16 DE SET DE 2020
Outras consequências da sociedade em rede e do mundo conectado
Então, o que é real? A realidade cibernética é tão real quanto é a vida ao telefone, no caso de uma interação com um grupo de indivíduos que estejam assumindo as próprias identidades em diferentes partes do mundo. Mas, e as identidades fals
Busco trazer aqui alguns temas e contextos que podem gerar interesse em aprofundamentos maiores e também sob o aspecto de alguns episódios de filmes e documentários além de livros e outros pensadores sobre nossa sociedade, sobre o momento e sobre as consequências do hoje, sobre o estamos fazendo, vendo, interagindo, tendo acesso, compartilhando, colaborando, criando, consumindo e experienciando.
O Vício da Internet
Então, o que é real? A realidade cibernética é tão real quanto é a vida ao telefone, no caso de uma interação com um grupo de indivíduos que estejam assumindo as próprias identidades em diferentes partes do mundo. Mas, e as identidades falsas? Será que as pessoas podem ficar tão presas ao cyber espaço que para elas toda a vida terrestre cesse de ter significado? Para uma minoria, a resposta é sim, de acordo com o recente APA 2020 Virtual, Congresso da American Psychological Association sobre o vício da internet.
Esse vício está se tornando um problema médico catalogado: a internet é o que há de mais importante na vida. E a desejar estar constantemente on-line, sentir-se estimulado pelo uso, necessitar passar cada vez mais tempo navegando, ter síndrome de abstinência, passar por conflitos com o trabalho e a família. Um novo grupo de apoio chamado Caugth in the net (preso na rede) foi criado para ajudar nesses casos. Em 2020 um documentário foi lançado sobre o tema.
Por outro lado, as telenovelas também causam dependência e foram consideradas a principal razão de as famílias deixarem de fazer as refeições juntas. Elas foram acusadas de promover uma nação de“ruminantes e comedores de bobagens” com milhões comendo em silêncio diante da tevê.
O Big Brother está de olho
O livro 1984, de Jorge Orwell, apresenta uma visão assustadora de como um ditador pode utilizar a tecnologia para controlar milhões de pessoas. Isso me remete ao Sistema de Crédito Social que a china vem implementando.
Mas as ferramentas disponíveis em nossos dias já são muito mais avançadas do que as previstas por Orwell. Para quem assistiu o documentário "O Dilema das Redes" sabe do que estou falando, nele os especialistas em tecnologia e profissionais da área fazem um alerta: as redes sociais podem ter um impacto devastador sobre a democracia e a humanidade.
Com a tecnologia atual disponível, seria barato e prático colocar uma câmera minúscula e um microfone em cada cômodo de casa, conectar esses aparelhos a internet, permitindo o Big brother ligar e interrogar os moradores. O aumento de custo da construção dos novos edifícios seria desprezível.
A privacidade "já morreu a muito tempo". É só olharmos para os dispositivos de espionagem modernos, que são os nossos próprios smartphones. Eles nos ouvem, eles nos vem, eles sabem onde estamos, e para onde estamos indo. Todo mundo desconfia que os smartphones estão, a todo momento, nos vigiando. Edward Snowden, mostrou como isso acontece. Pois bem. O ex-membro da CIA e da NSA gravou um vídeo detalhando este procedimento. Ele observou que a maior mudança na maneira como o governo conduz a vigilância é que, agora, a abordagem é no método "mobile-first", devido ao alto número de smartphones. Ele disse, também, que as operadoras são capazes de rastrear seu dispositivo e, portanto, descobrir sua identidade através das torres de celular. Snowden acrescenta, ainda, que a movimentação física do seu telefone e a sua como indivíduo são a mesma e, claro, isso facilita o processo de espionagem. "Isso significa que sempre que você carrega um telefone, sempre que ele é ligado, há um registro de sua presença no local que é criado pelas empresas. Ele não precisa ser mantido para sempre e, de fato, não há um bom argumento para que seja mantido para sempre. Mas essas empresas veem isso como informação valiosa”, explica Snowden. Ele disse, também, que todos esses dados são armazenados como parte de uma coleta ou da vigilância em massa, independentemente de você ter feito algo errado. Snowden diz, ainda, que desligar o telefone funciona de certa forma, mas questionou como você saberia que seu smartphone moderno e hermeticamente fechado está realmente desligado. “Quando eu estava em Genebra, por exemplo, trabalhando para a CIA, todos nós usávamos telefones como se fossem de traficantes. Telefones velhos, em que se pode remover a bateria”, explica. Em outras palavras, você pode comprar um LG V20 ou Nokia 2.2 se quiser um pouco de paz de espírito, pois esses são dois dos poucos telefones do momento com baterias removíveis.
Você sabe o que o seu smartphone faz?
Apesar de sabermos que isso não é nenhuma dúvida nova, Snowden diz que a questão central em torno do uso de smartphones modernos é que não sabemos o que o dispositivo está fazendo e com o que está se conectando. "A Apple e o iOS, infelizmente, tornam impossível ver que tipo de conexões de rede são constantemente feitas no dispositivo e, portanto, dificulta intermediá-las", explicou. "Se houvesse um botão no telefone que dissesse 'faça o que eu quero, mas não me espie', você pressionaria esse botão", salientando que, entre as maiores empresas, a Apple age melhor nesse quesito do que a Google.
Isso, no entanto, pode estar mudando. A Google elevou o patamar de segurança e privacidade com o lançamento do Android 10, pois agora oferece controles de localização mais detalhados, a capacidade de desativar a personalização de anúncios, restrições à atividade em segundo plano e restrições aos aplicativos que acessam seus identificadores de hardware.
Outro caso bem emblemático é o da Cambridge Analytica e o Escândalo de dados Facebook. A Cambridge foi uma empresa privada que combinava mineração e análise de dados com comunicação estratégica para o processo eleitoral, que pode ser assistida no Netflix sugiro que assistam e entendam como a empresa de análise de dados Cambridge Analytica se tornou o símbolo do lado sombrio das redes sociais após a eleição presidencial de 2016 nos EUA.
Bom, isso tudo não é novidade nenhuma, portanto veremos ouvir muito mais sobre as leis de proteção à privacidade, sobre vigilância, criptografia e outros temas relacionados, contudo as leis não conseguem impedir invasões por indivíduos decididos a roubar segredos mais bem guardados das empresas ou até mesmo a sua informação.
Uma informação que influencia o mercado de ações, vale dezenas de milhões de dólares. Uma única frase que se escute já basta.
Segurança Biométrica
Hoje - e no futuro ainda mais, bancos, empresas de aviação, agentes de imigração ou ditadores saberão exatamente quem você é, pela configuração do seus vasos sanguíneos em seu fundo do olho, quando você olhar fixo para uma tela - característica tão exclusiva quanto uma impressão digital (as impressões digitais também podem ser escaneadas). Movimentos quase em perceptivas da íris provam que se trata de um ser vivo e não uma fotografia de alta resolução. É claro que sempre haverá muita gente oferecendo maneira de driblar esses aparelhos. Podemos esperar a continuação da escalada frenética de medidas de segurança e ataques, com alegações e contra-alegações das partes dos especialistas da indústria e de hacker anarquistas.
Podemos esperar por uma nova super geração de malucos da tecnologia que dedicam seus dias a furar sistema de segurança eletrônica. Alguns serão terroristas, outros apenas ex-estudantes entediados, porém, alguns estarão recebendo imensas quantias de grandes empresas, que os recrutarão para atacar os sistemas de segurança da própria empresa, com o intuito de testá-los. Outros serão agentes autônomos, movendo-se num mundo nebuloso onde suas descobertas são vendidas por dinheiro fácil.
O banco "A" recebe um telefonema do anarquista "B", que afirma poder provar a transferência, na noite anterior, de U$D 50.000 da conta pessoal de um cliente para a de outro, e de novo a conta original. Ele acha que se não for recompensado pelo esforço feito para "testar a segurança do banco" (de graça), contará o episódio a agência de notícias Reuters. O banco paga, em vez de se arriscar passar vexame. Pouquíssima gente é processada por quebra de segurança bancária. Na maioria dos casos o culpado é um funcionário, que é admitido em outro banco por receber excelentes referências para se empregar em outro banco. O caso inteiro é abafado. A polícia não é notificada. Seis meses depois a história se repete. Esse padrão é comum.
A tecnologia impulsionando a todos
Os carros de amanhã serão controlados por computadores, alias muitos já são hoje, só pegarmos exemplo dos veículos da Tesla, da Waymo, do Uber, e tantas outras em testes, com reguladores automáticos de velocidade, sensores de estrada, radares e câmeras para detectar os veículos à frente ou atrás. Os carros estarão totalmente conectados, podendo receber aviso sobre mudanças do clima enviados pela ativação do limpador de pára-brisa dos carros na frente, fazer pagamento antecipado de pedágios, reservar quartos de hotel, fazer ligações por vídeolink para casa ou para o escritório e enviar automaticamente informações sobre o progresso da viagem a quem precisa saber onde você está, e quando vai chegar.
Veremos comboios nas estradas, inúmeros automóveis ligados por "cambão eletrônico". Os estudos mostram que podem ser aumentados os volumes de tráfegos e as velocidades. Aqueles que sairem da pista poderão ser identificados eletronicamente e multados antes mesmo de chegar em casa. Entretanto, hackers podem tumultuar tudo isso: um simples toque numa tecla pode criar o caos na rede viária do país, como mostra o filme Invasão de Privacidade onde um consultor de TI amargurado com a vida lança um ataque contra um poderoso empresário transformando sua própria casa contra ele e provoca o acidente acionando os freios do veículo remotamente.
Existe ainda o grande debate de como será a cobertura de seguro e aceitabilidade. Já existe tecnologia para tudo isso, mas os fabricantes de automóveis ainda temem que um único engavetamento na estrada tem o mesmo efeito de um incêndio no euro túnel, com a decorrente perda de confiança e quedas nas vendas.
Biochip e seres biônicos
Os salmões já estão sendo marcados com chips implantados sobre a pele, e o mesmo está acontecendo aos animais domésticos. Nos peixes, quando viajam rios acima ou abaixo, os marcadores lhes transmitem a identidade para estações de monitoração. Os chips não precisam de uma fonte interna de energia, sendo ativados por campos magnéticos externos e internos, além de durarem para sempre. Podemos esperar por uma marcação generalizada dos seres humanos para fins de identificação e controle nos próximos anos. A Chips sendo implantado sob a pele pode substituir chaves, cartões e senhas que são dispositivos do tamanho de um grão de arroz, podendo ser uma maneira segura e simples de abrir as portas do carro ou de pagar contas em lojas.
A pequena protuberância no dorso da mão de Dave Williams tem o tamanho de um grão de arroz e fica entre o polegar e o indicador. É quase imperceptível, mas quando ele a usa para abrir a porta de sua casa, vira o centro das atenções. Este engenheiro de software britânico, tem um microchip implantado na mão, um circuito eletrônico que funciona com tecnologia sem fio. "Tenho péssima memória", diz ele à BBC. Por isso decidiu implantar esse pequeno dispositivo que permite que ele não entre em pânico se esquecer as chaves de casa. É o mesmo tipo de chip que está virando tendência na Suécia e em outros países ocidentais como Alemanha, Austrália e Nova Zelândia, onde há várias iniciativas para promover essa tecnologia futurista.
Eu diria que o primeiro passo já aconteceu, com os relógios Smart Watch informando a outras máquinas quem você é, quando você se aproxima delas. Eu mesmo tenho um relógio que me permite ser cumprimentado pelo nome, ao me aproximar do meu computador ele é desbloqueado automaticamente, além é claro de registar sinais vitais, exercícios, me avisar sobre tomar água, ficar em pé ou até dos compromissos agendados e ainda serve como telefone para fazer e atender ligações. Se não bastasse, eu diria que o próximo passo seria tirar o chip do relógio e coloca-lo sob a pele, onde fosse ativado pelos campos magnéticos ao meu redor, ele não precisaria de bateria. Mas a poucos dias, Elon Musk mostrou para o mundo ao vivo a sua mais nova Startup, a Neuralink, uma sociedade comercial neurotecnológica anglo-americana estabelecida por Elon Musk e outros oito, que relatou estar a desenvolver interfaces cérebro–computador implantáveis. A sociedade comercial foi estabelecida em 2016, em São Francisco, e foi anunciada publicamente em Março de 2017, e que 29/08/2020 onde a tecnologia mostrou a atividade cerebral do porco enquanto ele interagia com diferentes situações no palco. Cada atividade neural do animal era representada por um bip, que permitia acompanhar os sinais dentro da sua cabeça durante os estímulos. O porco já tinha o chip instalado há cerca de dois meses na região do cérebro responsável pelo olfato.
Podemos ainda esperar os agentes de liberdade condicional e outros grupos de “controle” utilizar essa tecnologia para fazer a vigilância eletrônica dos movimentos de indivíduos, como alternativa consensual a prisão.
A biologia pode impulsionar os computadores do manhã. O laboratório de ciências da computação do Massachusetts Institute of Technology (MIT) está pesquisando computadores de DNA, fazendo uso da incrível da miniaturização das células, em cujo núcleo está compactada a planta para a criação de um ser humano completo. Isso, provavelmente está a 20 ou 30 anos de distância - talvez menos.
A inteligência artificial de amanhã será representada por robôs autodidatas, capazes de formar pensamentos novos e de fazer novas sugestões, de pensar criativa mente - pelo menos darão essa impressão a quem interagir com eles. O MIT espera ainda em 2020 o CYC, uma nova criação, seja capaz de dirigir seu próprio laboratório de pesquisas, projetando experiências originais para descobrir novos conhecimentos.
A Sony acredita que um dia estaremos carregando pequenos dispositivos de bolso, com as quais possamos conversar e interagir com pessoas que criaremos para que nos façam companhia e nos forneça um contato. Enquanto isso, milhões de crianças já terão crescido na companhia de animais estimação virtuais, de bolso, que exigem (por um sinal sonoro) atenção durante a noite ou na escola, necessitando "comer", "beber água", "tomar banho" e "fazer exercício", para não sofrerem morte prematura. Eu diria que já tivemos esses brinquedinhos, porém em uma versão analógica, os conhecidos Tamagotchis, quem se lembra?
A rede da BT (British Telecom) já está desenvolvendo sua própria inteligência artificial, constantemente mandando "formigas" eletrônicas para testar a velocidade de diferentes rotas, e comutando quase instantaneamente o tráfico em percursos que costumavam necessitar de alguns minutos.
Futuro cada vez mais ...
Vamos ouvir muito mais sobre a informática e principalmente "o software devorando o mundo" que em 2011, o fundador da Netscape – alguém se lembra? foi um dos primeiros navegadores da internet – Marc Andreessen cunhou a frase “software is eating the world” (cuja tradução é o título do post) em um artigo para o The Wall Street Journal, delineando sua “previsão” de que empresas com foco em desenvolvimento de software (hoje a atividade é chamada coding) seriam as que mais gerariam valor econômico, inclusive interrompendo uma ampla gama de setores industriais.
Além disso, a confluência das tecnologias, a informática, combinada com a ciência da computação, computação quântica, a inteligência artificial e ciências cognitivas estão impulsionando a velocidade do mundo em praticamente tudo.
Robôs cada vez mais inteligentes sendo criados. Os resultados até agora foram primitivos, mas evoluiram muito bem, ao olharmos para a evolução dos robôs da Boston Dynamics. Por outro lado, o robô-faxineiro do hospital Nortwick Park, em Harrow na Inglaterra, teve que ser aposentado depois de problemas com pessoas e outros obstáculos.
Portanto, para onde quer que olhemos, o mundo está ficando mais rápido, impulsionado pela tecnologia e pelas comunicações sem precedentes, tecnologias que parecem nos aprisionar cada vez mais, ao invés de nos libertar. Precisamos de uma estratégia prática para sobreviver aos desafios da administração de nossos empreendimentos atuais e futuros - para sobreviver como indivíduos e para deixarmos um mundo melhor do que quando o recebemos.
E quando falo sobre o futuro, pessoas me perguntam o que será do mundo daqui a 10, 15 ou 20 anos, e diante de todas as preocupações que elas demonstram, eu também me faço algumas perguntas. Aonde nos levará a tudo isso? Que espécie de mundo estamos criando?
Vou procurar trazer nos próximos artigos, temas que podem trazer algumas respostas sobre essas perguntas. Algumas das respostas ou possíveis futuros foram escritas e faladas por nada mais nada menos que Yuval Noah Harari, autor de Sapiens, Homo Deus e 21 lições para o século 21. Harari, que também é professor da Universidade Hebraica de Jerusalém (Israel), se tornou uma celebridade do pensamento contemporâneo ao trazer para a pauta internacional a discussão sobre o impacto da inteligência artificial no futuro da humanidade e as suas ameaças.
Além disso, estou lendo o livro do Nick Bostron "Superinteligência" que está sendo muito interessante e que também apresenta temas que nos mostram caminhos, perigos e estratégias para um novo mundo. O Livro é indicado na capa por Bill Gates e Elon Musk, com depoimentos de Marcelo Gleiser (Prof. de física e astronomia) da Darmouth College, Max Tegmark (Prof. física) do MIT, Stauart Russel (Prof. computação) da Universidade de Berkley, Gabriel Alves (biomédico e doutor de ciência) da UNIFESP e Olle Haggstrom (Prof estatísticas) da Universidade de Chalmers.
Fonte: LinkedIn