26 DE MAR DE 2020
IoT Highlights
O mercado da Internet das coisas ainda é relativamente novo, conforme apontadas pelas Diretrizes para Sustentabilidade do Forum Econômico Mundial - testemunho pela fragmentação no ecossistema IoT, relativa falta modelos de negócios maduros
Contexto
O mercado da Internet das coisas ainda é relativamente novo, conforme apontadas pelas Diretrizes para Sustentabilidade do Forum Econômico Mundial - testemunho pela fragmentação no ecossistema IoT, relativa falta modelos de negócios maduros e em larga escala e os altos número de provas de conceitos e pilotos. Há razoável confiança em assumir que, a longo prazo, o setor privado as forças do setor e do mercado seriam capazes de desbloquear a oportunidade bilionária de IoT, por si só, e fornecer apoio maciço para os ODS no processo. No entanto, a curto prazo, apoio e orientação do governo são definitivamente necessários. No Brasil tivemos o Decreto nº 9.854, de 25 de junho de 2019, que institui o Plano Nacional de Internet das Coisas (IoT) e dispõe sobre a Câmara IoT, órgão colegiado que irá supervisionar as ações no âmbito do Plano.
Todo o potencial da IoT como um facilitador para o desenvolvimento é alcançado quando a sustentabilidade é incorporada na fase de design dos projetos de IoT. No entanto, não existe ainda consenso sobre o melhor mecanismo para conseguir isso.
Para quase 90% dos entrevistados neo estudo preferiram uma combinação de incentivos governamentais (impostos créditos ou outros benefícios monetários) ou depender de boa vontade do setor para impulsionar isso. Apenas 10% apoiaram qualquer forma de regulamentação governamental.
O mercado de IoT ainda está evoluindo e é provável que o crescimento virá pode meio dos estudos de casos de uso. No entanto, o grande número de participantes no ecossistema IoT (por exemplo, há mais de 400 plataformas de fornecedores de IoT), impulsionando o desenvolvimento e a implantação de soluções de IoT que levam à fragmentação - o que provavelmente continuará um tempo na ausência de intervenções ou choques externos.
A versão IoT Snapchat 2018, indicou que os projetos de IoT parecem estar, majoritariamente, sob responsabilidade da área de TI – essa foi a resposta de 68% dos participantes da pesquisa feita com mais de 272 executivos de grandes empresas no Brasil (142), Argentina (29), Chile (31), Colômbia (39) e México (31).
Principais destaques (Snapchat 2018):
- IoT é um tema de alta importância para 35% das empresas, com expectativa de que esse nível de importância cresça para 57% nos próximos 3 a 5 anos;
- O nível de adoção (já adotado ou em processo) de IoT na América Latina é de 32%, e outras 18% de empresas afirmam que iniciarão os projetos nos próximos 12 meses;
- Os benefícios percebidos dos projetos de IoT se equilibram entre eficiência operacional, produtividade, inovação e melhoria na experiência do cliente;
- Os principais desafios para a adoção são de natureza financeira (custo, orçamento, ROI), cultural ou de falta de conhecimento e capacitação;
- Inteligência artificial, plataformas, sensores e dispositivos são os temas que ainda requerem maior capacitação para o desenvolvimento do tema pelas organizações;
- Diferentemente das edições anteriores, em que a área de inovação liderava as iniciativas de IoT, em 2018, 68% dos projetos estão sob responsabilidade da área de TI.
Responsabilidade e investimentos (Snapchat 2018):
Entre os pouco mais de 43% que falaram sobre o tema nos países latinos (excluindo o Brasil), o cenário foi otimista. Apenas 11% afirmaram ter menos budget em 2018, enquanto 52% garantem ter aumentado o poder de investimento neste ano. No Brasil, dos 45% que concordaram em revelar dados sobre investimentos, 52% garantiram que é a primeira vez que possuem orçamento para IoT e 22% afirmaram ter acesso a um montante maior neste ano.
Importância do IoT (Snapchat 2018):
No Brasil, hoje, 40% dos respondentes avaliam IoT como uma tecnologia de "alta" ou "muito alta" importância para seus negócios. O número é pouco maior que os 39% que tinham essa visão no ano passado. Por outro lado, é claro que a tecnologia já está consolidada como uma tendência inexorável: se, em 2017, 29% consideravam "baixa" ou "muito baixa" sua importância, hoje são apenas 18% que têm essa visão.
Entre os brasileiros, 81% dos respondentes imaginam que IoT será fundamental para os negócios em 3 a 5 anos, e apenas 5% imaginam que a tecnologia terá pouca ou muito pouca importância
Nível de adoção (Snapchat 2018):
Este ano, 17% dos entrevistados disseram ter iniciativas em produção, enquanto no ano passado 18% dos respondentes afirmavam já ter projetos funcionais. As empresas que estão em processo de adoção ou pretendem fazê-lo ao longo dos próximos 12 meses somam, hoje, 38%, contra 40% no ano passado. Os números denotam que, possivelmente, algumas empresas enfrentaram desafios e/ou experiências negativas, e descontinuaram projetos, ou ainda que os projetos de IoT não foram concluídos nesses 12 meses, o que pode indicar que o ciclo desse tipo de iniciativa é mais longo ou que a (falta de) maturidade do mercado a respeito do tema esteja atrasando os projetos.
Nos demais países da América Latina, o resultado é bastante semelhante. Enquanto 16% afirmam já ter projetos de IoT rodando, 34% planejam ter uma solução em operação ao longo do próximo ano. A exceção é o Chile, onde 27% dos respondentes já possuem iniciativas e outros 23% devem lançar seus projetos até o final de 2019.
IoT na prática - benefícios de negócios (Snapchat 2018):
Assim como observado nas pesquisas anteriores, a eficiência operacional vem sendo o principal benefício obtido pelas empresas que já colhem os frutos de seus projetos de internet das coisas – apontada por 18% dos respondentes –, seguida por aumento da produtividade e da agilidade, indicado por 17% dos entrevistados. Ambos os quesitos são destacados com mais ênfase pelos CIOs brasileiros, sendo comemorados, respectivamente, por 20% e 18% dos executivos no Brasil. Para 16% da amostra, os projetos de IoT estão atrelados à busca por inovação – e, consequentemente, à transformação digital das empresas –, não necessariamente ligados a objetivos de otimização de processos. Nos demais países da América Latina, excluindo o Brasil, esse é o perfil da maioria dos projetos: 20% dos respondentes garantem que a inovação foi o principal benefício trazido pela internet das coisas.
Em quarto lugar, citada por 15% dos executivos, está a melhoria da experiência do cliente. Na Argentina, no Chile, na Colômbia e no México aparece um pouco mais bem colocada, apontada por 17% dos entrevistados e conquistando a segunda posição entre os principais benefícios. É curioso notar, entretanto, que a maior parte dos projetos na América Latina (17%) têm como objetivo principal endereçar exatamente esse desafio. A busca por mais inteligência, visibilidade e suporte à tomada de decisão – apontada como o principal benefício esperado dos projetos de IoT na pesquisa de 2017 –, tornou-se realidade graças aos projetos de IoT para apenas 10% dos entrevistados. Uma das hipóteses para esse resultado reside no fato de que a maior parte dos projetos, hoje, têm um cunho muito mais ligado à automação de processos, porém ainda não contam com recursos avançados de Big Data analytics, capazes de transformar esses dados em insights de negócios úteis.
Quando se avalia setorialmente os benefícios trazidos pelos projetos de IoT, percebe-se que as empresas, de modo geral, têm investido nessas iniciativas em busca de resolver questões estratégicas e ligadas ao core business. Como exemplo, pode-se citar o fato de a "eficiência operacional" ser o principal benefício obtido no setor de manufatura (21%); que produtividade/agilidade é o ponto central para as empresas do agronegócio (20%) e que uma melhor experiência do cliente é destaque no comércio (21%).
Desafios (Snapchat 2018):
As questões financeiras seguem liderando a lista das principais barreiras para que os projetos de IoT deslanchem nas corporações. Em um cenário macroeconômico de crise, o item é o desafio de 26% dos executivos – ficando 24 pontos percentuais à frente do segundo maior problema a ser enfrentado, que é a cultura organizacional (12%). Problema há muito tempo conhecido pelos CIOs latino-americanos, a infraestrutura de telecomunicações parece não ser um fator que atrapalha a disseminação dos projetos, apontada por apenas 5% dos executivos. Já a falta de conhecimento a respeito da internet das coisas é um ponto que vem complicando a vida dos gestores de tecnologia, sendo citada por 9%. Ao lado da ausência de fornecedores especializados – problema apontado por 6% dos entrevistados –, da baixa qualificação das áreas de TI para projetos desse tipo (4%) e da falta de mão de obra capacitada (3%) cria um cenário de incertezas e dificuldades técnicas para as empresas que vislumbram os benefícios suportados por IoT.
O conhecimento e o preparo da equipe de TI são aspectos bastante críticos para os projetos, conforme apontam os dados da pesquisa. Entre os itens que compõem um projeto de IoT, as equipes de TI latino-americanas dominam apenas os temas de redes e conectividade, área em que 62% dos executivos acreditam que suas equipes estão preparadas ou muito preparadas. Já para o desenvolvimento de soluções de IoT, é possível dizer que 37% das empresas estão preparadas ou muito preparadas, enquanto outras 37% estão pouco preparadas. A situação é ainda mais complicada quando o assunto é inteligência artificial: 50% das respostas apontam que os times não estão nada preparados para esse tipo de aplicação. Especificamente no mercado brasileiro, os executivos são ainda mais críticos com suas próprias equipes. Entre eles, 85% consideram seus funcionários pouco ou nada preparados para desenvolver aplicações de IoT, e 78% reconhecem que eles não têm competências para lidar com a segurança no ambiente da internet das coisas. Quando o assunto é análises de dados, a situação também é complexa, já que apenas 31% veem suas equipes preparadas para tratar do tema.
Conclusão (Snapchat 2018):
IoT está acontecendo. E as organizações já percebem que o desenvolvimento dos projetos depende de se encarar a tecnologia de uma forma totalmente nova – a TI tradicional abre espaço para squads multidisciplinares que tratam de big data, cloud, inteligência artificial e outras inovações. Por outro lado, a penetração que as soluções de IoT têm em elos críticos da cadeia de valor demandam elevados níveis de seriedade, robustez e experiência na gestão dos projetos. É um equilíbrio complexo de se atingir. O aproveitamento pleno do potencial do IoT reside na habilidade (ainda pouco desenvolvida no mercado) de equilibrar o conhecimento dos negócios e o tratamento dos grandes volumes de informações coletados para o levantamento de hipóteses e a análise dos dados, para suporte à tomada de decisões. IoT não é um hype tecnológico, é uma oportunidade para que empresas possam fazer o seu uso e mudarem estratégias de seus negócios e tornarem-se mais competitivas. Passada a curiosidade e a euforia iniciais, nos parece que as expectativas começam a aterrissar, com projetos mais robustos e objetivos mais pragmáticos. Menos espaço para o amadorismo e maior exigência por resultados concretos. Muitas oportunidades e muito trabalho.
Fonte: LinkedIn