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17 DE SET DE 2018

Na linha de frente da era da disrupção no mercado de seguros

Os atuais debates do setor têm girado em torno de um tema determinante para o futuro dos seguros, que é a era da disrupção. Assim como o empreendedorismo, a disrupção foi uma bandeira levantada pelo Sincor-SP enquanto pouco ainda se falava

2050 STARTUPS Na linha de frente da erada disrupção no mercado deseguros ROGER MEDKE · 17 DE SET DE 2018

Disrupção do mercado de seguros

Os atuais debates do setor têm girado em torno de um tema determinante para o futuro dos seguros, que é a era da disrupção. Assim como o empreendedorismo, a disrupção foi uma bandeira levantada pelo Sincor-SP enquanto pouco ainda se falava sobre o assunto em 2016, alertando empresas, executivos e, principalmente, empreendedores, para estarem na linha de frente dessa transformação global pela qual passa o mercado, na qual vem abordando o momento das insurtechs, empresas que unem o mercado de seguros com os benefícios que a tecnologia oferece.

Porque INSURTECH: vem da união das palavras seguro (insurance) e tecnologia (technology), assim como as fintechs para o mercado financeiro. No estudo da consultoria PWC intitulado “InsurTech: A golden opportunity for insurers to innovate”, foram detectados os três maiores fatores que conduzem à transformação do modelo de negócio do mercado de seguros.

O setor de seguros permaneceu praticamente o mesmo por mais de 100 anos, mas na última década ele viu uma série de novas inovações e novos modelos de negócios. Três dos maiores impulsionadores da interrupção incluem:

  1. Expectativas dos clientes: A adoção generalizada de novas tecnologias de consumo em todos os setores criou novas necessidades e expectativas em relação aos canais de interação e solução de seguros.
  2. Ritmo de inovação: Até agora, a inovação incremental ajudou as seguradoras a atender à maioria das novas expectativas dos clientes. Mas, com as demandas da economia compartilhada, modelos baseados em uso, internet das coisas (IoT), carros autônomos e wearables, eles têm a oportunidade de fazer inovações mais radicais e experimentar novos modelos de negócios. Nesse contexto, os clientes precisam de novas soluções de seguros e as operadoras estabelecidas (ou seja, as concessionárias) têm a oportunidade de fornecer produtos e serviços sob medida para diferentes segmentos.
  3. Startups: Com fácil acesso a frameworks de código aberto, computação em nuvem em escala e desenvolvimento sob demanda, as barreiras tecnológicas à entrada foram reduzidas. Novos jogadores que têm a capacidade de inovar rapidamente estão aproveitando a oportunidade para preencher as lacunas que os incumbentes não têm.

O conceito das insurtechs traz para o mercado uma grande disrupção, um caminho sem volta, novas oportunidades que vão aprimorar toda nossa estrutura e relações em cadeia. É o caminho para que, no futuro próximo, possamos trabalhar de forma mais inteligente, com custos muito menores, obtendo mais ganhos e nos estruturando de maneira mais sólida para as próximas gerações.

O mercado de seguros representa uma oportunidade incrível que está a espera de verdadeiras inovações. A indústria de seguros norte-americana, por exemplo, é a maior do mundo em termos de receita, passando de U$ 1,2 trilhões. E, ao mesmo tempo, os principais players desse mercado têm os piores índices de satisfação ao cliente. Essa indústria ainda sofre dos males dos velhos tempos, mantêm um jeito antiquado e demorado de vender seguros, num mundo digital em que tudo que precisamos está a um toque no celular.

Cases de sucesso como a Oscar Health Insurance, de Nova York, e a Metromile, seguradora de carros de São Francisco, já mostraram que arriscar nesse mercado pode dar certo – e muito! Não basta inovar apenas na comunicação entre corretor e segurado, mas dar uma nova cara à indústria de seguros melhorando a experiência do usuário, usando modelos de negócios mais amigáveis e transparentes.

No Brasil, o mercado de seguros é de cerca de R$ 260 bilhões. As insurtech ainda estão engatinhando, com algumas startups se destacando na área e mostrando o potencial de mercado a ser explorado.

O grupo segurador alemão Munich Re por exemplo, uma das maiores companhias de resseguros do mundo, anunciou a aquisição da startup relayr, fornecedora de IoT (internet das coisas, na sigla em inglês), através da subsidiária do grupo, a Hartford Steam Boiler (HSB). O acordo para a aquisição foi avaliado em US$ 300 milhões.

A relayr foi fundada em Berlim, em 2013, com o objetivo de ajudar desenvolvedores de software a criar hardware, num momento em que o interesse em desenvolvimento com IoT ainda estava decolando. Segundo a assessoria da relayr, a startup se tornará parte da Munich Re, mas continuará operando de forma independente para manter sua cultura organizacional, continuar se orientando pela inovação e atraindo novos talentos em IoT. Com a aquisição, a relayr contará com a estabilidade e força financeira da Munich Re, terá acesso a novos prospectos por meio da base de clientes do grupo segurador e à expertise de engenharia financeira que a ajudará a criar novas soluções. “IoT já está mudando significativamente nosso mundo e tem o potencial de revolucionar a indústria de seguros e de resseguros tradicional através de novos modelos de negócios, serviços e competidores”, disse Torsten Jeworrek, membro do quadro de gestores da Munich Re. “Estou realmente feliz em anunciar essa aquisição, uma vez que ela faz parte da nossa estratégia em combinar conhecimento de risco, habilidades em análise de dados e força financeira com a expertise tecnológica da relayr. Essa é a nossa base para desenvolver novas ideias para os mundos comercial e industrial de amanhã.”

A relayr recebeu seu primeiro investimento num seed round de US$ 2,3 milhões. Até o momento ela arrecadou, de acordo com o Crunchbase, US$ 66,8 milhões, incluindo um aporte de série C no valor de US$ 30 milhões em fevereiro desde ano, liderado pela Deutsche Telekom Capital Partners.

A relayer já tem parceria com a HSB e a Munich Re desde 2016, quando o grupo segurador fez um aporte na startup numa rodada série B. De acordo com a Munich Re, a nova negociação ajudará a criar oportunidades no mercado de IoT que cresce aceleradamente e prevê um modelo de negócios conjunto para criar não apenas soluções de tecnologia para os clientes, mas também gestão de risco, análise de dados e instrumentos financeiros.

De acordo com Greg Barats, presidente e CEO da HSB, e responsável pela estratégia de IoT da Munich Re, a HSB sempre teve foco em seguros e tecnologia. “A relayr nos ajudará a implementar mais rapidamente nossa estratégia global para desenvolver novas soluções de IoT para nossos clientes”, disse Barats. “A transformação digital nos setores industrial e comercial oferece oportunidades para novos serviços e aplicações financeiras.”

 Na Austrália, em Cingapura e no Reino Unido, por exemplo, os empresas de porte foram encorajados a testar seus planos de negócios inovadores em segmentos específicos de clientes, sem a necessidade de estar em conformidade com as estruturas regulatórias completas que se aplicam aos atuais. Assim como as fintechs, os insurtechs estão ampliando a inovação em todo o setor, criando uma ameaça competitiva aos operadores históricos, mas também oportunidades potencialmente valiosas de parceria na mudança do terreno. As expectativas dos clientes de transações digitais instantâneas sustentadas de forma transparente entre os canais digitais são cada vez mais a norma. Embora os insurtechs ainda não tenham feito incursões profundas no setor, eles estão crescendo rapidamente e conseguem capturar uma parcela significativa de pools de valores dentro de alguns anos. A rapidez com que os operadores se adaptam a essas mudanças inexoráveis no mercado determinará o tamanho de sua participação na próxima geração do setor de seguros.

O futuro do mercado segurador é muito promissor, pois conseguimos enxergar que todo o mercado vem se adaptando, de alguma forma e do jeito de cada um, à toda essa avalanche de tecnologias disruptivas que está transformando práticas tradicionais, criando novas maneiras das pessoas terem acesso aos seguros de uma forma muito mais amigável e próxima das pessoas.

O futuro é repleto de novas oportunidades para inovar.

Fonte: LinkedIn