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9 DE JUN DE 2018

Varejo brasileiro em xeque ?

O Processo de formatação de estratégias de modelo de negócios das empresas passam por uma revolução. E a sua empresa como está nesse processo ?

2050 ENSAIO Varejo brasileiro em xeque? ROGER MEDKE · 9 DE JUN DE 2018

O Processo de formatação de estratégias de modelo de negócios das empresas passam por uma revolução. E a sua empresa como está nesse processo ?

A grande realidade é que o mundo a 20, 30, 40, 50 anos atrás era um mundo muito mais estático os ciclos econômicos, políticos e sociais eram ciclos geralmente que se construíam em décadas e esses ciclos agora são cada vez mais curtos e isso leva uma discussão muito importante na forma de se formatar a estratégia, e a consequência da forma como se formata modelos de negócios em especial, é porque o mundo se tornou cada vez mais global e on-line e traz a nós uma perspectiva de conhecer modelos diferentes em outros países e por um outro lado ele continua cada vez mais local porque a diferença de formatação e estruturação dos países ao longo dos anos, se mostrou cada vez mais diferente uma das outras, os grandes exemplos disso são a condução do varejo nesses países e aí a gente pega o caso específico do Brasil, no fundo, no fundo ele é muito consequência da estrutura social e socioeconômica do nosso país. Voltando a 40 anos no tempo, éramos uma população relativamente grande por outro lado era uma população extremamente concentrada Do ponto de vista econômico e do ponto de vista de dispersão, características sociais, o Brasil a 40 anos atrás era um Brasil que girava muito em torno de pouquíssimas cidades, era um país que girava em torno de pouquíssimas faixas de renda, e dentro dessa faixa de renda tínhamos pouquíssimos perfis. Nos últimos 10 anos, houve uma mudança muito grande na formatação do Brasil, e poucas cidades que detinham o poder econômico social e político tiveram esse poder desconcentrado no território brasileiro, como por exemplo o que Recife representa para a região Nordeste e para o Brasil em termos de tecnologia, vamos pensar o que o Mato Grosso, Mato Grosso do Sul e Goiás representam em termos de força na agropecuária e não simplesmente como território da agropecuária, vamos pensar o que Florianópolis representa em termos de tecnologia, entre outros e muitos exemplos que podemos citar.

A consequência disso é que o varejo que era pensado de uma forma muito específica em algumas cidades, hoje se expande e precisa agora ser entendido de uma ótica muito local, exemplo muito simples disso no passado, se pensava por exemplo no espaço físico do varejo como espaço para trazer a família, e porque isso existia na época, porque existam poucas opções para a família brasileira (parques, televisão, internet e infraestrutura de forma geral), e esses itens não permitiam uma total concentração da família brasileira fora de espaços que não chamavam atenção da estrutura física, e aí temos a lógica do porque dos supermercados, dos hipermercados, a situação era que a família ia toda junta ao supermercado, e o que ficou no passado ficou não simplesmente porque os modelos de negócio mudaram, mas ficou porque mudou o Brasil, mudou o perfil da população brasileira. Hoje por exemplo, o acesso a tv a cabo, a disposição de um brasileiro a ficar de fato em casa vendo uma variedade de canais é muito maior do que no passado, e ficou porque hoje, o acesso a rede de metrô que existe em São Paulo permite o deslocamento mais fácil de pessoas, e faz com que o final de semana pode ser em diferentes localidades, ficou, por que o perfil médio da pessoa que faz a compra hoje, é um perfil muito diferente do passado, hoje já não se fala mais em dona de casa, o Brasileiro em especial é cada vez menos machista, é cada vez mais diverso, o homossexual é cada vez mais aceito na sociedade, não existe mais aquela vinculação em que a dona de casa mulher tradicionalmente que não trabalhe de certo, o que acontece é que hoje o brasileiro é muito mais eficiente do seu processo de compra, é muito mais eficiente porque ele tem muito mais opção de lazer, opção de distração, então ele tenta agendar o seu cronograma diário para que possa sobrar mais tempo para outras opções, e por isso existe um fenômeno muito forte no varejo que é o fenômeno da desinterimediação, momento em que você não tem mais interesse em ir pro lugar físico, a mudança natural é que você vá para o local on-line, para o digital, aquele que na ponta antes produzia e precisava do varejo pra poder de alguma forma capilarizar o processo de venda, ele perde parte desse incentivo, é consequência natural que os produtores de um determinado produto, gerador de um determinado serviço, passam a ter acesso direto a um determinado cliente final. 

Vamos pegar o exemplo do supermercado: O supermercado funciona basicamente da seguinte forma, uma empresa que a gente da o nome de FMCP - Fast moving consumer products, ela produz, coloca esse produto no caminhão no centro distribuição dela, no momento que a venda é realizada pela grande cadeia de supermercado, coloca esse produto no caminhão, leva para o centro de distribuição, e no momento em que ele decide colocar isso na prateleira, ele coloca esse produto em um caminhão, leva pro supermercado, e no momento em que chegar ao supermercado a venda é feita, e se não foi feita existe toda uma logística reversa. A grande pergunta é, com o mundo digital porque que você precisa dessa cadeia que é ineficiente sobre a ótica tributária, existem vários processos de venda, é ineficiente sobre a ótica logística, porque existem vários transportes, é ineficiente sobre a ótica imobiliária, porque existe a mobilização do capital em vários ativos imobiliários, é ineficiente sobre a ótica de entender a demanda entre produção e cliente final, mas bem, você praticamente não tem como definir a demanda e é por isso que existe o intermediário "o supermercado".

Com a digitalização da economia e com um brasileiro cada vez mais procurando otimizar o seu tempo, e poder se divertir de formas diferentes, poder usar o seu tempo de forma mais inteligente, automaticamente, aquele que produz, aquele que gera um serviço, que gera o conteúdo consegue acessar direto o cliente.

Pegando um exemplo completamente diferente fora do Brasil, que de alguma forma tem reflexo aqui, fica mais fácil ainda de entender todo processo de venda. Antes o aluguel de um DVD era feito com um intermediário, correto, então você tinha basicamente alguém produzindo conteúdo, a famosa blockbuster comprando esse conteúdo e colocando isso em fita e alugando, alugando, alugando. Um belo dia, a Netflix chega e diz, poxa peraí, a pessoa não quer ir mas a loja física, porque não otimizar o tempo dela, e esse processo no Estados Unidos aconteceu umas duas décadas antes da sociedade brasileira, vamos entender a estratégia:

E aqui, fica um grande desafio, o varejo brasileiro não é mais um varejo baseado no físico, na loja bonita, interessante, o brasileiro se tornou mais ciente, inteligente e que usar o tempo de uma forma muito mais benéfica pra sua família, pra sua própria pessoa, o que em última instância faz com que todo esse trabalho físico que foi feito nas últimas décadas brasileiras caia por terra.

Pois bem, esse modelo não muda de um não para outro, é evidente que não, sim, é um processo que, o que está acontecendo e como em qualquer império, como por exemplo, esse império nunca se desfaz de um dia pro outro, existe geralmente um processo em ondas que começa numa camada periférica menos interessante, e para o imperador que está assentado em Roma, em um determinado momento isso vai chegando até a cidade que deu origem ao império, e é essa analogia que o varejo brasileiro precisa fazer, esse pensamento que precisa ser entendido pelos empresários brasileiros da velha economia para conseguirem transportar seu patrimônio, seu modelo de negócio a sua perpetuidade pra nova economia.

E a sua empresa como está nesse processo ? Consulte-nos para que possamos levar seu negócio ao próximo nível da transformação digital.

Fonte: LinkedIn