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4 DE DEZ DE 2018

ENTENDER A TRANSFORMAÇÃO DIGITAL

Eu gostaria de dividir com vocês uma interessante transformação que está em curso e que mudará radicalmente o mundo, alias, já estamos sentindo os efeitos dessas mudanças. Praticamente todos os setores sofrerão disrupções.

2050 ENSAIO ENTENDER A TRANSFORMAÇÃODIGITAL ROGER MEDKE · 4 DE DEZ DE 2018

Eu gostaria de dividir com vocês uma interessante transformação que está em curso e que mudará radicalmente o mundo, alias, já estamos sentindo os efeitos dessas mudanças. Praticamente todos os setores sofrerão disrupções.

Não é somente uma mudança tecnológica, mas é principalmente uma mudança de mindset. Precisamos entender que a mudança do nosso Mindset é extremamente importante para entender esse novo século e como ele vem se moldando, e para acompanharmos essa evolução, temos que mudar nossa maneira de pensar de local e linear para EXPONENCIAL e GLOBAL. 

A transformação digital é um processo em que as novas organizações, e até mesmo as já estabelecidas, deverão ser submetidas, desafiando e melhorando o seu modelo de negócio atual e encontrando novos paradigmas. Não se trata somente de interligar os clientes e o seu negócio, mas também utilizar informação das “coisas” (things – dispositivos, sensores, etc.) em seu benefício, melhorando a fórmula das suas receitas (incluindo serviço, personalização e inteligência) e obtendo uma maior eficiência operacional.

Este artigo irá estabelecer rapidamente um amplo entendimento e uma estrutura para a definição de um programa de transformação digital bem-sucedido para acompanhar essa evolução.

Quero poder com essa serie de artigos ajudar e você evoluir para extrair o máximo valor das novas tecnologias exponenciais e dos novos modelos de negócios, fazendo com que seja possível que você adquira habilidades para elaborar um roteiro para sua estratégia digital, e passando a coloca-la em prática em seu negócio, empresa ou até mesmo incentivando-o a empreender e criar seu próprio negócio. 

Bem, para isso necessitamos falar sobre INOVAÇÃO DISRUPTIVA, mas o que é inovação disruptiva? Bem, I.D. (inovação disruptiva), introduzem novos benefícios ao mercado, com maior simplicidade e conveniência de uso, e também menor custo. Estas inovações colidem diretamente com os produtos e serviços existentes, pois a maioria das empresas não está preparada para enfrentar modelos de negócio diferentes do que consolidou ao longo de décadas de sucesso. Além disso, por estarem engessadas em seus modelos mentais e presas aos processos que a levaram a essas posições sólidas, custam a perceber a mudança no mercado, subestimando as inovações disruptivas. As I.D. ilegais, simplesmente não são regulamentadas, exatamente por serem disruptivas. A maioria das empresas estabelecidas tentará se proteger buscando solução na legislação vigente. 

Bem, mas o que está acontecendo com o mundo que conhecemos, onde tudo parece estar de cabeça para baixo. Bom, aqui trado alguns estudos de casos:

1 - Em menos de 3 anos o UBER mudou a matriz de mobilidade urbana no mundo. Foi um movimento rápido e transformador. Mudou hábitos e conquistou um grande número de usuários. No início de 2016, valia mais de 60 bilhões de dólares, valor maior que a da veterana GM. Em outubro de 2018, a Uber Technologies Inc. foi informada pelos bancos que poderia ser uma empresa de US $ 120 bilhões quando se tornar pública. Essa avaliação de olhos arregalados foi esboçada para a empresa pelo Morgan Stanley e pelo Goldman Sachs Group Inc.

2 - A imensa base de clientes do WhatsApp, no final de 2015, já havia chegado a 900 milhões de usuários ativos por mês, mais que qualquer operadora de telefonia móvel do mundo. Em fevereiro de 2018, o de usuários ativos passou a marca de 1,5 bilhão de usuários ativos, gerando cerca de de 60 bilhões de mensagens enviadas todos os dias. As informações foram anunciadas por Mark Zuckerberg, CEO do Facebook.


3 - A Tesla vai mudar o setor elétrico e não somente fazer um carro autônomo. Com valor de mercado de mais de U$ 50 bilhões atuando em 0,1% da indústria automotiva vale mais que a centenária Ford. Modelo que começa a influenciar outras montadoras ao redor do mundo, criando um novo campo de batalha entre montadoras e empresas do vale do silício. Em 03/12/2018, o valor de mercado da Tesla segundo Macrotrends LLC, é de U$ 61,8 Bilhões. A GM está avaliada em U$ 53; A Ford em U$ 37 Bilhões.

4 - Mas muita mais coisa vai acontecer. Em 5 anos o motor a combustão interna será antieconômico; 

5 - Não temos mais problemas em fazer as coisas, tudo pode ser feito. O limite hoje é imaginar o que pode ser feito;

6 - O Google está evoluindo de um mundo em que o mobile ocupa o primeiro plano para onde a Inteligência Artificial vem antes de tudo. O carro autônomo do Google pode ainda não ser visto como uma ameaça a indústria de seguros de automóveis, e a possibilidade de se colocar sensores em objetos permite transformar uma indústria de vendas de equipamentos em prestação de serviço de locação e manutenção; 

7 - A era dos robôs está chegando. As máquinas destruirão milhões de empregos no futuro, isso é fato. Pesquisas da Oxford University concluiem que 47% do emprego total nos Estados Unidos estão ameaçados. Segundo o World Enconomic Forum, que em 2020, 1,4 milhões de novos empregos serão criados, 65% das crianças em idade escolar hoje, irão trabalhar em empregos que não existem. Estudo realizado pela comissão de justiça e economia analisa 60% das ocupações atuais têm pelo menos 30% de atividades que podem ser automatizadas. A PwC sugere que 30% dos empregos estão ameaçados pela automação, os principais serão a indústria 46%, armazenamento e transporte 56% e varejo 44%. E a Mckinsey define no seu estudo que 400 a 600 milhões de empregos poderão ser automatizados. A tecnologia irá substituir grande parte de funções, as próprias tarefas executivas começam a sofrer risco. As empresas digitais vão demandar 50% menos trabalhadores em processo de negócio e 500% mais funcionários nas empresas digitais do que nos modelos tradicionais. Para isto, as geladeiras vão pedir gêneros alimentícios, os robôs vão registrar isso e os drones vão entregá-los em nossas portas, eliminando a necessidade de funcionários nos mercados e motoristas para fazer entregas. 

Estamos entrando na Quarta revolução industrial: Uma analogia talvez seja útil aqui. Durante a primeira onda da revolução industrial, as fábricas dependiam de fontes fixas de energia, primeiro, da energia hidráulica produzida pelas rodas d’água localizadas ao longo dos rios e, mais tarde, da energia a vapor, oriunda de máquinas que queimavam carvão.

Embora essas fontes de energia tinham possibilitado o surgimento da produção em massa, elas também enfrentavam graves limitações. De início, impunham a localização das instalações e limitavam a capacidade de produção. Além disso, como as rodas d’água e as máquinas a vapor exigiam que todos os equipamentos da fábrica fossem ligados a um eixo de transmissão central, um único motor extenso que impulsionava todas as máquinas, essas fontes de energia também ditavam o projeto das fábricas e os métodos de trabalho. Com a eletrificação das fábricas em fins do século XIX, tudo isso mudou. A energia elétrica eliminou todas as limitações que até então haviam definido as características das fábricas. Agora, as máquinas podiam ser arrumadas na ordem do fluxo sem restrições de centenas de anos que se impunham aos projetos das fábricas, que simplesmente não conseguiam ver a possibilidade diante de seus olhos. Coube às novas empresas geradoras de energia elétrica, as startups da era da eletrificação, pregar a inovação na manufatura. Essas novas empresas emprestavam motores elétricos, de graça, às fábricas, apenas para que experimentassem a nova tecnologia. Já na década de 1920, um novo ecossistema de fábricas, trabalhadores, engenheiros, produtos e negócios já tinha tomado forma, tudo em torno da energia elétrica. Hoje, nossas nativas digitais (como Google ou Amazon) são as geradoras de energia elétrica no começo da era da eletrificação. Se a eletrificação foi transformadora, ao mudar as restrições fundamentais na manufatura, o impacto da era digital é ainda maior, por alterar as restrições sob as quais operam praticamente todos os componentes da estratégia de negócios.

As tecnologias digitais mudaram a maneira como nos conectamos com os clientes e lhes oferecemos valor. Muitos de nós crescemos em um mundo em que empresas transmitiam mensagens e forneciam produtos aos clientes. Hoje, porém, a relação é muito mais interativa e de mão dupla. 

Tempestade perfeita

A fusão de tecnologias, apagando as linhas divisórias entre as esferas físicas, digitais e biológicas. Esta nova revolução, unindo mudanças sócio-econômicas e demográficas, terá impacto nos modelos e formas de fazer de negócios e os mercados de trabalho.

Afetará exponencialmente todos os setores da economia e todas as regiões do mundo. Esta nova onda de transformação difere das anteriores por três razões:

  1. As inovações nunca foram difundidas tão rapidamente como agora. A QUIRLY, uma organização exponencial de bens de consumo embalados. Ela completa o ciclo de desenvolvimento que uma empresa normal levaria de 250 a 300 dias em 29 dias.
  2. A queda dos custos marginais de produção e o surgimento de plataformas que agregam e concentram atividades em vários setores elevam a economia de escala. A DIY DRONES (Já foi capaz de projetar e construir um drone com 98% das funcionalidades do PREDATOR, usado pelas Forças Armadas Norte-americanas. O PREDATOR custa US$ 4 milhões e o drone da DIY custa US$ 300).
  3. Genotipagem. A HELIX já oferece sequenciamento genético a US$ 149. O aplicativo VINOME, quer oferecer um serviço de análise do DNA para identificar quais as percepções gustativas estão mais afloradas nos seus clientes para recomendar vinhos. Já podemos imaginar como estas análises podem influenciar planos de saúde, previdência e seguro de vida. 
  4. Essa evolução afetará todos os países e terá impacto sistêmico em várias áreas. Os consumidores, por exemplo, ficam, a cada dia mais engajados em transformarem-se em “consumidor-ator” como novas maneiras de usar a tecnologia para mudar comportamentos e sistemas de produção.

A grande questão não são as tecnologias isoladas, mas a combinação delas é que potencializa a disrupção!

Não sei se você sabia, mas já existe Inteligência Artificial para:

As regras de negócios mudaram em todos os setores e atividades. A transformação digital está virando de cabeça para baixo o velho guia de negócios. Não importa se sua empresa é grande ou pequena. É hora de levar a transformação digital a sério e aproveitar suas possibilidades. É um assunto que está na pauta de 86% dos CEOs, estudo publicado pela PWC Survey, em que esses executivos consideram a Digitalização sua prioridade #1.

Mas onde tudo isto começou? 

O mundo não está somente se tornando interconectado ou hiperconectado, mas interdependente, todo mundo em toda parte se encontra agora mais vulnerável às ações de qualquer lugar. O mundo não está apenas mudando rapidamente, mas está sendo drasticamente reconfigurado, está começando a operar de maneira independente em várias esferas ao mesmo tempo. Esta reconfiguração está acontecendo mais rápido do que conseguimos reconfigurar a nós mesmos, assim como nossas lideranças, nossas instituições, nossas sociedades, nossas leis e nossas escolhas éticas.

Existe efetivamente um descompasso entre a mudança no ritmo da mudança e nossa capacidade de desenvolver sistemas de aprendizagem, sistema de treinamento, sistemas de administração, redes de segurança social e regulamentação governamental que dariam aos cidadãos a capacidade de extrair o máximo dessas acelerações e amortecer seus impactos mais severos. Para isso, damos o nome de mundo VUCA, V - Volátil, U - Incerto, C - Complexo, A - Ambíguo.

A boa nova, é que existe uma curva concorrente, é o ritmo no qual a humanidade, indivíduos e sociedade se adaptam às mudanças em seu ambiente. Essas podem ser mudanças tecnológicas (drones, sensores, inteligência artificial), geofísicas (como o aquecimento e resfriamento global) ou sociais (já houve uma época em que nos sentíamos constrangidos com casamentos inter-raciais). E, de fato, a boa notícia é que passamos a nos adaptar um pouco mais rapidamente ao longo dos séculos, graças à maior instrução por meio da leitura e da difusão do conhecimento. A velocidade com que nos adaptamos está aumentando. Há cerca de mil anos provavelmente passariam duas ou três gerações até que nos adaptássemos a alguma coisa nova.

Deixa eu tentar explicar isto para você, conforme o gráfico:

Vamos considerar a VELOCIDADE DA MUDANÇA X TEMPO. VAMOS INCLUIR A EVOLUÇÃO TECNOLÓGICA E NOSSA CAPACIDADE DE ADAPTABILIDADE. MUITO BEM... PONTO NO GRÁFICO ""VOCÊ ESTÁ AQUI".

Ainda que seres humanos e sociedades tenham se adaptado regularmente à mudança, em média, a velocidade da mudança tecnológica vem agora acelerando tão rápido que se elevou acima da velocidade média na qual a maior parte das pessoas pode absorver. Muitos de nós não consegue acompanhar esse ritmo.

E isso vem causando uma espécie de angústia cultural. Também está impedindo que nos beneficiemos plenamente de toda essa nova tecnologia que esta vindo à tona. Nas décadas que se seguiram à invenção do motor interno movido a combustão, antes de as ruas se encherem de automóveis produzidos em massa, as leis e convenções de trânsito foram sendo gradualmente implantadas. Muitas dessas leis e convenções continuam a nos atender muito bem até hoje, e, ao longo de um século, tivemos tempo de sobra para adaptá-las a novas invenções, como a das vias expressas. Hoje, no entanto, os avanços da ciência estão provocando abalos sísmicos nos modos como usamos nossas estradas: a legislação e as municipalidades estão correndo para se manter em dia, empresas tecnológicas percebem como um entrave as regulamentações que julgam ultrapassadas ou as vezes absurdas, e a opinião pública parece perdida, sem saber que partido tomar. A tecnologia do smartphone deu origem ao Uber, mas antes que o mundo encontre um jeito de regulamentar essa modalidade de transporte compartilhado, os automóveis auto-dirigidos terão tornado esta regulamentação obsoleta.

Quando o que está rápido se torna realmente rápido, diminuir a velocidade para se adaptar faz com que nos tornemos realmente lentos e desorientados. É como se estivéssemos numa dessas esteiras rolantes dos aeroportos que se movem a oito quilômetros por hora e de repente ela acelerasse a 25 km/hora, ainda que tudo à nossa volta permanecesse mais ou menos como era antes. Para muitas pessoas isso é realmente desorientador. Se a plataforma tecnológica mudar de 5 a 7 anos, mas levar 10 a 15 anos para que nos adaptemos a isso, todos nós nos sentiremos como se estivéssemos perdendo o controle. No momento em que nos habituarmos a uma mudança, esta não vai ser mais a mudança em questão, estaremos correndo atrás de alguma nova mudança.

Em outras palavras, se é verdade que agora são necessários de dez a quinze anos para se compreender uma nova tecnologia, para depois então formular novas legislações, como criar uma regulamentação quando a tecnologia veio e se foi em 5 ou 7 anos. O sistema de patentes é um que precisa se adaptar, ele foi construindo para um mundo onde as mudanças corriam lentamente. Imagina que em alguns casos demora de 4 a cinco anos para elas serem concedidas. Isto torna as patentes irrelevantes no futuro.

Outro grande desafio é o sistema de ensino. Vamos as escolas por 12 anos ou mais durante a infância e no início da vida adulta e muitos param de estudar. Porém, quando o ritmo da mudança passa a ser tão rápido, a única maneira de acompanhar a capacidade de trabalho ao longo da vida é empenhar-se num aprendizado contínuo.

As estruturas da nossa sociedade não dão conta do que vem por vir. Devemos tentar aumentar a capacidade de nossa sociedade a se adaptar.

Aqui fica um pensamento, em que a linha pontilhada na figura abaixo simula nossa capacidade de aprender e nos adaptarmos mais rapidamente para não cairmos no abismo, assim como praticar uma nova governança mais inteligente, fazendo portanto, uma intercessão com a linha da sociedade digital. Noventa por cento do aumento da adaptabilidade humana, consiste em otimizar o aprendizado, aplicar características que canalizem a inovação tecnológica para nossas estruturas culturais e sociais. Precisamos nos tornar ágeis, estarmos dispostos a experimentar rapidamente e a aprender com os erros. Em vez de alimentar a expectativa de que as novas regras se mantenham válidas por décadas.

Inovação é um ciclo de experimentação, aprendizagem, aplicação do conhecimento e, em seguida, de aferição do sucesso ou fracasso, como representa a imagem a seguir, métodos das novas teorias de administração e metodologias Lean. E, quando o resultado é um fracasso, esse é mais um motivo para recomeçar o ciclo novamente. Não importa se o índice de fracasso aumente este mês, seu trabalho é fazer com que aumente o índice de sucesso e neste sentido como podemos cometer o mesmo erro na metade do tempo pela metade do custo? Ou seja, fracasse rapidamente, precisamos de ciclos curtos de inovação e com cada vez menos tempo para aprendermos e nos adaptar.

Pra encerrar esse capito, trago uma frase dita por Alvin Toffler, onde ele diz que o analfabeto do século XXI não será aquele que não consegue ler ou escrever, mas aquele que não consegue aprender, desaprender e reaprender.

Em breve a continuação desse aprendizado.

Se você gostou e quer comentar, sinta-se convidado a complementarmos esse assunto de extrema importância para o futuro.

Fonte: LinkedIn