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17 DE MAR DE 2020

O BRASIL E A REALIDADE DA INDÚSTRIA 4.0

Bom, antes de mais nada a indústria 4.0 é na verdade é uso das inúmeras ferramentas que já existem, ou seja, da computação em nuvem, sensores e o uso de big data, que nada mais é do que análise de grande volume de dados para tomadas de deci

2050 INDÚSTRIA O BRASIL E A REALIDADE DAINDÚSTRIA 4.0 ROGER MEDKE · 17 DE MAR DE 2020

Bom, antes de mais nada a indústria 4.0 é na verdade é uso das inúmeras ferramentas que já existem, ou seja, da computação em nuvem, sensores e o uso de big data, que nada mais é do que análise de grande volume de dados para tomadas de decisão. Já com o uso do aprendizado de máquina e da inteligência artificial para ganhar aumento de produtividade, sobre produtividade no seu processo produtivo de um lado, e de outro lado uma conexão muito importante com o seu consumidor/cliente.

Um exemplo da digitalização combinada com a internet das coisas, ao pegarmos por exemplo uma indústria tradicional de refrigeradores, ela percebe que, se ela introduzir alguns sensores em suas máquinas (refrigeradores) que estão no lado do cliente, ele passar a vender frio ao invés de vender geladeira. Um bom exemplo na prática, é a GE e a Rolls Royce, que passaram a vender empuxo ao invés de locarem suas turbinas para as companhias de voo, o que fez com que ambas mudassem completamente os seus modelos de negócios.

Quando o Hardware virá software, e o produto passa a virar serviço, isso muda o modelo de negócio e aproxima ele(s) (fabricantes) da realidade do cliente, integrando a cadeia de valor e permite ele planejar o seu ambiente de manufatura e alterar completamente o seu modelo de atuação estratégico, de posicionamento como negócio, isso também é indústria 4.0, isso é a digitalização da nossa economia, e diria que, essa é a nova economia, empresas que sairem na frente tendem a colher frutos mais cedo e quem sabe se consolidarem em seus setores no futuro.

O Brasil é absolutamente aberto a tecnologia, nós brasileiros adotam a tecnologia muito rapidamente, basta olharmos para os números: somos um dos maiores mercados do Uber no mundo; somos um dos maiores mercados do Facebook e de usuários do WhatsApp, ou seja nós somos em nossa essência um povo que adota a tecnologia muito rapidamente. 

O Brasil, através dos últimos estudos que foram feitos pela CNI, por exemplo, que tem uma abrangência muito grande com boas referências sobre a indústria 4.0 sob a tutoria da MEI (Movimento empresarial pela inovação) mostra na verdade é que existe no Brasil uma grande e heterogeneidade, ou seja:

1 - um pequeno grupo de empresas que já estão fazendo indústria 4.0 como (indústria automobilística e algumas indústrias do setor da linha branca) que começam a fazer essa conexão com o seu consumidor, e é sobre essa conexão, ou seja, desenhar o seu produto no mundo virtual, planejar e alterar a sua produção conforme a vontade do seu cliente/consumidor, para cada vez mais poder entregar uma melhor experiência. 

2 - existem empresas que estão agora indo para um mundo de automação ainda, ou seja, isso não é indústria 4.0; e

3 - existem empresas que ainda enfrentam o desafio do mundo na gestão básica da qualidade e assim por diante, ou seja, encontramos no Brasil um espectro bastante grande com realidades bem diferentes, mas esse é o Brasil que nós temos, onde encontramos oportunidades e desafios.

O que tenho visto como provedor destas tecnologias, e até comento isso no livro (transformação digital disruptiva), ao falar sobre Transformação Digital e o contexto da digitalização da indústria Brasil, o que apontou em pesquisas de 2017, 2018 e 2019, é que há um enorme interesse nessa direção, mas pouco se tem visto na prática.

Acabamos de ter recentemente a consolidação de algumas definições bem importantes que se concretizaram, primeiro um conjunto de políticas públicas muito bem feitas, que dão acesso a tecnologias desse tipo, o que melhora a produtividade horizontalmente na economia, ela não está privilegiando apenas um seguimento, é pra todo mundo (políticas do BNDES, MIDCI, MCT...), ou seja 4 ou 5 políticas públicas de excelente qualidade que estão se consolidando, melhorando o acesso de empresas, sejam, pequenas médias e grandes a esse tipo de tecnologia. Segundo a perspectiva de uma volta gradual da demanda está trazendo nesse momento, o que podemos chamar como recomposição da capacidade produtiva. Alguns economistas tem apresentado números que nossa capacidade ociosa está muito alta, o que é muito relevante na indústria, porém na verdade o que acontece é que quando temos uma capacidade ociosa, o maquinário vai depreciando, ou seja, a manutenção não vai sendo bem feita, por falta de uso e assim por diante, porém quando a demanda começa a surgir, os empresários voltam a investir naquelas máquinas colocando algumas máquinas para operar novamente e então aproveitam e começam a se interessar pela automação da suas linhas de produção ou pela adoção da digitalização das suas linhas de produção e começam a experimentar essas novas tecnologias nessa nova realidade.

Eu penso que é algo inexorável o que irá acontecer no Brasil, percebo um pequeno movimento começando gradualmente, uma vez que a tecnologia vem se tornando cada vez mais simples tanto na sua implementação quanto na usabilidade, e vejo que a indústria 4.0 será como o WhatsApp, não vamos viver sem. A medida que essas tecnologias chegam, trazem consigo prestadores de serviços que sabem trabalhar com elas, integradores que fazem o papel de integração dessas tecnologias resolvendo os problemas industriais, e esse mercado começa então a circular. Nós na Gholias estamos engajados nesse movimento, ajudando a evangelizar esse acesso.

O Brasil é um early adopter, e portanto a curva de adoção tende a ser rápida. Porém algumas pesquisas mostram ainda o baixo conhecimento sobre a importância da indústria 4.0, o que demonstra um dos desafios. Mas outro lado por sermos abertos a tecnologia, podemos estimar que haverá o uso cada vez maior em grande escala, e graças aos efeitos da "Lei de Moore" baixando consideravelmente o seus custos, teremos uma curva de adoção muito rápida de empresas aderindo a indústria 4.0 nos próximos 3, 4 ou até 5 anos, e imagino que em uma década teremos cerca de 95% das indústria tendo suas bases sendo 4.0.

Mas tudo isso também trará outras consequências, por exemplo a ocupação de muitos postos de trabalho feitas por máquinas e tecnologias, automaticamente trará uma enorme desempregabilidade de pessoas. Alguns países como Singapura já iniciaram programas educacionais de base (crianças) percebendo que, as habilidades pessoais, o relacionamento com o próximo e facilidade de adaptação a mudanças, ou seja, essas iniciativas apontam que no futuro breve haverá necessidade de formarmos pessoas com novas habilidades para os empregos do futuro. 

Sim isso nos traz a uma reflexão profunda, e toca no maior desafio estratégico de um país principalmente com o Brasil que é a educação básica. No Brasil percebe-se deficiências singulares na educação básica, formação de crianças e jovens em STEM - matemática biologia, ciências da natureza e recentemente ampliamos essa área e acrescentou-se A - artes, (STEAM), porque a criança entende a natureza através da arte também, e é singularmente um dos pontos de maior desafio estratégico de investimento futuro que o Brasil deveria olhar. A falta de preparo nessas ciências e na educação básica limita sem dúvida ascensão de uma quantidade grande de jovens. Essa nova geração de tecnologia e assim por diante, irão sim precisar de matemática e física, de conhecimento do corpo humano, principalmente na área da saúde, podemos imaginar que o hospital no futuro breve será um lugar de engenheiros, e portanto terão que aprender sobre essas disciplinas para prestar um bom trabalho.

Esse é um dos maiores Gaps que a sociedade brasileira irá enfrentar, hoje temos um Déficit por exemplo de cerca de 45 mil vagas para profissionais em cibersegurança, postos de trabalho que não conseguem ser preenchidos porque não existem cursos suficientes sendo ofertados para esses fins, em especial porque esse tipo de emprego é urbano, ou seja o emprego de TI e industrial tem essa característica, e a nossa população obviamente é uma população urbana, hoje já temos cerca de 86% das pessoas morando em cidades, e na próxima década esse percentual será de 90%, e portanto isso é talvez singularmente um dos maiores desafios que o Brasil já encontra.

Já no privado, podemos ver alguns movimentos essenciais, como todos pela Educação e a congregação de uma série de outros programas e movimentos pensando eficiência na educação, qualidade da educação, que vem sendo desenvolvido no Brasil. Portanto focar no ensino de STEAM para as crianças, desperta o maior engajamento para que elas tenho o desejo e a curiosidade para entender os fenômenos que estão ao redor dela, e a partir daí naturalmente tende a despertar o interesse nessas crianças, jovens e adolescente a escrever sobre esses assuntos, a fazer cálculos matemáticos, a ser mais curioso em relação ao que a cerca, e assim por diante, e isso é que engaja a formação dos técnicos, dos programadores, dos engenheiros, os analistas e tudo isso somado a criatividade que o nosso povo tem.

Qual é sua visão sobre a indústria 4.0 e o seus desafios?

Fonte: LinkedIn