1 DE FEV DE 2020
RESTRIÇÕES AMBIENTAIS NA ERA DA TD
Está cada vez mais claro que o modelo de desenvolvimento baseado unicamente no progresso econômico é incompleto para nossa sociedade e para o planeta como um todo. Não podemos pressupor, por exemplo, crescimento econômico infinito num
Está cada vez mais claro que o modelo de desenvolvimento baseado unicamente no progresso econômico é incompleto para nossa sociedade e para o planeta como um todo. Não podemos pressupor, por exemplo, crescimento econômico infinito num mundo com recursos finitos. Organizações estão degradando o meio ambiente numa velocidade sem precedentes, numa competição por espaço e escala. De acordo com a organização de pesquisa Global Footprint Network, uma organização internacional de investigação pioneira no cálculo da Pegada Ecológica, em 1º de agosto de 2018 a humanidade esgotou os recursos naturais que o planeta era capaz de renovar no ano. A partir deste dia, passamos a consumir mais recursos do que aqueles que o planeta conseguiria renovar no mesmo ano.
Em 2017, esta data foi 2 de Agosto. Em outras palavras, a humanidade está utilizando a natureza de forma 1,7 vez mais rápida do que os ecossistemas do nosso planeta podem se regenerar. Isso é como se usássemos 1,7 planeta Terra.
Em 2016, a passagem desse limite foi a 8 de agosto. Para a organização, os principais fatores são o crescimento populacional, as crescentes emissões de carbono e a má gestão dos oceanos e florestas.
A cada ano que passa, consumimos com mais rapidez os recursos naturais que a Terra tem para nos oferecer. Em 1975, este “orçamento ecológico anual” do planeta durou até novembro.
Segundo a Global Footprint Network - CFN afirmou, “emitimos mais dióxido de carbono para a atmosfera do que aquilo que os nossos oceanos e florestas podem absorver. Pescamos e colhemos mais rapidamente do que aquilo que conseguimos reproduzir e fazer reflorescer”. A chamada pegada ecológica, que mede a quantidade em área de terra e água necessária para sustentar uma população em relação à capacidade da biosfera de se regenerar, nos mostra que a conta não está fechando, pois, para a manutenção da população global, com os níveis atuais de consumo, seria necessário o equivalente a 1,7 de planeta. Frente a isso, a conta parece estar chegando. Ou transformamos radicalmente nossa relação com o planeta e ajudamos a regenerar o ecossistema natural, ou possivelmente correremos sérios riscos nas próximas gerações de extinções. Para quem interessar em se aprofundar no assunto, no endereço eletrônico http://data.footprintnetwork.org/#/ é possível ver o mapa global com dados abertos.
Será preciso termos mudanças drásticas de hábitos e comportamentos. A lógica vigente de sociedade descartável, em que somos estimulados o tempo todo a comprar, jogar fora e comprar novamente tudo ao nosso redor, não é mais sustentável do ponto de vista ambiental.
No âmbito das organizações, cresce a pressão por equilibrar e integrar resultados financeiros com resultados ambientais e sociais, no que hoje é chamado de abordagem “Triple Bottom Line”. Organizações na Europa e nos Estados Unidos já têm percebido e acolhido essa tendência, buscando apresentar seus resultados em triplo critério, isto é, considerando esses três aspectos: ambiental, social e econômico. Esse tripé da sustentabilidade, “Triple Bottom Line”, conceito também conhecido como 3 Ps da Sustentabilidade (People, Planet, Profit; ou, em português, PPL, Pessoas, Planeta, Lucro), abarca a ideia de que essas três dimensões precisam interagir de maneira holística para que os resultados de uma empresa de fato lhe atribuam o título de sustentável dentro dessa lógica. Dados apontam que 68% das multinacionais da Europa Ocidental fazem seus relatórios nesse esquema, medindo resultados em termos sociais, econômicos e ambientais, enquanto nos Estados Unidos a porcentagem é de 41%. Por enquanto, nenhuma empresa é obrigada por lei a apresentar seus resultados dessa maneira, é uma escolha da própria organização comprometida com o desenvolvimento sustentável, mas imagino que, muito em breve, esse modelo deva virar referência para criar um instrumento executivo para sustentabilidade no mundo todo.
Medir a sustentabilidade de uma empresa ou buscar crescer de forma sustentável, com resultados mensuráveis, não é uma tarefa tão simples, e era ainda mais difícil antes da ideia do “Triple Bottom Line”. O responsável por esse quadro conceitual é o norte-americano John Elkington, que publicou um artigo chamado de “The triple bottom line: What is it and how does it work?”.93 Nele, os autores, o doutor e diretor de análise econômica, Timothy F. Slaper, e a analista de pesquisa em economia, Tanya J. Hall (ambos do Centro de Pesquisa em Negócios da Universidade de Indiana), abordam o assunto de forma extensa. Os autores comentam sobre a importância de Elkington na construção de um método pragmático e eficaz na medição da sustentabilidade no ambiente corporativo. John Elkington se esforçou para fazer medições de sustentabilidade em meados dos anos 1990, englobando um novo esquema conceitual. Esse esquema foi além de métodos tradicionais que mediam lucros, retorno sobre investimento e valor para o acionista, incluindo fatores ambientais e dimensões sociais. A questão aqui é ver a sustentabilidade e sua mensuração como uma análise do impacto das atividades da empresa, organização ou nação em nível global.
A definição dos 3 Ps não é tão difícil, mas a forma de medir os três aspectos não é única. Os lucros podem ser mensurados de forma exata, mas os dois outros aspectos são mais subjetivos. De maneira geral, porém, o capital humano poderia ser analisado em termos de salários justos, adequação às leis trabalhistas, preocupação com o bem-estar dos funcionários. O aspecto ambiental seria visto nas ações práticas da empresa para diminuir seu impacto ecológico negativo e compensar o que não pode ser amenizado.
Como quer que seja feita essa análise, o fato é que empresas que optam por buscar resultados que integrem os 3 Ps estão saindo na frente no século XXI, muito disso alinhado com o propósito de suas marcas e o legado que essas companhias estão deixando ou querem deixar na Humanidade. Tente levar em conta esse assunto ao elaborar sua estratégia de transformação digital.
Fonte: LinkedIn