23 DE DEZ DE 2018
Internet das Coisas - IoT
A cada dia que passa, mais objetos e equipamentos estão trocando informações entre si, da geladeira da sua casa ao poste de iluminação. A tecnologia por trás disso é chamada de Internet das Coisas (Internet of Things, ou seja, IoT a
A cada dia que passa, mais objetos e equipamentos estão trocando informações entre si, da geladeira da sua casa ao poste de iluminação. A tecnologia por trás disso é chamada de Internet das Coisas (Internet of Things, ou seja, IoT a sua sigla em inglês). Uma das maiores e talvez mais inesperada consequências da aceleração da tecnologia.
Mesmo ainda que de forma tímida, ela já está presente na vida de milhares de brasileiros. O IoT funciona através de sensores instalados em objetos conectados a redes. Dessa maneira, dispositivos como televisores inteligentes, que estão entre os equipamentos mais usados pelos brasileiros, serão objetos comuns nas futuras casas conectadas. Nesse futuro conectado, a geladeira pode “dizer” a um supermercado quais alimentos estão acabando; o GPS do seu celular vai avisar ao aparelho de ar- condicionado da sua casa que você já está saindo do trabalho e em quanto tempo deve voltar. Isso pode parecer muito futurista, mas até as previsões menos otimistas antecipam um ambiente totalmente conectado em, no máximo, duas décadas.
Com a evolução cada vez maior da inteligência artificial (IA) e muitos dados disponíveis, a expectativa é que os objetos passem a tomar decisões simples sem intervenção do seu proprietário. Dessa maneira, por exemplo, será comum que um carro se torne responsável pelo agendamento da própria revisão ou troca de peças. A adoção da IoT nas fábricas, conectando robôs e automatizando processos, recebeu o nome de Indústria 4.0 ou, ainda, quarta etapa da Revolução Industrial. Esse conceito foi criado pelo governo alemão, em parceria com universidades e empresários, para incrementar a produtividade das fábricas do país.
Nos últimos anos, o modelo foi sendo replicado em muitas partes dos planeta e é apontado como essencial para garantir a competitividade da produção nos próximos anos. Da mesma forma como outras áreas de aplicação da IoT, a Indústria 4.0 também é caracterizada por diversas tecnologias. As máquinas sensorizadas, o uso da Inteligência Artificial (IA) e a unificação de dados dos vários sistemas de uma empresa são elementos imprescindíveis para garantir o sucesso do modelo. Aliás, a aplicabilidade é enorme, pois num produto vendido já com sensores, as empresas conseguem receber informações de como o objeto foi utilizado pelo cliente e assim definir que condições precisam ser alteradas para a melhoria do seu funcionamento.
O modelo de Indústria 4.0 e o avanço desenfreado das tecnologias deverão, em poucos anos, revolucionar todos os setores da economia, não somente o fabril. Lamentavelmente, as pesquisas mais recentes feitas pela IDC encomendada pela salesforce.com sobre o benchmarking da digitalização dos negócios, indicam que 60% das empresas brasileiras ainda não sabem exatamente o que é Indústria 4.0. E o que é pior, muitos empresários acham uma insanidade investir agora em melhorias da produtividade quando se vive turbulência econômica no País.
Porém, um estudo conduzido pela Frost & Sullivan publicado pela Canaltech mostrou que em 2016, o Brasil movimentou US$ 1,35 bilhão no mercado da Internet da Coisas (IoT), tendo as indústrias automotiva e as verticais de manufatura como as mais relevantes. Já quanto às previsões para o ano de 2021, os especialistas acreditam que o mercado no país alcançará receitas de US$ 3,29 bi.
Uma nova atualização do International Sustentation International Data Corporation (IDC) Worldwide Semiannual Internet of Things previu em 2017 que o gasto mundial em IoT em 2021, totalizem quase US$ 1,4 trilhão enquanto as organizações continuam a investir no hardware, software, serviços e conectividade que permitem a expansão das aplicações.
Outra pesquisa realizada pela Cisco em 2017 estimou que a IoT poderia adicionar US$ 352 bilhões à economia brasileira até o fim de 2022. "A IoT poderá trazer inúmeros benefícios aos consumidores. Dispositivos de saúde interconectados permitirão monitoramento mais constante e eficiente e interação mais eficaz entre paciente e médico. Sistemas de automação residencial permitirão que um consumidor, antes mesmo de chegar em casa, possa enviar mensagem para que os próprios dispositivos realizem ações para abrir os portões, desligar alarmes, preparar o banho quente, colocar música ambiente e alterar a temperatura da casa", diz o professor e pesquisador Eduardo Magrani, do Centro de Tecnologia e Sociedade da Fundação Getulio Vargas - FGV - Direito.
Outro estudo apontou que a Internet das Coisas chegará a 50 bilhões de conexões em 2023, sendo que a América Latina terá o maior crescimento de todas as regiões, com 26,7%, totalizando 995,5 milhões de acessos. A previsão é uma prévia de estudo divulgada pela TI Inside em 19 de junho 2018, pelo diretor de Pesquisa e Consultoria da Frost & Sullivan Brasil, Renato Pasquini, durante o IoT Business Forum em São Paulo. "Vamos passar de 1,4% para 2% do total. A escala maior estará na China, Índia e Estados Unidos, mas o volume latino-americano não é desprezível", defende. O Brasil é o maior mercado da região, representando 45% desse total.
Percebe-se que os números e potencial de mercado impressiona, mesmo diante das divergências apresentadas pelos estudos de companhias especialistas e renomadas quando expõem o assunto.
Para melhor ilustrar na prática esse mercado, vamos aos exemplos:
A pulseira inteligente Nike+ FuelBand SE, ajuda os usuários a entenderem sua saúde. Ela é capaz de registrar os movimentos, que são armazenados em um aplicativo de celular. Os dados coletados são analisados e com isso são geradas diversas avaliações sobre o desempenho das atividades físicas praticadas. Quem a usa também recebe dicas personalizadas de exercícios para aumentar seu rendimento.
A FitBit vai além de um pulseira. Eles são especializados em dispositivos que monitoram as atividades físicas, como relógios inteligentes e também balanças. As medições levantam batimentos cardíacos, distância percorrida e quantidade de passos. Essas informações são sincronizadas com o smartphone, sendo compartilhados nas redes sociais.
Se você tem uma qualidade ruim de sono essa vai te interessar. A NeuroOn é uma máscara que mede movimento dos olhos, ondas cerebrais e tensão muscular, dentre outros. Os dados são capazes de garantir mais qualidade no descanso pois ajuda a entender a melhor forma de acordar e o tempo ideal de sono, por exemplo.
Um capacete inteligente e conectado. Vendido pela Skully Hemelts, ele é equipado com uma tela que projeta na parte interior do visor imagens da câmera instalada na parte de trás do equipamento. Integrado via bluetooth com o celular, ele ainda mostra orientações do GPS, permite enviar mensagens de texto, fazer e receber ligações telefônicas e controlar o tocador de músicas. Tudo isso sem utilizar as mãos.
Os dispositivos criados pela Nest são um dos exemplos mais clássicos. São aqueles que realmente fazem se sentir no futuro. O produtos mais famosos são termostatos que se integram ao smartphone. O termostato faz mais do que apenas ajustar a temperatura do local automaticamente, ele também aprende a rotina dos moradores e faz adequações. Já os detectores de fumaça, literalmente fazem escândalo (luzes coloridas, mensagens de voz e notificações no smartphone), alertando o usuário que algo está errado.
A Philips Lighting é uma divisão especializada na criação de lâmpadas LED inteligentes. A linha é chamada de Hue e são configuradas pelo celular, mudando a intensidade e as cores da iluminação. O objetivo: deixar o ambiente mais confortável, alegre ou intimista, de acordo com cada situação.
Se você gosta do universo automotivo, com certeza já ouviu falar da Tesla Motors. Os veículos da companhia, carros elétricos de alta performance, também se conectam à internet para receber atualizações de software e contam com diversos sensores, que fornecem um check-up completo do veículo e dados de geolocalização. Eles também já estão preparados para dirigirem sozinhos. Uma central é capaz de dizer ao carro, em tempo real, se as ruas que estão congestionadas. O sistema então é capaz de escolher a rota mais adequada.
Alguns hotéis estão instalando etiquetas RFID em suas toalhas. O sistema, idealizado pela Linen Technology Tracking, tem como objetivo diminuir seu furto, rastreando as toalhas e evitando que os hóspedes as levem. A solução já rendeu uma economia de US$ 15 mil em apenas um hotel! Antes da adoção do projeto 4 mil toalhas eram levadas sem permissão por mês. Após o início o número caiu para 750. É a Internet das Coisas gerando economia.
As mudanças rápidas nas tecnologias de informação e comunicação quebraram as fronteiras entre a realidade virtual e o mundo real. A ideia por trás da Indústria 4.0 é criar uma rede social onde as máquinas podem se comunicar entre si, possibilitada pela Internet das Coisas. Tudo isso ajuda as indústrias a integrar o mundo real ao virtual, para que máquinas coletem dados em tempo real para fomentar a tomada de decisão com base neles.
Na manutenção de ativos, por exemplo, a Internet Industrial tem um impacto direto em soluções que facilitam o gerenciamento nos sistemas de produção, resultando em maior capacidade de operação e planejamento. Outro fator importante que vai impactar o seu dia a dia no trabalho é a possibilidade de detectar, com antecedência, problemas em equipamentos, além de análises preditivas mais eficientes.
Bigbelly: as latas de lixo são carregadas com sensores que anunciam via rede sem fio quando estão cheias e precisam ser esvaziadas, assim funcionários que fazem a coleta de lixo podem otimizar suas rondas de serviço. As latas de lixo ainda contam com painéis solares para fazer funcionar uma compactadora motorizada, que reduzem drasticamente o volume do lixo, ajudando a criar ruas mais limpas.
O viés da normalidade leva pessoas inteligentes e esclarecidas a subestimar a possibilidade de um desastre e suas consequências é uma tendência do comportamento humano acreditar que algo que nunca aconteceu jamais ocorrerá.
Durante o furacão Katrina mesmo sabendo que o sistema de barragens não resistiria às águas, milhares de pessoas permaneceram em casa em rota das ondas do mar. Como nunca haviam visto situação assim tão ruim, muitas simplesmente não acreditaram que poderia acontecer. Resultado: 2.000 mortos. Você dirá então, “imagine, estamos vivendo apenas uma crise e logo as coisas voltarão ao normal”, desculpe falar a verdade, mas é preciso um choque de realidade. As coisas não vão voltar ao normal, não existirá um novo normal. Tudo isso não ocorre apenas pelo avanço tecnológico, mas pelo surgimento de uma nova mentalidade socioambiental.
O modelo tradicional de emprego e renda caminha lentamente para o fim. Fim também para a idéia de consumismo e materialismo como caminho da felicidade. Fim da mentalidade de crescimento infinito em um mundo finito. Fim com conceito da escassez de energia para uma abundância. A economia de desloca do tangível para o intangível, da posse para o uso, do poder centralizado para o poder em rede, do emprego para o microempreendedor individual, da padronização para a diversificação e da massificação para a customização e personalização.
E você está preparado para essa onda ?
Fonte: LinkedIn