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10 DE SET DE 2021

Venture Builders / Startup Studio

As startups vêm desafiando a forma como empresas tradicionais tocam seus negócios, e não é para menos: no Brasil, o ecossistema de startups vem batendo recordes. Só nos primeiros cinco meses de 2021, os valores aportados em startups brasile

2050 STARTUPS Venture Builders / StartupStudio ROGER MEDKE · 10 DE SET DE 2021

As startups vêm desafiando a forma como empresas tradicionais tocam seus negócios, e não é para menos: no Brasil, o ecossistema de startups vem batendo recordes. Só nos primeiros cinco meses de 2021, os valores aportados em startups brasileiras foram equivalentes a 90% dos aportes realizados em todo o ano de 2020.

De grande importância para a renovação e desenvolvimento do mercado, as startups são hoje uma das principais formas de empresas já consolidadas investirem em inovação. Na América Latina, por exemplo, gigantes como Petrobrás, Bimbo, Itaú e Falabella, apenas para citar alguns nomes, uniram-se a startups para inovar. 

A nova economia exige do mundo corporativo com suas estruturas hierárquicas uma velocidade e agilidade que vem a cada dia desafiando modelos de negócios consolidados porém acomodados em seu "status quo". Esse movimento tem despertado urgência para acelerar a inovação corporativa mais do que nunca para que empresas se reinventem nessa nova economia, dai então passa a surgir o Corporate Venture Builder, nome desse modelo que leva empresas já consolidadas a colaborarem com startups, e seu principal objetivo é transformar as corporações por meio da inovação.

O objetivo desse artigo é fornecer insights sobre o novo campo de construção de empreendimentos corporativos, onde corporações e startups são colaboradores em vez de concorrentes. Vou fazer uma breve introdução ao modelo de criação de empreendimentos de risco e como ele funciona no contexto das corporações.

#1 - O que é uma Venture Building?

1 - Venture Builder: Uma empresa que cria startups internamente reunindo seus recursos e rede. Suas funções variam principalmente de desenvolvimento e operações do próprio empreendimento, além de auxiliar no recrutamento e fornecimento de capital.

Isso difere um pouco das empresas de capital de risco, que investem e fornecem capital para startups existentes, mas não estão envolvidas nas operações do dia-a-dia (o processo de "construção", se preferir). Existem várias maneiras de configurar isso, desde a construção de um empreendimento interno (por exemplo, um dos exemplos é a Rocket Internet), que constrói suas próprias startups, até a construção de um empreendimento corporativo que, em vez disso, co-cria uma startup junto com uma grande corporação. Temos vários e inúmeros exemplos em que grandes corporações vem fazendo isso, no mundo e no Brasil agora mais recente.

O conceito de uma Venture Builders ou Startup Studio, ao invés de se buscar uma startup, a busca é por encontrar empreendedores e formar um time. Compartilhar recursos e proporcionar a troca de experiências seria uma forma de aumentar o aprendizado e reduzir custos desnecessários muito cedo. A filosofia é a dofail fast, buscando validar uma ideia o mais rápido possível, mas se a mesma é descartada e o empreendedor demonstra potencial, o mesmo permanece e um novo ciclo é iniciado.

2 - Corporate Venture Builder (CVB): Um subconjunto de construtores de empreendimentos em que a empresa faz parceria com uma corporação para co-criar uma startup para atender a um determinado setor de interesse da corporação.

Isso pode ser feito internamente, como a BCG Ventures (que atua no mundo todo) que começa internamente com um processo de incubação de vários Produtos Mínimos Viáveis (MVP) separados. Alternativamente, eles podem ser construídos externamente, onde a empresa fornece capital em troca de patrimônio líquido e estratégico, enquanto o construtor de risco fornece poder de execução e a equipe em troca de patrimônio líquido (apelidado de "capital suor" ou "capital trabalho").

O termo Corporate Venture Builder (CVB), também conhecido como empreendimentos corporativos ou construção de empreendimentos como serviço, tornou-se um termo abrangente usado para descrever vários modelos com diferentes estruturas de capital e propriedade. No entanto, eles compartilham um tema comum - um alinhamento de incentivos entre as corporações, o criador do empreendimento corporativo e a equipe empreendedora que dirige a startup. Normalmente, as empresas fazem parte do conselho estratégico que decidirá as questões de alto nível para a startup, mas a startup tem espaço suficiente para ser ágil.

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Esse modelo é altamente vantajoso para a empresa ditar a direção que a startup se move de forma que ela se alinhe com seus interesses de longo prazo. As startups também têm mais espaço para respirar para realizar as operações do dia a dia e se concentrar na entrega do produto.

#2 - Como funciona o CVB: Mais impacto para o capital corporativo

Apesar da narrativa de que as empresas são lentas e desatualizadas em termos de inovação, as grandes corporações são grandes por uma razão, como disse Alex Barrera do The Aleph, elas são as "campeãs em títulos". Muito parecido com o enorme rato de academia em sua academia local, as empresas têm os músculos para flexionar, como mostrado pelo crescimento dos negócios de investimento feitos por braços de capital de risco corporativos internos. 

TIME LINE

#2017

De acordo com a CB Insights, em 2017 no rankings de VC cerca de 186 novas unidades corporativas de VC em todo o mundo fizeram seu primeiro investimento.

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A maior parte dos aportes (292) são dos primeiros estágios de investimento, como o de um investidor-anjo (o primeiro a impulsionar uma ideia), pré-seed e seed (semente). Segundo o levantamento, 93% do valor está concentrado em estágios mais avançados, como série A, G e private equity (fundo de capital privado) e, não é uma falta de capital para inovação ou boas intenções, mas sim a inovação que falhou. Michael Gale, da Inc.Digital, relata que 84% das corporações sentem que seus esforços de transformação digital falharam ou ficaram aquém das expectativas, e aqui estão três razões possíveis:

1a) Falta de expertise para execução:

As corporações estão bem cientes dos novos mercados em que se concentrar, como a geração dos milênios ou as PMEs, assim como os consultores vêm dizendo há anos! Em vez disso, defendo que as corporações são muito boas em serem corporativas, mas não têm o conhecimento necessário para construir empreendimentos menores e mais ágeis.

Muito parecido com a construção de uma startup, a inovação corporativa é um processo iterativo, onde as empresas devem cortar custos irrecuperáveis e tudo o que não está funcionando. Freqüentemente, trabalhar muito próximo da corporação pode asfixiar a startup. Porém, nem sempre é o caso com todas as corporações, um bom contraponto seria o Walmart deixar sua loja online canibalizar as vendas da própria loja física.

Um CVB, no entanto, pode ajudar a desenvolver e fazer crescer um empreendimento com a direção estratégica da corporação, sem ficar atolado nas mesmas burocracias da corporação.

2a) Produtos abaixo da média:

Freqüentemente, essas tentativas de se tornar digital produzem inovação de nível superficial, como simplesmente criar versões móveis de seus aplicativos da web já existentes, fazer um novo website e criar perfis em redes sociais. Temos visto com bancos legados e é possivelmente por isso que estamos vendo as preferências dos consumidores mudarem para bancos autônomos como Revolut, N26 e Monzo e no Brasil NUBANK, INTER e as novas fintechs, que fornecem uma oferta de valor muito mais alto para seus usuários (como taxas baixas transparentes e muitos inexistentes e serviços digitais sempre disponíveis).

3a) Aversão ao risco:

À medida que as empresas crescem, elas se tornam menos ágeis, mais avessas ao risco e procuram minimizar os riscos. Para as grandes marcas, ainda piores do que o risco para suas finanças, são os riscos para sua reputação.

Por meio do CVB, as empresas podem minimizar sua exposição a cisnes negros negativos (diminuindo sua fragilidade a tais riscos), enquanto aumentam sua exposição a cisnes negros positivos (como uma startup unicórnio).

Louvado seja Taleb, um dos meus escritores favoritos, por este maravilhoso modelo mental.

Isso permite que as empresas se concentrem em novos mercados e oceanos azuis (ou, no jargão dos consultores: “inovação do Horizonte 3”), enquanto mantêm sua postura avessa ao risco, que Taleb (novamente) chama de Estratégia Barbell. Sobre o horizonte 3, eu costumo usar esse exemplo do meu programa de Maestria Digital para ilustrar o que é o Horizonte 3:

Desenho Roger Medke

Conseqüentemente, a construção de empreendimentos corporativos tornou-se uma opção para as empresas criarem um empreendimento que possa inovar rapidamente e capturar oportunidades que surgem sem estar amarradas da mesma forma que a própria empresa. Modelos de construção de empreendimentos corporativos também permitem que grandes corporações testem modelos de negócios e falhem externamente à empresa, o que protege a imagem da marca de ser manchada.

Um programa de CVB pode e muito ajudar as empresas a vencerem o desafio do sistema imunológico, do qual fala Salim Ismail.

Lembre-se que: "o sistema imunológico das organizações sufoca qualquer processo de inovação"

Como funciona o CVB # 3: Co-criação de startups in-house

Embora esse processo varie entre os CVBs, o procedimento padrão é o alinhamento estratégico imediato entre a equipe do empreendimento e a corporação (todos mediados pelo CVB). Isso pode ser mais eficiente em termos de custo e tempo do que M&A, já que o empreendimento é construído para se adequar aos planos maiores da empresa no longo prazo. As aquisições de startups geralmente falham, pois as equipes se perdem nos processos corporativos e perdem a agilidade que possibilitou seu sucesso inicial.

Normalmente, o CVB primeiro procura um candidato adequado em sua vasta rede para assumir o comando como CEO e, junto com o CEO, trabalha no recrutamento do restante da equipe (como marketing, produto e operações). Apesar da maioria do patrimônio ser compartilhado entre a corporação e o CVB, pode ser um negócio muito bom para a equipe de startups envolvida, com um tempo de colocação no mercado muito rápido e um cheque de pagamento estável.

Certas funções, como as tarefas administrativas e jurídicas, são administradas pelo CVB, semelhante à abordagem de algumas empresas de capital de risco como a Andreessen Horowitz, que toma o peso dos ombros dos empresários e os deixa fazer o que fazem de melhor - construir e vender o próprio produto.

Créditos da ilustração: Kaamran Hafeez, The New Yorker

O CVB também se beneficia por meio de vantagens informacionais quando possui vários empreendimentos em seu portfólio. Idéias e habilidades sobre o que funciona em diferentes modelos de negócios e setores são adotadas pelos construtores de empreendimentos que supervisionam o portfólio, o que pode levar a soluções inesperadas.

Normalmente, em 6 – 9 meses, o CVB cria e valida o modelo de negócios, gera uma base de usuários, fluxos de caixa e um negócio pronto para escala.

A construção de empreendimentos corporativos ainda é um campo novo, principalmente no Brasil, mas com o tamanho das carteiras de grandes corporações, pode potencialmente desbloquear o potencial dos gigantes adormecidos do capital corporativo. Definitivamente, esse passará a ser um espaço para assistir de perto ou fazer parte.

O CVB na prática

Para exemplificar esse modelo, imagine que uma instituição varejista busca formas de inovar, mas percebe que sozinha ela não conseguirá os recursos — financeiros, humanos e tecnológicos — necessários para tal. Para alcançar seus novos objetivos, essa empresa busca por uma Venture Builder, organização especializada em inovação.

A partir daí, as duas organizações alinham seus objetivos e, juntas, fundam uma terceira empresa, a Corporate Venture Builder, que selecionará no mercado startups capazes de propor soluções para as dores daquela instituição varejista, além de levar essas soluções para o mercado posteriormente, se assim decidir.

As Corporate Venture Builders podem atuar de forma distinta em alguns quesitos, mas seu principal objetivo é desenvolver novas soluções inovadoras e, para isso, elas dão às startups todo o apoio necessário para crescerem. Nesse sentido, os empreendedores das startups ocupam-se com atividades ligadas ao desenvolvimento das soluções, enquanto a CVB atua em questões mais burocráticas e estratégicas.

O Corporate Venture Builder, portanto, visa levar às grandes corporações uma alternativa para a aproximação com as startups, saindo dos tradicionais programas de aceleração corporativa, labs, Venture Capital ou Venture Client, que são boas iniciativas, mas que podem não dar certo porque startups e corporações têm metas incompatíveis.

Fonte: LinkedIn