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23 DE DEZ DE 2018

Restrições sociais e ambientais no Século XXI

Esta cada vez mais claro que o modelo de desenvolvimento baseado unicamente no progresso econômico é incompleto para nossa sociedade e para o planeta como um todo. Não podemos pressupor, por exemplo, crescimento econômico infinito num m

2050 ENSAIO Restrições sociais eambientais no Século XXI ROGER MEDKE · 23 DE DEZ DE 2018

Esta cada vez mais claro que o modelo de desenvolvimento baseado unicamente no progresso econômico é incompleto para nossa sociedade e para o planeta como um todo. Não podemos pressupor, por exemplo, crescimento econômico infinito num mundo com recursos finitos. Organizações estão degradando o meio ambiente numa velocidade sem precedentes, numa competição por espaço e escala. De acordo com a organização de pesquisa Global Foodprint Network, dia 8 de agosto de 2016, a humanidade esgotou o orçamento anual dos recursos renováveis da Terra. Os números foram apresentados pela ONG Global Footprint Network, que refere que a partir deste dia, estaremos a consumir mais recursos que aqueles que o planeta consegue renovar num ano.

Em 2015, a passagem desse limite foi a 13 de agosto. Para a organização, os principais fatores são o crescimento populacional, as crescentes emissões de carbono e a má gestão dos oceanos e florestas.

Em 2017, a data foi 1o de agosto, em outras palavras, a humanidade está utilizando a natureza de forma 1,7 vez mais rápida do que os ecossistemas do nosso planeta podem se regenerar. Isso é como se usássemos 1,7 planeta Terra.

A cada ano que passa, consumimos com mais rapidez os recursos naturais que a Terra tem para nos oferecer. Em 1975, este orçamento ecológico anual do planeta durou até novembro.

A Global Footprint Network (CFN), Organização Não-Governamental dedicada à conservação da natureza e que é responsável pelo cálculo que estipula a data em que o orçamento ecológico anual se esgota: "Emitimos mais dióxido de carbono para a atmosfera do que aquilo que os nossos oceanos e florestas podem absorver. Pescamos e colhemos mais e mais rapidamente do que aquilo que conseguimos reproduzir e fazer reflorescer”.

Este cálculo considera a chamada “pegada ecológica”, que mede a quantidade em área de terra e água necessária para sustentar uma população, em relação à capacidade da biosfera de se regenerar. E essa conta não fecha pois para a manutenção da população global, com os níveis atuais de consumo, seria necessário o equivalente a 1,7 de planeta. Frente a isso, a conta parece estar chegando: ou transformamos radicalmente nossa relação com o planeta e ajudamos a regenerar o ecossistema natural, ou possivelmente correremos o risco de extinção enquanto espécie. No endereço eletrônico da http://data.footprintnetwork.org/#/ é possível ver o mapa global com dados abertos, se você se interessar em se aprofundar no assunto.

Será preciso termos mudanças drásticas de hábitos e comportamentos. A lógica vigente de sociedade descartável, em que somos estimulados o tempo todo a comprar, jogar fora e comprar novamente tudo ao nosso redor, não é mais sustentável do ponto de vista ambiental. No âmbito das organizações, cresce a pressão por equilibrar e integrar resultados financeiros com resultados ambientais e sociais, no que hoje é chamado de abordagem triple bottom line. Organizações na Europa e Estados Unidos já têm percebido e acolhido essa tendência, buscando apresentar seus resultados em triplo critério, isto é, considerando esses três aspectos: ambiental, social e econômico. Esse tripé da sustentabilidade "Triple Bottom Line", conceito também conhecido como 3 Ps da Sustentabilidade (People, Planet, Profit, ou em português, PPL, Pessoas, Planeta, Lucro), abarca a ideia de que essas três dimensões precisam interagir de maneira holística para que os resultados de uma empresa de fato lhe atribuam o título de sustentável dentro dessa lógica. Dados apontam quem 68% das multinacionais da Europa Ocidental fazem seus relatórios nesse esquema, medindo resultados em termos sociais, econômicos e ambientais, enquanto nos EUA a porcentagem é de 41%. Por enquanto, nenhuma empresa é obrigada por lei a apresentar seus resultados dessa maneira, é uma escolha da própria organização comprometida com o desenvolvimento sustentável, mas imagino que muito em breve esse modelo deva virar referência para criar um instrumento executivo para sustentabilidade no mundo todo. Medir a "sustentabilidade" de uma empresa ou buscar crescer de forma sustentável, com resultados mensuráveis, não é uma tarefa tão simples, e era ainda mais difícil antes da ideia de "Triple Bottom Line". O responsável por esse quadro conceitual é o norte-americano John Elkington. No artigo "O tripé da sustentabilidade: O que é e como funciona?" (originalmente escrito em inglês e chamado "The triple bottom line: What is it and how does it work?"), o doutor e Diretor de Análise Econômica do Centro de Pesquisa em Negócios de Indiana, Timothy F. Slaper, e a Analista de Pesquisa em Economia, Tanya J. Hall (ambos da Universidade de Indiana de Negócios Kelley) abordam o assunto de forma extensa. Os autores comentam sobre a importância de Elkington na construção de um método pragmático e eficaz na medição da sustentabilidade no ambiente corporativo. "John Elkington se esforçou para fazer "medições" de sustentabilidade em meados dos anos 1990 englobando um novo esquema conceitual. Esse esquema foi além de métodos tradicionais que mediam lucros, retorno sobre investimento e valor para o acionista, incluindo "fatores ambientais e dimensões sociais", afirmam os estudiosos no artigo. A questão aqui é ver a sustentabilidade e sua mensuração como a análise do impacto das atividades da empresa, organização ou nação no mundo ao seu redor.

A definição dos 3 Ps não é tão difícil, mas a forma de medir os três aspectos é que não é unânime. Os lucros podem ser mensurados de forma exata, mas os dois outros aspectos são mais subjetivos. De maneira geral, porém, o capital humano poderia ser analisado em termos de salários justos, adequação às leis trabalhistas, preocupação com o bem-estar dos funcionários. O aspecto ambiental seria visto nas ações práticas da empresa para diminuir seu impacto ecológico negativo e compensar o que não pode ser amenizado. Como quer que seja feita essa análise, o fato é que empresas que optam por buscar resultados que integrem os 3 Ps estão saindo na frente no que concerne aos negócios no século XXI. 

Fonte: LinkedIn