade, intuição e tomada de decisões complexas, que são essenciais para o sucesso, não apenas da indústria, mas como sociedade em quanto humanos.
Porém, como sempre costumo trazer em minhas abordagens e palestras quando trago o tema, nunca na história precisou-se entender mais de gente do que agora, e porque, - eu abordo uma passagem bastante interessante em meu livro, onde o Século XX foi centrado na Indústria, mas o Século XXI é focado no ser humano, e eis aqui um dos maiores, se não o maior dos desafios como sociedade que passaremos a enfrentar.
Bem, dito isso, para avançar sobre os paradigmas da Indústria 5.0, será necessário olharmos com muita atenção sob alguns aspectos para construirmos uma base sustentável como sociedade primeiramente, para após o ganho de maturidade sobre tais pontos, avançarmos na jornada 5.0, e vamos a elas:
Educação e Treinamento: Preparar os trabalhadores para colaborar efetivamente com máquinas, desenvolvendo habilidades necessárias para interagir com tecnologias avançadas.
Integração de Dados e Tecnologia: Continuar a melhorar a integração de dados humanos e de máquinas, investindo em tecnologias de IoT, IA, Big Data e cibersegurança para garantir que a coleta e a análise de dados sejam eficazes e seguras.
Padrões e Regulamentações: Desenvolver regulamentos e padrões que garantam a segurança, a privacidade e a ética na Indústria 5.0, promovendo a confiança nas novas tecnologias.
Inovação Contínua: Estimular a inovação para criar novas aplicações e tecnologias que explorem ao máximo a colaboração entre humanos e máquinas, aumentando a eficiência e a criação de valor.
Adoção Empresarial: Encorajar as empresas a adotar abordagens de Indústria 5.0 em suas operações, identificando oportunidades para melhorar a eficiência, a personalização e a satisfação do cliente.
Sustentabilidade: Considerar a sustentabilidade e a responsabilidade social como pilares fundamentais da Indústria 5.0, visando a redução do impacto ambiental e social.
A Indústria 5.0 é a próxima etapa na evolução da indústria após a Indústria 4.0, ou a 4ª Revolução industrial como podemos também chamar. Na estratégia Europeia, o foco europeu é baseado em valores como sustentabilidade ambiental, resiliência das organizações e centrado no ser humano, este último como o principal agente de inovação e transformação nas organizações, pois sem o engajamento de "nós seres humanos" não haverá e nunca houve evolução, por isso o foco no Ser Humano, e por isso a chamada do Século XXI ser Human Centric.
Human Centric, reflete a crescente consciência de que, à medida que avançamos na automação e na digitalização, devemos garantir que as tecnologias sirvam a um propósito mais amplo, que inclui a proteção do meio ambiente, não apenas a flexibilidade mas a agilidade das organizações bem como o desenvolvimento do potencial máximo de nós humanos.
Avançar sobre os paradigmas da Indústria 5.0 requer uma abordagem colaborativa e multidisciplinar, envolvendo governos, indústria, academia e sociedade para aproveitar ao máximo o potencial da Evolução industrial e garantir que ela beneficie a todos como sociedade e ao planeta.
E se olharmos ainda um pouco mais adiante, sobre o aspecto dos Scenarios Futuros, que são drivados pela confluência das tecnologias, teremos no futuro não muito distante um modelo de indústria possivelmente muito diferente do atual, e com essa mudança teremos novamente novos desafios como sociedade, e assim sempre foi, e sempre continuará sendo.
Uma coisa é certa, a indústria do futuro tenderá a ser o que poderíamos chamar de exponencial, como mostro na figura acima, exigindo ainda mais agilidade e flexibilidade das organizações, de acordo com a figura a seguir.
Hoje já é comum ouvirmos o termo XaaS - Everting-as-a-service, tendo em vista ao que se refere a indústria 5.0 "Personalização em massa", e no futuro breve da indústria, o termo será Industry-as-a-service, esse é pra mim um cenário muito claro de onde e para onde miram as mudanças aceleradas pelas novas tecnologias, onde o Driver passa ser "Dados da indústria" + "IA" = "inteligência industrial", o que tende a tornar modelos mais fluidos de produção autônoma, contínua e sustentável.
Os desafios da jornada da indústria 5.0 são Hérculeos, requerendo não apenas recursos financeiros, mas tecnologias, e muito conhecimento colaborativo de todas as grandezas.
Os desafios que a Indústria 5.0 propõe já estão presentes em nossa indústria hoje, e se não começarmos a nos preparar agora, esses desafios apenas se intensificarão. É crucial reconhecer que, apesar das dificuldades, o mundo continua evoluindo rapidamente. Países influentes estão avançando de forma decisiva em direção à Indústria 5.0, a chamada indústria do futuro. Estamos, portanto, diante da questão crítica da sobrevivência das empresas, e não apenas de um desejo de melhorar. O sucesso nesse ambiente em constante mudança depende de nossa capacidade de abraçar a inovação, priorizar a sustentabilidade e fortalecer a colaboração entre humanos e máquinas. O futuro da indústria não é mais uma opção; é uma necessidade urgente para as organizações que desejam se manter relevantes e competitivas.
É notável que, por diversas razões, as Estratégias Nacionais da Indústria 4.0 em muitos países em todo o mundo não tenham progredido conforme o esperado, considerando o texto-base apresentado pelo governo alemão em 2011. Muitos governos ainda não desenvolveram diretrizes e planos de ação para orientar o avanço da Indústria 4.0 em suas economias, por outro lado, os que fizeram, estão na vanguarda.
Bem, as razões para essa estagnação são variadas e podem incluir falta de recursos financeiros, complexidade na adaptação de setores tradicionais, resistência à mudança, questões regulatórias e desafios relacionados à segurança cibernética em alguns casos mais críticos. Além disso, em outros, a conscientização sobre a importância da Indústria 4.0 parece ser limitada, dificultando o avanço dessas estratégias.
Para superar esses obstáculos, os governos e as partes interessadas precisam intensificar seus esforços. Isso envolve o desenvolvimento de políticas e estratégias claras, investimento em pesquisa e desenvolvimento, promoção da educação e treinamento, facilitação do acesso ao financiamento e a criação de ambientes regulatórios favoráveis. A colaboração entre setor público e privado é fundamental para impulsionar a inovação e a adoção de tecnologias da Indústria 4.0.
A Indústria 4.0 não é apenas uma tendência, mas uma realidade que transforma as operações industriais, impulsiona a eficiência e promove a competitividade global, como publiquei no artigo onde falo sobre a Neoindustrialização e "FoF - Fábrica do Futuro". É essencial que os países reconheçam a importância de seguir adiante com essas estratégias e estejam preparados para abraçar as mudanças tecnológicas que estão moldando o futuro das indústrias em todo o mundo.
Diante dos desafios que são claros em nosso ambiental industrial, a chave para o sucesso é a união de políticas públicas robustas que envolvam todos os stakeholders do ecossistema da indústria nacional. A colaboração entre governo, empresas, instituições de pesquisa, associações industriais e a sociedade em geral é fundamental para abordar os obstáculos e aproveitar as oportunidades que a Indústria 4.0 e a Indústria 5.0 oferecem.
Através de debates construtivos e da busca por consensos, podemos desenvolver planos de ação eficazes que incluam medidas para promover a inovação, investir em educação e treinamento, atualizar regulamentações obsoletas e incentivar o empreendedorismo por meio das empresas de base tecnológicas chamadas indtechs - é uma abreviação de "Industrial Technologies" (Tecnologias Industriais), com incentivos e investimentos robustos para desenvolvimento da pesquisa avançada de ponta. O Além disso, é crucial garantir o acesso equitativo às tecnologias e recursos necessários para a transformação industrial, tendo em vista que nossa ineficiência industrial anual deixa de agregar cerca de R$ 700 bilhões ao PIB.
A mudança no patamar de participação da indústria nacional no cenário global depende de um esforço conjunto e coordenado, com a visão de longo prazo de tornar as economias mais competitivas e sustentáveis. As políticas públicas sérias, aliadas à cooperação de todos os atores envolvidos, têm o potencial de impulsionar a inovação, aumentar a produtividade e posicionar a indústria nacional no centro da revolução tecnológica global.
Espero que esse artigo tenha agregado e que chegue aos pensadores influentes para que possamos avançar rumo a singularidade.
Fonte: LinkedIn