8 DE JUL DE 2020
Organizações Exponenciais
Nenhuma empresa poderá acompanhar o ritmo de crescimento definido pelas organizações exponenciais, se não estiverem dispostas a realizar algo radicalmente novo – uma nova visão da organização que seja tão tecnologicamente inteligente, adapt
Nenhuma empresa poderá acompanhar o ritmo de crescimento definido pelas organizações exponenciais, se não estiverem dispostas a realizar algo radicalmente novo – uma nova visão da organização que seja tão tecnologicamente inteligente, adaptável e abrangente quanto o novo mundo em que vai operar – e, no final de tudo, transformar.
Você já deve ter ouvido falar delas, caso contrário, é melhor se informar rapidamente, porque o mundo dos negócios está em verdadeira ebulição com o advento das chamadas Organizações Exponenciais (ExO’s) – empresas que estão mudando drasticamente a forma de se conceber produtos e serviços e o modo de ofertá-los ao mercado. O tema é tão desafiador que executivos, empresários e gestores estão ansiosos para, em um pulo mágico, levar suas organizações tradicionais ou lineares ao universo das ExO’s que têm possibilidades de crescimento dez vezes maiores.
Porém, é aí que mora o perigo. Não há mágica para concretizar essa transição e sim a adoção de uma nova lógica aplicada ao modelo de gestão capaz de mudar a mentalidade de todos os envolvidos no negócio, inclusive o cliente. As Organizações Exponenciais têm enorme capacidade de alterar comportamentos de consumo. Quer três exemplos bem simples disso? Uber, Airbnb e Netflix. Empresas que até bem pouco tempo atrás sequer existiam e hoje fazem parte da rotina de milhões de pessoas mundo afora, gerando até mesmo nova fonte de renda.
Aliás, o grande trunfo das ExO’s está no fato de serem escaláveis, velozes e inteligentes. Devido ao uso de tecnologias aceleradas, desfrutam do sucesso em um nível jamais visto com um mínimo de tempo e recurso. Por isso, não é de se estranhar que a pergunta que mais ouço nas consultorias seja a de como fazer a transição de um negócio tradicional com vistas à exponencialidade.
Para clarear o entendimento, preparei um esquema de como promover a mudança do mindset, a partir do modelo de gestão.
O primeiro passo é entender o cenário desta era pós-digital em que estamos mergulhados. Vamos lá? A tecnologia se desenvolveu a ponto de criar novos paradigmas de negócio com base na assimetria de informações, no poder de conexão das pessoas, no compartilhamento de experiências sobre produtos e serviços, na automação de processos e no uso de algoritmos cognitivos, além da Internet das Coisas (IoT), dentre outros.
O prioritário, porém, é recolocar o foco nas pessoas. Sim, nas pessoas, pois nem 40% das tecnologias disponíveis são aplicadas no universo empresarial, simplesmente porque ainda se conserva o modelo mental de quando elas não existiam. A era pós-digital gera inúmeras possibilidades de novos negócios que, por sua vez, exigem modelos de gestão mais fluidos, ágeis, com pensamento intraempreendedor, para assegurar mais autonomia dentro das empresas em uma atuação horizontal, descentralizada e em rede.
É chegada a hora de decretarmos o fim de velhas estruturas organizacionais, como áreas, setores e departamentos, para a formação de times que atuem de maneira matricial (multidisciplinar), com lideranças situacionais emergindo naturalmente. Os antigos chefes devem agir mais como facilitadores do processo, como líderes responsáveis pelo ambiente, pelo senso de propósito, por garantir a busca pelo valor e pelo incentivo à autonomia da equipe, a fim de fomentar a inovação em todo o trajeto. Porque uma coisa é fato: inovação só se faz em meio à liberdade de pensamento.
Neste novo modelo de negócio, portanto, é vital ressignificar o conceito de "trabalho". As pessoas precisam "entender porque acordam todos os dias de manhã e fazem o que fazem" e enxergar significado nisso. O motivo é simples: a proposta de valor da empresa tem que ter conexão com os propósitos de cada um dos que trabalham nela ou para ela. Aí sim, é possível estabelecer a verdadeira base da organização exponencial: um propósito massivo transformador. Algo que dá sentido ao fazer diário, à vida em sociedade e que gera uma enorme transformação pelo seu caráter disruptivo.
Para não confundir
Toda startup é uma ExO?
Não. Embora também tenham pensamento sistêmico e enxuto e façam uso crescente da tecnologia, inclusive por meio de aplicativos (apps), nem toda startup é uma organização exponencial. Para que seja considerada uma ExO, ela precisa atender alguns pré-requisitos, como Digitalização, Disrupção, Desmonetização e Democratização.
Uma organização exponencial é uma empresa essencialmente de tecnologia?
De fato, as ExO’s têm seu modelo associado aos paradigmas pós-digitais e, assim, usam a tecnologia como base para todo o negócio, permitindo a escala e a agilidade necessárias ao crescimento exponencial. Organizações que não são exponenciais, em geral, usam a tecnologia apenas como meio.
Já no livro Organizacaoes exponenciais os autores pesquisaram exaustivamente os padrões das empresas exponenciais mais importantes do mundo nos últimos anos, tais como Waze, Tesla, Airbnb, Uber, Xiaomi, Netflix, Valve, Google (Ventures), GitHub, Quirky e 60 outras empresas, incluindo empresas de sucesso, como GE, Haier, Coca Cola, Amazon, Citibank e ING Bank e entrevistaram mais de 70 líderes globais e pensadores, para trazer uma nova e ampla visão sobre as tendências organizacionais e tecnológicas essenciais, que podem ser aplicadas nas startups, empresas de médio porte e nas grandes organizações.
Sobre o livro Bem-vindo à época das mudanças exponenciais, o melhor momento para se viver. É o momento em que a concorrência não é mais a empresa multinacional no exterior, mas um empreendedor em uma garagem no Vale do Silício ou em Bandra (Mumbai), utilizando as mais recentes ferramentas online para projetar e imprimir a partir da nuvem sua última criação. Essas empresas estão cada vez mais rápidas, contam com pessoas cada vez mais capazes de se reinventar a uma velocidade ímpar. São pessoas e empresas extremamente criativas. Como aproveitar todo esse poder criativo? Como construir uma empresa que seja tão ágil, hábil e inovadora como as pessoas que farão parte dela? Como competir nesse acelerado mundo novo? Como se organizar para expandir? A resposta é a organização exponencial. Não temos escolha, porque em muitos setores a aceleração já está em andamento.
Peter Diamandis usa o conceito dos 6 Ds: digitalizado, dissimulado, disruptivo, desmaterializar, desmonetizar e democratizar.
Qualquer tecnologia que se torna digitalizada (primeiro “D”) entra em um período de crescimento dissimulado. O que os autores têm observado – e que você perceberá lendo este livro – é que nenhuma empresa comercial, governamental ou sem fins lucrativos, conforme configurada no momento, pode acompanhar o ritmo que será definido por estes 6 Ds. Para isso será necessário algo radicalmente novo – uma nova visão da organização que seja tão tecnologicamente inteligente, adaptável e abrangente quanto o novo mundo em que vai operar – e, no final de tudo, transformar.
Na primeira metade do livro, os autores exploram as estruturas revolucionárias das organizações exponenciais e seus dez atributos – cinco elementos externos e cinco estratégias organizacionais internas.
A segunda metade é um guia de como fazer: Como utilizar tecnologias exponenciais para construir uma startup? Como aplicá-las a uma empresa de médio porte? Como adaptar essas ideias em grandes organizações? Estamos vendo uma transformação nos negócios que não tem sido vista nos últimos cem anos, precisamos estar preparados para as mudanças. Sabe por quê? Enquanto você leu este texto, muita coisa mudou.
Boa leitura!
Fonte: LinkedIn