1 DE AGO DE 2025
Três anos depois do ChatGPT: quem já venceu (e o que vem agora)?
Faz quase três anos desde que o ChatGPT foi lançado — e, desde então, muita coisa mudou. Para alguns, aquele momento foi o Dia "D" da inteligência artificial . Mas a verdade é que a história está só começando.
Faz quase três anos desde que o ChatGPT foi lançado — e, desde então, muita coisa mudou. Para alguns, aquele momento foi o Dia "D" da inteligência artificial. Mas a verdade é que a história está só começando.
Se no início havia uma corrida maluca para ver quem lançava o melhor modelo, agora já temos um esboço dos primeiros mercados maduros e até um possível grupo de “vencedores temporários”. Mas será que dá para cravar líderes definitivos em um setor que muda de forma a cada seis meses?
Esse episódio da Newsletter é um convite para olhar com lupa os primeiros ganhadores da era da IA — e, principalmente, para entender onde ainda há espaço para romper padrões, inovar e construir vantagem real.
Onde a IA já virou indústria consolidada na minha opinião
Quando falamos de IA, é fácil cair no oba-oba. Mas existem, sim, mercados que amadureceram rápido e já mostram sinais claros de consolidação. Os quatro principais são:
Laboratórios de modelos (LLMs e multimodais): Aqui, escala é tudo. Dados, poder computacional, afinação de modelos... e bilhões de dólares. O jogo está entre gigantes: OpenAI for Business (com Microsoft), Anthropic (com Amazon), Google Gemini (do Google) e Meta tentando voltar ao páreo com super salários. A concentração é brutal, mas não definitiva. Startups como Mistral AI e players chineses (como DeepSeek AI k e Qwen AI mostram que o tabuleiro ainda pode virar — e rápido.
Jurídico: Um dos setores que mais rapidamente se adaptaram. A Harvey, por exemplo, já atende grandes escritórios nos EUA. No Brasil, a Enter quer mudar como lidamos com ações em massa. O ponto em comum? Soluções que fazem o trabalho jurídico parecer mais engenharia de processos do que retórica. E isso muda tudo.
Atendimento e Experiência do Cliente: Aqui o jogo é brutal. NPS virou moeda. Quem erra, perde cliente e reputação. Empresas como a Sierra e Decagon estão redefinindo o que significa “escala” em suporte. No Brasil, Mercado Livre , iFood e Nubank já operam com agentes autônomos baseados em GPT. A revolução não é “se”, é “como escalar sem perder alma”.
Programação: O primeiro mercado realmente hackeado pela IA. Desde o GitHubMicrosoft Copilot, a forma de escrever código mudou. A cultura de “Vibe Coding” — transformar ideias em software com linguagem natural — está ganhando corpo. Empresas como Replit e Cursor crescem mais rápido do que conseguimos acompanhar. É um novo jeito de criar — quase lúdico, quase mágico.
E o que ainda não aconteceu (mas vai)
Se alguns setores explodiram, outros ainda estão em modo o "silêncio antes da tempestade". Estou falando de áreas como:
Finanças, Contabilidade e Compliance
Segurança da Informação
Vendas B2B
Educação (de verdade)
Por que a IA ainda não decolou nessas áreas? Três hipóteses:
A tecnologia ainda não está no ponto – O que a Harvey fez no jurídico só foi possível com o GPT-4. Talvez as soluções que esses setores precisam ainda não foram possíveis… ainda.
O go-to-market está mal calibrado – Ferramentas ruins, já integradas, continuam sendo usadas. Mudar tem custo.
Falta de talentos certos no lugar certo – Às vezes, falta aquele founder que entende o setor por dentro e enxerga o que precisa ser reinventado.
Mas atenção: onde há fricção, há oportunidade.
Friction é onde o cliente sente dor, atrito, cansaço. É onde os processos ainda são complicados, lentos, burocráticos. E "frictionless" — tornar experiências mais leves, simples e naturais — é um dos maiores motores de disrupção da nova economia.
Pensa na Uber , no Nubank , na Amazon: todas resolveram fricções ignoradas por anos. Agora, com IA, essa capacidade de remover atrito ganha esteroides.
Se você consegue identificar onde existe fricção hoje — e aplicar IA para eliminá-la —, você está olhando para a próxima grande oportunidade de negócio.
A grande fronteira: consumo
Quase ninguém está olhando com seriedade para o mercado de consumo em IA. E isso é um erro estratégico.
Se você observar, as maiores empresas da América Latina (Mercado Livre, Nubank, iFood) e dos EUA (Apple, Meta, Amazon, Google) são… de consumo.
Mesmo assim, a maioria dos investidores continua preferindo B2B, SaaS, enterprise.
Resultado? No último batch da Y Combinator, menos de 5% das startups de IA eram voltadas ao consumidor final B2C.
Mas o que está por vir nesse campo pode ser o maior salto criativo da IA:
Comércio assistido por IA
Assistentes emocionais e conversacionais com contexto real
Estilistas, nutricionistas, terapeutas e educadores digitais
Apps com interfaces nativas de IA (e não só uma caixinha de texto)
Essa é a fronteira onde tecnologia encontra desejo, imaginação, linguagem e afeto.
Reflexões
A IA já começou a transformar as engrenagens das empresas. Mas agora ela está prestes a tocar o que há de mais humano em nós: nossas escolhas, relações e aspirações.
A pergunta não é “quem já venceu com IA”.
A pergunta é: Quem vai reinventar a experiência humana com ela?
Fonte: LinkedIn