5 DE SET DE 2017
IoT - Internet Of Things - Internet das Coisas
Em alguns casos, a internet das coisas é simplesmente uma expressão da moda que as empresas usam para vender tudo o que já têm há muito tempo.
IoT é um grande e confuso campo à espera de explodir
Em alguns casos, a internet das coisas é simplesmente uma expressão da moda que as empresas usam para vender tudo o que já têm há muito tempo.
Vá a uma conferência e alguém, muito provavelmente, tentará lhe empurrar/vender o conceito da Internet das Coisas (Internet of Things ou IoT). No entanto, a IoT não envolve necessariamente a internet e, às vezes, as coisas nem sequer estão nela.
Os dispositivos móveis, o computador, o carro, os aparelhos diversos e muito mais serão em breve apanhados na onda da IoT. Mas o que isso significa tanto no âmbito empresarial quanto no pessoal, incluindo quem está a apostar nos maiores desenvolvimentos neste domínio.
Em alguns casos, a internet das coisas é simplesmente uma expressão da moda que as empresas usam para vender tudo o que já têm há muito tempo, tal como sucedeu com a cloud, o “green”, o e-qualquercoisa ou o rótulo da mobilidade. Mas há uma diferença: a IoT tem um significado real, que é útil entender, dado que vai afetar quase todos os cantos das TI e da tecnologia de consumo.
Na sua essência, a IoT significa apenas um ambiente que reúne informações de vários dispositivos (computadores, veículos, smartphones, semáforos, e quase qualquer coisa com um sensor) e de aplicações (qualquer coisa desde uma aplicação de mídia social como o Twitter a uma plataforma de comércio eletrônico, de um sistema de produção a um sistema de controlo de tráfego).
Basicamente, são precisos dados e meios para lhes aceder que é de onde surge o rótulo de “Internet”, embora, naturalmente, não seja necessária a própria internet, ou até mesmo uma ligação “always-on” de rede.
A internet pode ser a espinha dorsal de uma IoT, mas não é o único osso naquele corpo, pois é preciso algo que trabalhe essas informações para as analisar, agir sobre elas, ou de qualquer forma processá-las. Isso é normalmente feito por software, seja automatizado, semi-automático ou controlado por humanos.
IoT no mercado brasileiro
Em 2016, o mercado de IoT no Brasil atingiu uma receita de US$ 1.346,2 milhões, sendo a indústria automotiva e as manufaturas verticais as mais relevantes. Até 2021, é o setor deve alcançar receitas de US$ 2,29 bilhões.
A Tecnologia começa a ser embarcada nos produtos, junto com módulos de conectividade, permitindo às empresas extrair informações sobre a experiência do consumidor, analisar e definir ações. É uma revolução centrada no consumidor, direcionada pela transformação digital”, afirma o Diretor de Pesquisa e Consultoria em Transformação Digital da Frost & Sullivan para América Latina, Renato Pasquini. Para a consultoria, há oportunidades significativas em mercados como Smart Cities, Utilities, Agricultura e Saúde.
O ecossistema de IoT no Brasil ainda é fragmentado. Há desafios de ampliar a capacidade de consultoria e integração para que as empresas de Tecnologia da Informação e Comunicação ofereçam soluções ponta-a-ponta em IoT.
“Novos modelos de negócios evoluem rapidamente em diferentes mercados no Brasil tanto por meio de empresas estabelecidas, como de startups, gerando um cenário positivo para inovação e co-inovação de soluções para necessidades especificas do País”.
Internet das Coisas: o cenário atual e o que esperar do futuro digital
Estamos em um universo onde o smartphone é o centro do ecossistema. Mas isso mudará até 2020. Entenda o que ocorrerá em cinco anos.
É indiscutível que a conectividade presente a qualquer hora e em qualquer lugar trouxe muitas inovações que abriram novas oportunidades de negócios, melhoria da qualidade de vida, mais informação e entretenimento para nós, seres humanos.
Mas, e as máquinas? No início, máquinas geravam dados simples, como alarmes sobre aquecimento. Já com o advento da lógica digital e CPUs, esses equipamentos evoluíram e se tornaram mais inteligentes e mais autônomos, mas sempre isoladas no seu domínio de controle local.
Com o advento da conectividade (Wi-Fi, celular, Bluetooth, etc), as máquinas podem transmitir seus dados e informações de operação para outras máquinas, que por sua vez podem ser outros equipamentos que trabalham em conjunto com esta máquina, ou computadores que analisam os dados e tomam decisões de controle, as vezes auxiliadas por interação do ser humano.
Para o público em geral, a IoT parece algo distante e que não deve trazer alterações no dia a dia e em sua rotina, já que a impressão que temos é que IoT é algo relacionado a operação das máquinas. Ou seja, que tem pouca relação com o comportamento e os desejos do ser humano. Mas isso é um ledo engano.
Um dos temas principais no IoT World Forum, realizado de 6 a 8 de dezembro em Dubai (Emirados Árabes Unidos), é o de visualizar o objetivo maior de IoT. E a conclusão foi que a IoT vai trazer mais felicidade ao ser humano, por meio da melhoria na qualidade de vida proporcionada por sistemas inteligentes. Como, por exemplo, menos congestionamentos e menos poluição, maior oferta de água potável em países mais necessitados, o aumento do rendimento das plantações de alimentos, diminuição das taxas de defeitos nos aparelhos que nos ajudam no dia a dia, mais segurança nas grandes cidades, maior eficiência e pontualidade nos veículos de transporte de massa, entre muitos outros.
Adicionalmente, a IoT vai gerar gigantescos conjuntos de dados e análises dos mesmos que tem tremendo valor comercial. Por isso, novos modelos de negócio vão surgir. Mas, em que estágio estamos com a IoT? Aqui no IoT World Forum, um dos pontos focais foi analisar os incentivos do mercado para implementação de sistemas de IoT e as estratégias de como chegar lá com sucesso.
Alguns dados sobre a Internet das Coisas podem exemplificar isso (números do próprio evento):
- 58% das empresas do mercado dizem que IoT é estratégico para seu futuro;
- Atualmente o crescimento de sistemas de IoT tem dobrado ano a ano;
- 54% das empresas concordam que a maior oportunidade está em B2B e B2B2C;
- O número de conexões IoT nas fabricas cresce 204% no comparativo ano a no.
Já o crescimento de 2013 para 2015 apresenta os seguintes números (estimados para esse ano):
- Sensores colocados no mercado: 10 bilhões em 2013 e 55 bilhões em 2015;
- Conexões de IoT: 11 bilhões em 2013 e 18 bilhões em 2015;
- Conexões M2M: 43 bilhões em 2013 e 73 bilhões em 2015;
- Empresas participantes em consórcios e associações da IoT: 44 em 2013 e 354 em 2015.
A mensagem e previsão para o ano de 2020:
- 50 bilhões de “coisas” conectadas;
- US$11 trilhões de dólares em novos negócios.
Tudo isso gera novas categorias de negócio, cria cidades inteligentes e transforma economias no mundo todo. O que está acontecendo neste momento é que estamos em um universo onde o smartphone é o centro do ecossistema. Mas, em 2020, o ecossistema será de unidades conectadas uma a outra, criando uma transformação digital que vai permitir ver e realizar ações de forma inteligente (chamado de “smart insights”). Estamos indo da fase onde a “inteligência” das máquinas está embutida e isolada, para a fase de conexão e troca de dados entre as mesmas, culminando em sistemas que tomam decisões inteligentes. Em resumo, IoT é inteligência distribuída, interagindo e presente em todo lugar.
Imagine que, segundo Eric Schmidt, CEO do Google, foram gerados 5 Exabytes de informação desde o nascimento da civilização até hoje. Mas, já em 2003, estávamos gerando este volume de dados a cada 2 dias na Internet. Com a IoT, teremos múltiplos de Exabytes sendo gerados, e já podemos imaginar as conclusões que poderemos extrair deste banco de dados para a melhora da vida no planeta.
Sabemos até onde chegaremos com IoT? É difícil imaginar. O próprio Tim Barnes-Lee, o inventor da Internet, disse: “Eu jamais imaginei o que iria ser criado devido a invenção da Internet”. E, se o que veio depois da invenção da Internet, que objetivava um sistema simples de troca de e-mails e documentos, é uma previsão do que vai vir após a definição e padronização de sistemas IoT, teremos que nos preparar para uma revolução nunca vista no universo digital.
Ministério de Ciência, Tecnologia, Inovação e Comunicações
A iniciativa do MCTIC (Ministério de Ciência, Tecnologia, Inovação e Comunicações) em ouvir a sociedade brasileira por meio de uma Consulta Pública para a construção de um Plano Nacional da Internet das Coisas (IoT, em sua sigla em inglês) é louvável, sendo que alguns pontos que permeiam a consulta pública merecem atenção para o futuro desse plano e para entender se ele vai, realmente, dirigir o esforço nacional ou vai ficar somente no papel.
O desenvolvimento da IoT no Brasil merece estímulo e monitoramento, mas sem a necessidade de regulamentação específica, pois não vamos criar um PAL-M do IoT. Por outro lado, a participação brasileira em organismos internacionais, batalhando por padrões abertos e não proprietários é essencial.
Muitos dos desafios colocados por aplicações e soluções baseadas nessa tecnologia tal como a segurança da informação e a proteção de dados pessoais estão sendo tratados por legislações específicas (Marco Civil da Internet, Código de Defesa do Consumidor) ou já são motivos de discussão legislativa (como os projetos para a criação de uma Lei Geral de Proteção de Dados Pessoais).
Como a tecnologia e as suas diferentes possibilidades de uso evoluem rapidamente, a imposição prematura de padrões e regulamentação específica para IoT criariam restrições que seriam prejudiciais ao Brasil e poderiam sufocar a emergência de novas aplicações nessa área.
Por que o governo deveria certificar produtos de uso de espectro de rádio em que o alcance é curto e a potência mínima (Bluetooth, NFC, WiFi) e mesmo sem uso de rádio - dispositivos meramente passivos, como os GPONS (Gigabit passive optical network)?
A ANATEL tem que cuidar de coisas muito mais importantes como a Segurança Jurídica das Concessões Públicas, da formação de carteis e monopólios, do livre fluxo de dados e metadados, da cobertura celular e de dados, da otimização das ERB’s (Estações Rádio Base), de concessionárias importantes em difícil situação financeira e não de pequenos dispositivos de IoT.
A emergência da IoT é uma oportunidade ao desenvolvimento econômico brasileiro para modernizar a indústria e torná-la mais competitiva, para melhorar a prestação de serviços e torná-lo mais produtivo, para tornar as cidades mais inteligentes, melhorar a educação e a saúde públicas, para tornar o governo mais produtivo e menos burocrático.
Esta é a oportunidade para o governo brasileiro perseguir um planejamento de médio e longo prazo para o desenvolvimento do ecossistema de IoT no país e para criar soluções financeiras engenhosas para a capitalização e fomento de todo esse ecossistema.
Temos a inteligência e a criatividade para conseguirmos a inserção mundial do Brasil no mercado global de IoT, sobretudo no que tange à exportação de software e serviços, desde que persigamos em organismos internacionais as regras e padrões que melhor atendam nossos interesses, lutando contra padrões proprietários ou regionais.
Os setores de software e de serviços de tecnologia da informação são essenciais para o desenvolvimento da IoT no país. Em IoT, o dispositivo mais simples é o beacon, que é apenas um farolete emitindo Bluetooth, e somente com software se transforma em algo útil.
Segundo o estudo Mercado Brasileiro de Software e Serviços 2016, produzido pela ABES em parceria com a IDC, o mercado de TI no Brasil cresceu 9,2%, em 2015, enquanto que a média de crescimento global foi de 5,6%. Somente o segmento de software cresceu 30% entre 2014 e 2015, ano em que o país enfrentou uma recessão econômica com queda do PIB superior a 3%.
Qualquer que seja o plano final para a IoT no Brasil, alguns pontos importantes devem ser levados em consideração:
- Estímulo ao empreendedorismo e à inovação, com um mínimo de novas e velhas regulamentações;
- Adesão a organismos internacionais para o desenvolvimento de padrões abertos, evitando padrões proprietários e regionais;
- Criação de novos instrumentos financeiros que permitam capitalizar e financiar este novo ecossistema, sem aumentar o risco e o custo para o governo e o BNDES. Não adianta o BNDES repassar recursos a custo baixo a empreendedores e os bancos intermediários cobrarem del credere de 12% ao ano;
- Estímulo para melhorar a segurança dos clientes finais, seja através das práticas de desenvolvimento seguro, seja através da auditoria de código e adoção de padrões quanto à comunicação máquina-máquina, dificultando ataques de hackers;
- Estímulo à utilização dos Recursos Humanos brasileiros, disponíveis aqui e no exterior, retirando-se as barreiras hoje existentes quanto à terceirização e quarteirização de mão de obra especializada;
- Estímulo para a adoção de Códigos de Ética e Governança Corporativa quanto à preservação da privacidade dos dados individuais das pessoas e seus dispositivos;
- Fomento igual ao desenvolvimento de hardware e software, inclusive em linhas paralelas, mas essenciais, como cyber segurança e analytics para IoT.
- E mais importante de tudo, é que o plano seja seguido pelo governo atual e os que o sucederem.
Em vista de todos estes pontos, pode-se observar que existem grandes desafios a serem considerados no Plano Nacional de IoT, mas o fato é que o setor de TI tem um papel essencial para o desenvolvimento dessa tecnologia e sua inserção nas cadeias globais de valor deveria ser objetivo de políticas públicas de estímulo e de fomento.
O setor não precisa de mais regras (desde a constituição de 1988, os governos, nos três níveis criaram 5 milhões de regulamentações e regras, criando um cipoal difícil de interpretar) e sim que o Estado paute suas ações convicto do seu importante papel de indutor do desenvolvimento e da necessária segurança jurídica para os empreendedores.
Fontes: IDC, CANALTECH, COMPUTERWORLD, MCTIC.
Fonte: LinkedIn