28 DE JAN DE 2020
FUTURO EXPONENCIAL
Estamos em outro ponto de virada na história da humanidade, um momento de mudanças constantes, provocadas pelas confluências das novas infraestruturas digitais que estão se acelerando. Enquanto a adoção do telefone levou cerca de 100
Estamos em outro ponto de virada na história da humanidade, um momento de mudanças constantes, provocadas pelas confluências das novas infraestruturas digitais que estão se acelerando. Enquanto a adoção do telefone levou cerca de 100 anos, o celular exigiu apenas 20 anos. Perceba que o primeiro smartphone surgiu em 2007, e hoje já faz parte do nosso corpo, ninguém praticamente vive sem um smartphone. Isso, e a liberalização da política econômica, que significa diminuição do movimento de pessoas, produtos, dinheiro e idéias, é que tornam o futuro exponencial.
E o mais interessante é, o que torna esta revolução diferente das demais é que essa está cada vez mais difícil acompanhar. Se você continuar se adaptando, no entanto, pode aproveitar essa revolução e transformar ameaças em oportunidades. Porém, isso requer desaprender o velho modelo industrial e exige um novo mindset, e eis aqui o maior desafio da humanidade. Alvin Toffler (1928 - 2016) disse “O analfabeto do século XXI não será aquele que não consegue ler e escrever, mas aquele que não consegue aprender, desaprender, e reaprender. Em vez de viver em um mundo de escassez, onde tudo parece ser finito, estamos começando a viver em um mundo de abundância. É um mundo novo que se aproxima, porém, com novas regras.
A mídia nem sempre informa sobre coisas positivas – ao contrário, muitas carregam um viés negativo, apelando para nossas emoções, des- tacando as mudanças mais negativas e apelativas, ao invés de se concentrarem em todas as grandes coisas que estão sendo realizadas, como, por exemplo, nos EUA os empregos gerados em energia limpa já ultrapassam os de perfuração de petróleo (2018). Portugal, por exemplo, teve em 2017 sua energia suprida por energia renovável durante quatro dias. A CNN estimou que o terrorismo global tenha diminuído para um fator de três. E tem mais, estimativas apontam que estamos subindo lentamente na Pirâmide de Maslow.
No futuro, cidades inteiras serão re-imaginadas, co-criadas. Não há mais a necessidade de nos aglomerarmos em algumas cidades quando podemos viver e trabalhar de qualquer lugar. Ao mesmo tempo, há mui- tas pessoas que estão com medo das mudanças tecnológicas que estão redefinindo o mundo. O status quo está muito apegado ao velho mundo. Salim Ismail, no livro Organizações Exponenciais (2014), diz que, quando você tenta mudar grandes organizações, o sistema imunológico entra em vigor, o que dificulta a mudança, a inovação. O sistema imunológico a que ele se refere é o velho jeito apegado de fazer.
Nossa capacidade de experimentar coisas aumentou enormemente, e por isso precisamos de uma nova narrativa que abra este novo mundo para todos neste planeta. Precisamos criar um diálogo que destaque essas tecnologias exponenciais e nos ajude a re-imaginar o mundo, um mundo com mais justiça, um mundo mais inclusivo, um mundo realmente mais inteligente, humano e sustentável.
Estamos vivendo realmente tempos complexos e acelerados, mas também tempos incríveis. Da robótica à biotecnologia, tecnologias antes disponíveis apenas para grandes organizações e governos hoje estão tornando-se mais acessíveis em virtude não só da digitalização, mas da confluências das tecnologias das quais já falei. Há pouco mais de 20 anos, as empresas tinham por meta criar um produto ou serviço que as pessoas necessitavam e encontrar uma maneira de produzi-lo com maior qualidade a um custo mais baixo do que os concorrentes. Era um processo complexo que envolvia contratar milhares de funcionários, comprar ou alugar um grande espaço físico para acomodá-los e, por fim, trabalhar duro durante anos para que o produto deslanchasse no mercado.
Hoje, em virtude das tecnologias digitais, empresas que surgem em garagens empreendidas por jovens ao redor do mundo todo, que ao invés de milhares de funcionários e grandes plantas físicas, essas empresas modernas estão executando suas atividades sob a forma de pequenas organizações, chamadas startups, que são empresas de base tecnológica, com modelo de negócio enxuto e altamente flexível com um produto/serviço altamente escalável. Essas novas empresas estão desmaterializando o que já foi físico um dia, e criando novos produtos e fluxos de receitas em meses – às vezes, até mesmo em semanas. Já não é mais necessário ser o dono de uma grande corporação para causar um enorme impacto. A tecnologia tem transformado radicalmente processos industriais tradicionais, trazendo inúmeras oportunidades. O potencial para causar a disrupção em mercados milenares nunca foi tão grande como está sendo hoje. De acordo com o GEM30 - monitor de empreendedorismo global, a cada ano surgem cerca 100 milhões de startups de tecnologia.
Mas o que está por trás disso tudo é que é muito interessante, tecnologias emergentes estão sendo desenvolvidas e quando combinadas criam novas tecnologias. Isso tudo acaba gerando mais velocidade.
E para ilustrar esse entendimento, olhamos para a figura a seguir, onde a linha reta linear e contínua está diante de uma revolução, uma mudança significativa que pode nos causar surpresa, um sentimento de caos, e esse é o ponto da mudança, no qual nos encontramos nesse século. É nesse momento que necessitamos ver por meio de uma nova lente, novas formas de pensar, e nos abrirmos às novas possibilidades.
Os próximos 20 anos serão fantásticos. O telefone que você carrega não terá 20 vezes mais capacidade de processamento, mas segundo a Lei de Moore, terá cerca de 524.288 vezes mais poder de processamento, podendo superar a capacidade de processamento do nosso cérebro.
A Apollo 11, que levou o homem à Lua, era muito menos potente do que um iPhone. Há exatos 49 anos, em 1969, a Apollo 11 era lançada a partir do Cabo Canaveral, na Flórida, levando Neil Armstrong, Buzz Aldrin e Michael Collins à Lua. Este feito representou uma das maiores conquistas da história da humanidade e, por si só, já garante uma história interessantíssima. Mas a coisa fica quase inacreditável quando com paramos o hardware que existia à disposição da Nasa naquela época com o que existe hoje à disposição de quase todos no mundo.
Você deve imaginar que para lançar um foguete de quase 3 mil toneladas, carregando uma aeronave de 46 toneladas, tripulada por três seres humanos a fim de fazê-los viajar através do espaço por uma distância de pouco mais de 384 mil quilômetros, dar 30 voltas em torno da Lua e, em seguida, alunissar em segurança, para alguns dias depois trazê-los de volta para a Terra sãos e salvos, não foi uma tarefa nada fácil. Mas você já parou para pensar no tipo de equipamento que a Nasa tinha à disposição na época para fazer esta missão dar certo?
Estamos acostumados a ver as centrais de controle e comunicação de missões da Nasa cheias de computadores, monitores e engenheiros acompanhando atentamente cada segundo de uma missão. Mas, e o equipamento que de fato levou o primeiro homem à Lua? Quais eram as especificações do módulo lunar que levou os três astronautas ao nosso satélite natural? O quadro comparativo a seguir mostra as especificações do módulo de navegação lunar comparado com o iPhone 5s, é quase inacreditável.
Mas o que acontece quando alguma coisa permanece dobrando, triplicando ou quadruplicando ao longo do tempo? O que explica esse fenômeno do pensamento exponencial é a Lei de Moore, que resulta de uma observação feita pelo cofundador da Intel, Gordon Moore, em 1965, que ajudou a tornar os dispositivos menores e mais rápidos. Define que a densidade de transistores deve dobrar a cada dois anos, enquanto o custo de produção dos chips cai. Todos os anos, computadores e dispositivos móveis que são significativamente mais rápidos podem ser comprados com a mesma quantidade de dinheiro, graças, em parte, ao que estipula a Lei de Moore. Até meados de 1965, não havia nenhuma previsão real sobre o futuro do hardware quando Gordon Moore fez sua profecia, na qual o número de transistores dos chips teria um aumento de 100% pelo mesmo custo, a cada período de dois anos. Em 1975, houve uma revisão desta lei, quando Moore redefiniu o período em que o número de transistores dobraria de dois anos para 18 meses. E ela tem se mostrado muito acertiva até os dias atuais. Essa profecia tornou-se realidade e acabou ganhando o nome de Lei de Moore. Ela serve de parâmetro para uma elevada gama de dispositivos digitais, além das CPUs. Na verdade, qualquer chip está ligado à Lei de Moore, até mesmo câmeras fotográficas digitais, sensores, unidades de memória, os softwares, os sistemas de rede, ou seja, a maio- ria das tecnologias. Esse padrão continua a se manter, e não se espera que pare até no mínimo, 2021.
Se considerarmos um microchip de primeira geração da Intel lançado em 1971, o 4004 ao lado do mais recente chip colocado no mercado pela empresa, veremos que o último chip oferece uma performance 3.500 vezes melhor, é 90 mil vezes mais eficiente em termos de gasto de energia e é 60 mil vezes mais barato. Para passar essa ideia de modo mais expressivo, os engenheiros da Intel fizeram um cálculo aproximado do que aconteceria se um fusca da Volkswagen fosse aperfeiçoado na mesma medida do microchip sob o efeito da Lei de Moore: O fusca seria capaz de andar 480 mil quilômetros por hora, rodaria mais de 3 milhões de quilômetros com quase quatro litros de gasolina e custaria apenas quatro centavos de dólar.
Já na opinião do cientista Stanley Williams, abandonar a Lei de Moore é uma necessidade. Vai forçar os fabricantes de processadores a inovarem, e talvez seja a melhor coisa para a evolução dos computadores, porque deverá acelerar o distanciamento de uma arquitetura envelheci- da, desde que entrava a inovação no hardware. Williams é membro do Hewlett Packard Labs que, em 2008, teve papel fundamental na criação do memristor, o “resistor com memória”. Mas as previsões ligadas à ele estão a cada dia mais próximas do limite, na exata medida em que a produção de chips em proporções menores fica mais difícil. Esse é um desafio que enfrentam todos os principais fabricantes de chips, incluindo a própria Intel, que vem mudando a maneira como interpreta a Lei de Moore enquanto se mantém apegada a ela. Até recentemente, a companhia lançava chips a cada dois anos. Mas fazê-los cada vez menores tem se tornado um desafio não só tecnológico quanto econômico.
Williams é só o mais recente a juntar-se a um grupo crescente de cientistas que antevêem a morte da Lei de Moore. “Pode ser a melhor coisa para a computação em décadas”, escreveu em um paper publicado em uma edição da IEEE Computing in Science and Engineering, pela IDGNow, em abril de 2017. Na opinião de Williams, o colapso da Lei de Moore vai trazer maior criatividade para o desenho de chips e de computadores, além de ajudar engenheiros e pesquisadores a pensarem fora da caixa. Ela restringiu a inovação na concepção de computadores, e no futuro, segundo Williams, haverá computadores com uma série de processadores e componentes de aceleração de computação funcionando de forma conjugada, surgindo as primeiras formas de computadores mais velozes.
Ray Kurzweil, em seu livro The Singularity is Near: When Humans Transcend Biology (2011), que, em tradução livre, quer dizer “a singularidade está perto: quando os seres humanos transcendem a biologia”, Kurzweil identificou uma propriedade muito importante e fundamental da tecnologia, que quando você muda para um ambiente baseado em informação, o ritmo de desenvolvimento entra em uma trajetória de crescimento exponencial e a relação preço/desempenho dobra a cada um ou dois anos. Nesse caso, Kurzweil expandiu ainda mais a Lei de Moore, notando que cada paradigma baseado em informação opera da mesma maneira, algo que chamou de lei dos retornos acelerados (LOAR - Law of Accelerating Returns).
Em um crescente reconhecimento de que o termo de mudança vis- to na computação está ocorrendo em outras tecnologias e com o mesmo efeito, por exemplo, o primeiro genoma humano foi sequenciado em 2000 a um custo de cerca de US$ 3 bilhões. Devido às acelerações subjacentes na computação, sensores e novas técnicas de medição, o custo do sequenciamento do DNA diminuiu em um ritmo cinco vezes maior do que a Lei de Moore. Em 2011, o Dr. Moore teve seu próprio genoma sequenciado por US $ 100 mil. Em 2015, o valor era de aproximadamente US $ 1.000. Em 2019, o valor do sequenciamento genômico custa menos de US $ 150, que é oferecido pela 23andME, uma startup californiana.
Outro exemplo é o custo de armazenamento de dados quando comparamos um micro SD Card que em 2005 ele possuía 128 MB, em 2014 esse mesmo micro SD Card armazena 128 GB, ou seja, cerca de 128.000 vezes mais. Em 1980, 1 GB custava em torno de US $ 193 mil, em 2018 esse mesmo 1 GB custa cerca de US $ 0,07.
Outro exemplo é o custo dos módulos solares. Eu nasci em 1984, portanto, ao longo dos últimos 30 anos, a energia solar passou de mais de US $ 16 por watt (em dólares constantes de 2012) para cerca de US $ 1 por watt em 2018 e, de acordo com a Lei de Moore para microeletrônica, essa tendência continua. Na verdade, esse fenômeno da energia solar realmente acelerou nos últimos dez anos – em boa parte devido aos enormes investimentos solares na China e, em seguida, a energia solar vai vencer os custos das energias fósseis e se tornar commoditie. No Brasil muitos investimentos em energia solar já vem sendo feitos, claro que em menor proporção a outros países como os Emirados Árabes e a própria China e alguns países da Europa.
E ainda, o custo da impressão 3D que em 2007 custava em torno de US $ 40 mil foi para US $ 100 em 2014, para uma funcionalidade similar, cerca de 400 vezes menos em sete anos. Outro exemplo é o dos drones, que em 2007 custavam cerca de US $ 100 mil e baixaram para US $ 700 em 2013, cerca de 142 vezes menos em seis anos.
Os exemplos em que a Lei de Moore está presente são inúmeros. Você pode estar pensando: mas o que a Lei de Moore tem a ver com trans- formação digital? Pois bem, a Lei de Moore tem efeito exponencial, e não linear. Nos negócios, existem muitas relações fortemente não lineares, e precisamos identificá-las. Isso vale tanto para generalistas como para especialistas, porque mesmo os experts que sabem da existência da não linearidade em suas áreas, e não conseguem levá-la em consideração, a omitem em vez de confiar em seus instintos. Mas, quando isso acontece, as pessoas geralmente acabam tomando decisões erradas. Mais um fato que mostra o quanto precisamos entender o efeito exponencial, principalmente ao sabermos que o mundo está mudando exponencialmente.
Como será o mundo em 2030 ! Onde essa velocidade irá nos levar ? Você já parou pra pensar sobre o impacto que isso vai ter na sua vida, em seu negócio?
Fonte: LinkedIn