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28 DE JAN DE 2020

DESENVOLVENDO UM MINDSET EXPONENCIAL

O pensamento linear não serve para o futuro que nos aguarda. Como seres humanos, evoluímos ao longo dos últimos 200 mil anos em um ambiente linear e local. Peter Diamandis, no livro “Abundância” (2012), diz que a única coisa que afetav

2050 FUTURO DESENVOLVENDO UM MINDSETEXPONENCIAL ROGER MEDKE · 28 DE JAN DE 2020

O pensamento linear não serve para o futuro que nos aguarda. Como seres humanos, evoluímos ao longo dos últimos 200 mil anos em um ambiente linear e local. Peter Diamandis, no livro “Abundância” (2012), diz que a única coisa que afetava um ser humano das planícies da África era o que estava por vir em um dia de caminhada e de caça. Se algo estivesse acontecendo no outro lado do planeta, ninguém saberia.

A vida foi linear para nossos bisavós, avós e pais. Hoje, vivemos em um mundo que é exponencial e global. Se algo acontece na China ou na Síria, isso nos afeta aqui no Brasil, literalmente, minutos depois, seja nos preços das ações, nas notícias, nos temores, no que for. Hoje, encontramos um computador quatro vezes mais rápido pelo mesmo preço cobrado um ano atrás. Vivemos em tempos empolgantes, mas turbulentos e indecisos, onde a única coisa que sabemos ao certo é que as coisas estão mudando mais rápido a cada dia, provocadas por duas forças que estão causando esse ritmo acelerado de mudanças, as tecnologias exponenciais e o poder da rede – comunidades e crowdsourcing.

As tecnologias exponenciais dobram de poder a cada 12 a 18 meses, obedecendo a Lei de Moore. Computadores, inteligência artificial, robótica, impressão 3D, biologia sintética e a medicina digital, combinadas com o poder da rede, da coleta de dados, das comunidades, do financiamento coletivo e da criatividade coletiva, estão transformando todas as indústrias que conhecemos. A Kodak por exemplo ignorou a tecnologia exponencial, e a história final todos já conhecem.

Por mais que pareça difícil, é possível criarmos um mindset exponencial e, ao falar sobre esse tema, Mark Bonchek afirma que, enquanto o pensamento incremental se concentra em fazer algo melhor, o exponencial busca dez vezes mais.

No século passado, os modelos de negócios baseados na revolução industrial eram definidos pelo uso das máquinas para criar retornos crescentes de escala, porém, os modelos de negócios digitais usam efeitos de rede para criar o que Ray Kurzweil, inventor e futurista americano, descreve como acelerar rendimentos de escala, não sendo a tecnologia digital o que define os modelos de negócios digitais, mas sim a sua capa- cidade de criar valor exponencial. Ou seja, as indústrias da música e do vídeo não foram redefinidas com a conversão do analógico para formatos digitais, mas para criar valor exponencial.

Para Bonchek, a mentalidade exponencial pode gerar novas for- mas de pensar sobre marketing, cultura e estratégia. Vamos entender e acompanhar como isso seria na prática no desenvolvimento de um negócio, desde o seu lançamento, a construção e o crescimento. 

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Fonte: Adaptado de Mark Bonchek 

Na verdade, a maior parte do progresso acontece uma vez que a curva começa a dobrar, porém há um problema aparente neste gráfico porque a linha da mentalidade incremental acontece de forma linear, e o pensamento exponencial cria o efeito exponencial da linha.

Na fase do lançamento de um negócio, a equipe está focada em desenvolver e aperfeiçoar o seu modelo. Podemos usar o exemplo do MVP como sendo essa etapa, onde fazer validações, testes e interações ou até o pivotamento da ideia original. Porém, segundo Bonchek, nessa fase você já precisa saber se pensa de forma incremental ou exponencial. Se você estiver desenhando uma linha reta partindo do presente para o futuro, você tem um mindset incremental, ou seja, você tem um bom plano de negócios, porém “incremental”, que dá uma visão de como chegar do ponto A (presente) ao ponto B (futuro). Acontece que os modelos exponenciais não são linhas retas, eles são como uma curva na estrada que impede você de ver o que vem mais na frente. Eu uso esse exemplo realizando um estudo de viabilidade financeira, criando cenários futuros e gerando gráficos, e de acordo com os inputs iniciais alimentados na tabela a curva do gráfico se assemelha a de Bonchek.

Se o Google não tivesse tido uma mentalidade exponencial, jamais teria criado uma visão tão ambiciosa de como “organizar toda a informação que existe no mundo”; o Facebook nunca teria tido a ousadia de “tornar o mundo mais aberto e conectado”; e o AirBnb jamais teria “criado uma disruptura na hotelaria, conectando pessoas ao redor do mundo”.

O que motiva a mentalidade exponencial dessas companhias é o seu propósito, é ele quem atrai profissionais em multidão para atuar como ingredientes dessa força exponencial. Simon Sinek trás esse conceito ao denominá-lo como PTM - Propósito Transformador Massivo, que vem substituir a antiga missão e visão das empresas, que por muitas vezes, estão estampadas em murais de recados das empresas nas quais muitas vezes nem nos damos conta e nem sabemos qual é o da nossa empresa. Agora, o PTM acaba se tornando o Driver dessas empresas.

Do ponto de vista de Sinek combinado com os Drivers de mui- tas das gigantes digitais e das startups, é possível ver que todas tem seus PTMs. Ter um PTM me parece ser um primeiro passo a ser dado ao lançar a visão e estratégia para a transformação digital, ou até mesmo na criação de um negócio novo, buscando responder o porquê de fazer esse trabalho e porque a organização existe. Vejamos alguns exemplos de PTM que movem algumas empresas:

• TED: “Ideias que merecem ser compartilhadas”. 

• X Prize Foundation: “Promover avanços radicais para o benefício da humanidade”.

• Quirky: “Tornar a invenção acessível”.

• Singularity University: “Impactar positivamente um bilhão de pessoas”.

• Tesla:”Acelerar a transição para o transporte sustentável”.

• Hampton Creek: “Coma carne e salve o planeta”.

Existem muitas empresas que foram capazes de atravessar os desafios da fase de lançamento com uma mentalidade exponencial. Elas realmente conseguiram gerenciar a sua incerteza e começaram a sua jornada, apesar de não visualizarem o que vinha depois da curva.

Para Bonchek, o que pode ser um fator de motivação é o receio às disrupturas. Porém, nessa segunda fase, ele alerta que a coisa pode desandar. Dê uma olhada novamente no gráfico, na primeira parte, fase da construção, não vemos muita mudança, até chegarmos à segunda parte, quando a linha começa a dobrar. Isso é simplesmente a natureza da mudança exponencial se manifestando. As coisas acontecem muito lentamente antes que elas aconteçam muito rapidamente, o fenômeno é exponencial e não linear. No entanto, o problema para Bonchek é que fomos criados com uma mentalidade incremental.

Peter Diamandis usou o que Albert Bartlett disse – “a maior deficiência da raça humana é a sua incapacidade de compreender a função exponencial” – ampliando o entendimento de que nossa mentalidade em relação a medir o progresso incremental seja linear. Comparando aos 30 passos que usei para ilustrar a diferença do pensamento linear e exponencial, e aos 30 passos lineares, é como considerarmos que 30% do tempo se passou assumindo termos caminhado 30%, no entanto, no modelo exponencial não funciona dessa maneira.

As empresas incorrem em um “gap das expectativas”, onde a estratégia exponencial é o maior risco da mentalidade incremental. É lá onde muitas empresas abandonam o modelo exponencial de volta para o incremental.

Em sua jornada exponencial, preste atenção quando as pessoas ficarem impacientes por resultados. Esse é o ponto no gráfico onde há a maior diferença entre as trajetórias incrementais e exponenciais. Este “gap” representa um risco para a estratégia de qualquer negócio, porque a impaciência pode ser usada por adversários ou pessimistas para convencer você e os demais stakeholders a abandonarem a mentalidade exponencial para voltar ao incremental, portanto, a mentalidade exponencial ajuda você a ter a coragem de perseverar e a paciência para prosseguir.

Na terceira fase, você conseguiu gerenciar a incerteza da fase inicial, a impaciência da fase intermediária, agora segue firme na curva. O crescimento nessa fase acontece mais rápido do que podemos esperar. Neste ponto, a mentalidade incremental tenta manter as coisas sob controle, o que é um erro e, para dar uma base sustentável aos retornos da aceleração de Raymond Kurzweil, é preciso mudar a mentalidade sobre como mobilizar e gerenciar os recursos. Isso significa que a mentalidade incremental costuma assumir que é preciso mais “inputs” para produzir mais “outputs”. À medida que o crescimento começa a acelerar, as equipes começam a procurar mais recursos na proporção do crescimento, só que colocar no processo mais pessoas ou recursos em excesso pode atrapalhar o motor do crescimento. É aqui que precisamos de uma mentalidade exponencial para descobrir como 1x de input adicional pode criar 10x de output adicional. A aplicação dessa mentalidade exponencial ajuda você a gerenciar os recursos que já tem. Já a gestão pela mentalidade incremental cria uma fila de dominós, onde tudo precisa estar coordenado e supervisionado para que a empresa possa progredir um passo de cada vez. Ao contrário do dominó, a mentalidade exponencial é como as coisas acontecem em paralelo e focadas nas interações entre os participantes, é onde entra o poder da rede – Lei de Metcalfe.

Bonchek acredita que há uma maneira de seguir a jornada sem perder o controle. Na mentalidade exponencial, os gestores substituem o controle de pessoas pelo controle de princípios. Isso ajuda a orientar a tomada de decisão, cria alinhamento, consistência e capacitação. A mentalidade exponencial ajuda a crescer o “output” mais rápido do que o “input”, e capacita as equipes a alcançarem tanto o alinhamento quanto a autonomia.

Mas a maioria dos líderes está acostumada a tomar decisões em vez de capacitar decisões. A ansiedade pela perda do controle pode facilmente tirar as empresas da sua trajetória exponencial de volta para o caminho incremental.

Portanto, no início, é preciso visão e um salto de confiança para se comprometer com o desconhecido, unindo coragem e paciência para construir a base para o crescimento, mesmo quando os resultados ainda não são tão aparentes e quando chega a fase do crescimento, é preciso agilidade para capacitar equipes e prosseguir a trajetória sem perder o controle. 

Em todas as fases, o desafio é abraçar o desconhecido e desaprender as formas tradicionais de pensar da mentalidade da revolução industrial. Apenas com uma mudança da mentalidade incremental para a exponencial vem a oportunidade para a verdadeira inovação. 

Fonte: LinkedIn