21 DE JUN DE 2018
Inovar é olhar para o Futuro
O que faz as empresas desaparecerem é a falta de foco no futuro. Afinal ser um gestor e não pensar no que vai acontecer certamente não conseguirá criar as condições necessárias para continuar a existir.
HISTÓRIA DA KODAK
O que faz as empresas desaparecerem é a falta de foco no futuro. Afinal ser um gestor e não pensar no que vai acontecer certamente não conseguirá criar as condições necessárias para continuar a existir.
O gestor que se acomoda e acredita que vai continuar para sempre sendo, está morto.
Houve uma época em que fotografar era coisa para quem tinha câmeras complicadas e lentes tão preciosas quanto caras, era um império de marcas como Laica, RolleiFlex, Canon, das lentes Zeiss e dos fotógrafos que conheciam as sutilezas das velocidades, aberturas do obturador, sensibilidade dos filmes, elementos fundamentais e casáveis aos pobres mortais.
Nos anos 1960, a Kodak resolveu criar uma câmera fácil de operar, com um filme que poderia ser trocado até por um pelicano, foi uma revolução. As massas passaram fotografar, ainda assim havia alguns mistérios em relação ao foco ao enquadramento e a revelação. O filme, produto sensível, sempre poderia queimar.
Enquanto a Kodak vendia bilhões de rolos de filme, seus executivos, preocupados apenas em tirar pedidos, não viram os flashes das câmeras digitais piscando ao seu redor. Seguros de sua posição de líderes de mercado não se importaram em olhar para além das planilhas. Demoraram a perceber que uma segunda onda de acesso ao registro de imagens estava acontecendo. Piscaram na hora da foto, e seu filme queimou.
Foi o tempo de um clique. Na Copa do Mundo de 1998, na França, os fotógrafos carregavam câmeras analógicas e dezenas de rolos de filmes.
Na competição de 2002, os equipamentos digitais já dominavam planeta. E as câmeras operadas com filmes estavam praticamente extintas, junto com as planilhas da Kodak.
Como a empresa não viu que estava indo para o buraco negro? A resposta é simples: falta de foco no que está um pouco além do relatório trimestral. O caminho para o ajuste de foco é feito de observação. Não só dos grandes eventos mas principalmente do que está debaixo do seu nariz, dentro de sua casa, as vezes até teclando no celular. Ou pode ser algo que está sendo desenvolvido em suas próprias áreas de pesquisa. Foi o que ocorreu com a Kodak. A tecnologia digital para câmeras fotográficas foi criada por um colaborador da empresa, Estive Sasson em 1975. Ao longo dos anos, a invenção foi aperfeiçoada dentro da própria companhia, com a criação de softwares e até mesmo de uma tela de LCD. Mas a kodak estava apegada à sua galinha de ovos de ouro: os filmes e os produtos químicos para revelação de fotos. Na verdade, a kodak deixou de ser uma empresa de fotografia e passou a ser uma companhia que fabricava produtos químicos afinal suas maiores fontes de faturamento eram os filmes e os produtos químicos. Os resultados da divisão de químicos eram tão expressivos que as outras áreas da empresa acabavam ficando na sombra e seu desenvolvimento em segundo plano. O fascínio com o dinheiro vindo de setor químico era tamanho que em 1988 a Kodak adquiri um laboratório farmacêutico, a Sterling Drug, o que mostra que a empresa via sinergia entre seus negócios e as atividades de um fabricante de remédio. Claramente esse movimento visava gerar impacto no mercado de ações e valorizar as contas da companhia na bolsa, já que a Kodak não tinha experiência suficiente para criar novos medicamentos, mas apostava na fabricação de genéricos. Levou 6 anos para empresa perceber o erro e vender em partes a Sterling Drug, pela qual havia pago US$ 5,1 bilhões de dólares. O dinheiro da venda nunca alcançou o valor e inicial daqui aquisição. A tendência de gerar lucro trimestral para os acionistas foi o foco principal do negócio enquanto todas as tendências relativas ao futuro da fotografia, ao comportamento do consumidor e as movimentações da concorrência foram solenemente ignoradas. O problema é que ignorar uma tendência é adiar um problema que volta maior para assombrá-lo no futuro. É como jogar um filhote de tubarão no lago cheio de peixes, a situação aparentemente simples, mas depois de um tempo ele estará maior e mais voraz. No caso da Kodak as providências para cuidar das dependências não foram capazes de compensar a desatenção as tendências. E os erros se traduzem nos índices Dow Jones (Bolsa de Ações dos EUA). Em fevereiro de 1999, cada ação da Kodak valia US$ 80 dólares. Dali em diante só queda, em setembro de 2011, as ações valiam US$ 0,78 centavos de dólar, ou seja tinham perdido 99% do seu valor. A imprensa especializada até achou que diante da série de erros de avaliação, a empresa fundada em 1889 resistiu bastante. Mas em 2012, a Kodak teve de pedir falência.
Lição: Inovar é olhar para o Futuro do seu negócio.
Fonte: LinkedIn