22 DE SET DE 2025
Mais IA, menos alinhamento: por que o sucesso técnico não garante confiança do consumidor
“A tecnologia corre. A confiança anda.” E só avança quem sabe equilibrar as duas velocidades.
“A tecnologia corre. A confiança anda.”E só avança quem sabe equilibrar as duas velocidades.
Um dado curioso me chamou atenção recentemente: quanto mais avançada a IA nas empresas, menor a preocupação com seus riscos.
Sim, isso mesmo. Empresas mais maduras tecnicamente estão, muitas vezes, mais cegas eticamente.
É o que revela a pesquisa EY Responsible AI Pulse. E isso pode estar criando uma bolha de excesso de confiança, onde as lideranças acreditam que já "dominaram o jogo" — enquanto o consumidor continua desconfiado, atento, e cada vez mais exigente.
A pesquisa revelou um paradoxo
Vamos a um número que vale ser impresso e colado na parede da sala de reunião:
64% dos consumidores estão preocupados com violações de segurança em sistemas de IA. Mas só 21% dos executivos de empresas com IA totalmente integrada compartilham dessa preocupação.
Ou seja: Quanto mais integrada está a IA no negócio, menos a liderança parece enxergar os riscos.
Isso revela um descompasso perigoso: a maturidade técnica não está vindo acompanhada de maturidade ética.
A armadilha do excesso de confiança
Por que isso acontece?
Empresas que já “escalararam” a IA muitas vezes entram no modo automático:
LLMs funcionando?
Agentes autônomos entregando valor?
Eficiência operacional subindo?
Tudo parece resolvido. Mas o que não se vê — e não se mede — é o sentimento do consumidor.
Enquanto isso, a sociedade observa:
Aumento de viés algorítmico
Casos de uso mal explicados
Falta de transparência no uso de dados
Resultado? Desconfiança. E, com ela, queda de adoção.
Empresas “em construção” têm mais humildade — e mais chance de acertar
O mesmo estudo mostrou que organizações que ainda estão no processo de adoção da IA têm níveis mais altos de consciência sobre riscos.
E sabe por quê?
Porque ainda estão fazendo perguntas, e não apenas procurando respostas. Ainda têm dúvida — e por isso, escutam mais.
Esse grupo se mostra mais alinhado com os consumidores justamente por não assumir que já sabe tudo.
Em inovação, a humildade é uma vantagem competitiva.
IA é também sobre narrativa
Aqui vai um ponto que poucos falam: A forma como sua empresa comunica o uso de IA importa tanto quanto o uso em si.
Se o consumidor não entende como a tecnologia está sendo aplicada — e protegida — ele não confia. E sem confiança, não há escala, não há uso, não há lealdade.
Não basta ter governança. É preciso mostrar que ela existe.
Para fechar: provocação + convite
A pergunta desta semana é simples, porém poderosa:
Sua empresa está mais preocupada em treinar modelos ou em treinar a percepção do consumidor sobre esses modelos?
Estamos entrando numa era em que a reputação algorítmica será um ativo tão valioso quanto os dados.
E quem lidera essa construção não são os engenheiros. São os líderes.
Quer entender como alinhar estratégia, percepção e governança de IA?Quer saber se sua empresa está madura... ou apenas automatizada?
Se quiser aprofundar esse tema, revisar sua governança de IA ou entender como transformar essa visão em vantagem real — vamos conversar.
Essa é nossa missão na Justo Solucoes, teremos o maior prazer em apoiá-lo nessa jornada.
Fonte: LinkedIn