26 DE SET DE 2023
Descarbonização da indústria
Descarbonização, ou descarburação , é o processo oposto ao da carburação , nomeadamente a redução de conteúdo de carbono .
O que é Descarbonização?
Descarbonização, ou descarburação, é o processo oposto ao da carburação, nomeadamente a redução de conteúdo de carbono.
O termo é normalmente usado em metalurgia, descrevendo a redução do conteúdo de carbono em metais (geralmente de aço). Descarbonização ocorre quando o metal é aquecido a temperaturas de 700 °C ou acima, quando o carbono no metal reage com os gases contendo oxigênio ou hidrogênio. A remoção de carbono remove fases de carboneto duro, resultando em um amolecimento do metal, principalmente em superfícies que estão em contato com o gás decarbonizado.
Descarbonização pode ser vantajosa ou prejudicial, dependendo da aplicação para a qual o metal vai ser usado. Ela é, portanto, algo que pode ser feito intencionalmente, como um passo em um processo de fabricação, ou de algo que acontece como um efeito colateral de um processo (tais como o rolamento) e deve ser evitado ou mais tarde invertido (como através de um passo a carburação).
O mecanismo de descarbonização pode ser descrito como três eventos distintos: a reação na superfície do aço, a difusão intersticial de átomos de carbono e a dissolução dos carbonetos no aço.
No mundo e na Indústria
A matriz energética global está iniciou a passagem para uma transição que está em andamento. Indústrias no mundo todo começam a estruturar a substituir os combustíveis fósseis por combustíveis renováveis, em um processo conhecido como a descarbonização da indústria.
Diretamente relacionada à economia de baixo carbono, a descarbonização depende de ações concretas que garantem aumento da eficiência energética.
Dependem também da conscientização da sociedade, redução de gastos e incentivo à economia circular.
Mas, para descarbonizar a indústria, há a necessidade de colocar em prática alguns passos e práticas que contribuem com todo o processo e tornam a matriz energética mais limpa.
Acelerar a transição para um cenário neutro em carbono, por meio da otimização do consumo de energia e de soluções mais eficientes e sustentáveis, é o propósito de muitas empresas do segmento industrial.
Muitas dessas empresas veem um grande potencial de descarbonização de seus processos. Para isso, investem no uso de fontes consolidadas de energias renováveis e na busca por maior eficiência energética no processo produtivo.
A descarbonização da indústria na Prática
Para Fabio Kuryuama, supervisor de Qualidade da GEMÜ do Brasil, a descarbonização industrial consiste na redução a níveis próximos de zero de emissões de CO2 nos processos de fabricação das empresas.
“Estas emissões normalmente estão associadas ao consumo de combustíveis fósseis e de energia não renovável em processos da indústria, portanto devem ser reduzidas”, indica.
Dessa forma, a descarbonização exige da indústria que ela passe por um processo de transição da sua matriz energética, ou seja, realizar uma mudança estrutural que elimine o carbono da geração de energia.
Os Pilares da transição energética da indústria
A indústria mundial sempre desempenhou um papel relevante no desenvolvimento das economias.
Mas, para manter esse status, é essencial ampliar os investimentos em tecnologias limpas, criar soluções voltadas à consolidação de uma economia de baixo carbono e investir em tecnologias.
Para ser mais assertivo no processo de descarbonização, a indústria tem um amplo leque de opções. Elas se baseiam em 4 pilares bastante claros:
Transição energética;
Mercado de carbono;
Economia circular; e
Conservação florestal.
Tomando como base estes pilares, é preciso que cada indústria aumente a sua competitividade, com a adoção de uma política industrial moderna, que estimule a inovação e a produção de tecnologias socioambientais.
Como se preparar para uma transição energética?
Como ressaltado anteriormente, a transição energética é um dos pilares da descarbonização da indústria.
Mas você sabe como a indústria deve se preparar para conduzir sua transição para uma economia de baixo carbono?
Kuryuama ressalta que essa preparação depende de algumas práticas bastante importantes, que são:
Realizar um inventário das emissões de GEE
Inicialmente, o supervisor salienta que a indústria deve realizar um inventário das emissões de GEE (Gases do Efeito Estufa). “Essa prática é essencial para que a indústria compreenda quais são os principais vilões, em termos de emissão de CO2, dentro dos processos fabris”.
Para esse inventário, Kuryuama diz que é necessário definir a metodologia e os escopos abrangidos, o qual dependerá das informações que a empresa conseguirá levantar.
“Mesmo fundamental, essa é uma das etapas mais complicadas, considerando que dificilmente as empresas possuem todos os dados necessários disponíveis.”
Caso a empresa não possua as informações básicas, como por exemplo, o Escopo 1 e 2 do Protocolo GHC, o ideal é iniciar a preparação de registros para obtenção dos dados de um determinado período.
“Input” do inventário
Após a obtenção desses dados, as informações devem servir de “input” para o inventário, que normalmente é realizado por uma empresa especializada através de consultoria ou plataformas digitais.
Analisar o resultado do inventário
O próximo passo é analisar o resultado do inventário.
“Nessa etapa, são verificadas as principais fontes de emissão de CO2, e em seguida pesquisar as alternativas disponíveis no mercado para redução ou anulação da emissão para cada fonte crítica.”
Definição de um plano de adequação
Tendo os dados em mãos, é possível planejar e estabelecer um plano de adequação com metas para redução dessas emissões ano a ano.
“A indústria deve definir um plano para adequação e substituição para a alternativa sustentável escolhida, com foco na redução das emissões para o próximo inventário de GEE”, complementa Kuryuama.
E sucessivamente, ano a ano, a indústria vai se descarbonizando até chegar a emissão zero carbono, ou próximo de zero.
“Até que isso não aconteça, as empresas podem também fazer a compensação das emissões através da aquisição e aposento de créditos de carbono.”
Tecnologia é essencial para a descarbonização da indústria
Adotar estratégias para implementar a descarbonização da indústria em larga escala é extremamente importante.
Neste cenário, Kuryuama salienta que o uso da tecnologia é uma excelente oportunidade para remodelar o mercado e reduzir os impactos ambientais relacionados aos processos industriais.
“A tecnologia é de extrema importância no processo de descarbonização industrial. Nossas máquinas e equipamentos estão evoluindo e estão cada vez mais eficientes e menos poluentes, ou seja, produzem mais com menos, em relação aos equipamentos mais antigos.”
A tecnologia também vem proporcionando formas de geração de energia através de fontes renováveis. E atualmente já é possível até mesmo a obtenção de energia “verde” certificada, de emissão zero carbono.
Por fim, as inovações tecnológicas estão em constante avanço, assim a tendência é que muitas tecnologias sejam desenvolvidas e adotadas com foco em ampliar o processo de descarbonização nas indústrias.
A descarbonização da indústria
A descarbonização da indústria é um processo fundamental para combater as mudanças climáticas e reduzir as emissões de gases de efeito estufa. Ela envolve a transição da indústria para fontes de energia mais limpas e a adoção de práticas sustentáveis. Abaixo, estão algumas das principais práticas para a descarbonização da indústria:
Eficiência Energética: Melhorar a eficiência energética é uma das maneiras mais eficazes de reduzir as emissões de carbono na indústria. Isso inclui a otimização de processos, a atualização de equipamentos obsoletos e o uso de tecnologias mais eficientes em termos energéticos.
Fontes de Energia Renovável: A transição para fontes de energia renovável, como solar, eólica e biomassa, é fundamental. Isso pode envolver a instalação de painéis solares, turbinas eólicas ou a produção de energia a partir de resíduos orgânicos.
Captura e Armazenamento de Carbono (CAC): O CAC envolve a captura das emissões de dióxido de carbono (CO2) antes que elas atinjam a atmosfera e seu armazenamento seguro. Isso é especialmente relevante para indústrias intensivas em carbono, como a produção de cimento e a geração de energia a partir de combustíveis fósseis.
Eletrificação: Substituir processos que dependem de combustíveis fósseis por eletricidade pode reduzir significativamente as emissões. Isso inclui a eletrificação de frotas de veículos industriais e a substituição de fornos a gás por fornos elétricos.
Economia Circular: Adotar uma abordagem de economia circular, que visa minimizar o desperdício e maximizar o reuso e a reciclagem de materiais, pode reduzir as emissões associadas à extração e produção de recursos.
Materiais Sustentáveis: Utilizar materiais mais sustentáveis e de baixa emissão de carbono em processos de fabricação pode ter um impacto significativo na pegada de carbono da indústria.
Transporte Sustentável: Implementar práticas de transporte sustentável, como a utilização de veículos elétricos ou a otimização de rotas de entrega, pode reduzir as emissões associadas à logística industrial.
Monitoramento e Gestão de Emissões: É essencial monitorar as emissões de carbono da indústria e implementar sistemas de gestão que permitam reduzi-las de maneira eficaz.
Inovação Tecnológica: Investir em pesquisa e desenvolvimento de tecnologias limpas e inovadoras é crucial para a descarbonização da indústria.
Certificações e Normas Ambientais: A obtenção de certificações ambientais e o cumprimento de normas rigorosas podem incentivar as empresas a adotarem práticas mais sustentáveis.
Educação e Sensibilização: Envolver funcionários e stakeholders na compreensão dos desafios e oportunidades da descarbonização é importante para o sucesso das iniciativas.
Parcerias e Colaborações: Colaborar com outras empresas, organizações e governos pode acelerar o progresso em direção à descarbonização, compartilhando conhecimento e recursos.
A descarbonização da indústria é um desafio complexo, mas é crucial para mitigar os impactos das mudanças climáticas. As práticas mencionadas acima podem ser adaptadas às necessidades específicas de cada indústria e podem ser implementadas de forma gradual para alcançar metas de redução de emissões.
A descarbonização no setor elétrico
A descarbonização no setor elétrico tem um impacto significativo nas emissões globais de gases de efeito estufa e desempenha um papel crucial na transição para uma economia de baixo carbono. Aqui estão alguns dos principais impactos e investimentos globais relacionados à descarbonização no setor elétrico:
Impactos da Descarbonização no Setor Elétrico:
Redução de Emissões: A descarbonização do setor elétrico, por meio da transição de fontes de energia fósseis para fontes renováveis, como solar e eólica, leva a uma significativa redução nas emissões de CO2. Isso é fundamental para alcançar as metas de redução de emissões estabelecidas nos acordos internacionais, como o Acordo de Paris.
Melhoria da Qualidade do Ar: A substituição de usinas de energia movidas a carvão ou outros combustíveis fósseis por fontes mais limpas melhora a qualidade do ar, reduzindo a poluição do ar local e os problemas de saúde associados.
Resiliência do Sistema Elétrico: A diversificação da matriz energética com fontes renováveis torna o sistema elétrico mais resiliente a choques no fornecimento de combustíveis fósseis e eventos climáticos extremos.
Criação de Empregos: A expansão das energias renováveis e da infraestrutura elétrica limpa cria empregos no setor de energia, desde a fabricação e instalação de painéis solares e turbinas eólicas até o gerenciamento de redes inteligentes.
Estabilidade de Preços: A energia renovável muitas vezes tem custos operacionais mais baixos do que as fontes de energia fóssil, contribuindo para uma maior estabilidade nos preços da eletricidade.
Investimentos Globais na Descarbonização do Setor Elétrico:
Energia Renovável: Houve um aumento significativo nos investimentos globais em energia renovável, incluindo solar, eólica, hidrelétrica e outras fontes. Países, empresas e investidores estão alocando capital substancial para expandir a capacidade de geração de energia limpa.
Armazenamento de Energia: O armazenamento de energia desempenha um papel vital na integração de fontes intermitentes, como solar e eólica, na rede elétrica. Investimentos em tecnologias de armazenamento, como baterias, estão em crescimento.
Eletrificação de Transporte: A eletrificação dos transportes, incluindo veículos elétricos, requer investimentos em infraestrutura de recarga e no aumento da capacidade de geração de eletricidade limpa para atender à demanda crescente.
Modernização da Infraestrutura: Investimentos em redes elétricas inteligentes e infraestrutura de transmissão e distribuição são necessários para acomodar a crescente participação de fontes de energia renovável e melhorar a eficiência do sistema.
Pesquisa e Desenvolvimento: Investimentos em pesquisa e desenvolvimento são cruciais para impulsionar inovações em tecnologias de energia limpa, como células solares mais eficientes, turbinas eólicas avançadas e métodos de armazenamento de energia mais econômicos.
Políticas e Regulações: Os governos desempenham um papel fundamental ao criar políticas e regulamentações que incentivem os investimentos em descarbonização. Isso pode incluir incentivos fiscais, metas de energia renovável e limites de emissões.
Os investimentos globais na descarbonização do setor elétrico continuam a crescer à medida que os governos, empresas e investidores reconhecem a importância de uma transição para uma matriz energética mais limpa e sustentável. Essa transição desempenha um papel crucial na luta contra as mudanças climáticas e na construção de um futuro mais sustentável.