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23 DE DEZ DE 2018

VISÃO E INCERTEZA

Na fase do lançamento de um negócio, a equipe está focada em desenvolver e aperfeiçoar o seu modelo. Pivotamento, testes, iterações são feitos. Mas, segundo Bonchek, nessa fase, você já precisa saber se pensa de forma incremental o

2050 ENSAIO VISÃO E INCERTEZA ROGER MEDKE · 23 DE DEZ DE 2018

Na fase do lançamento de um negócio, a equipe está focada em desenvolver e aperfeiçoar o seu modelo. Pivotamento, testes, iterações são feitos. Mas, segundo Bonchek, nessa fase, você já precisa saber se pensa de forma incremental ou exponencial. Se você estiver desenhando uma linha reta partindo do presente para o futuro, você tem um mindset incremental. Mas, como assim? Você tem um bom plano de negócios “incremental” que lhe dá uma visão de como chegar desse ponto (presente) até lá (futuro). Acontece que os modelos exponenciais não são linhas retas. Eles são como uma curva na estrada que impede você de ver o que vem mais na frente.

Vamos exemplificar um mindset exponencial e as suas escalas de transformação:

➡Se o Google não tivesse tido uma mentalidade exponencial, jamais teria criado uma visão tão ambiciosa de como “organizar toda a informação que existe no mundo”;

➡O Facebook nunca teria tido a ousadia de “tornar o mundo mais aberto e conectado”;

➡E o AirBnb jamais teria “criado uma disruptura na hotelaria, conectando pessoas ao redor do mundo”.

Na fase de lançamento, reforça Bonckek, é preciso entender que uma estratégia exponencial tem a incerteza como algo inerente. Não há como saber o que virá no outro lado da curva. Não é possível desenhar uma linha reta. Não há um plano passo- a-passo. É essa mentalidade exponencial que ajuda você a tornar-se confortável com a incerteza e ter mais ambição com a sua visão. 

CONSTRUÇÃO: CORAGEM E PACIÊNCIA

Existem muitas empresas que foram capazes de atravessar a fase de lançamento com uma mentalidade exponencial. Elas conseguiram gerenciar a sua incerteza e começaram a sua jornada, apesar de não visualizarem o que vinha depois da curva.

Para Bonchek, o que pode ser um poderoso fator de motivação é o temor às disrupturas. Porém, nessa segunda fase, ele alerta que a coisa pode desandar. Dê uma olhada novamente no gráfico acima. Na primeira parte, fase da construção, não vemos muita mudança, até chegarmos à segunda parte, quando a linha começa a dobrar. Isso é simplesmente a natureza da mudança exponencial se manifestando.

As coisas acontecem muito lentamente antes que elas aconteçam muito rapidamente. No entanto, o problema para Bonchek é que fomos criados com uma mentalidade incremental.

Peter Diamandis os dá um exemplo fácil de entender: se você anda 30 passos lineares, seria 1, 2, 3, 4, 5... Com 30 passos largos e lineares talvez caminhe 30 metros. Mas, se você der 30 passos exponenciais, 1, 2, 4, 8, 16, 32... qual distância teria percorrido? Teria percorrido um bilhão de metros, ou dado 26 vezes a volta ao redor do planeta. É assim que as coisas funcionam no mundo físico quando seguimos para um determinado destino. No entanto, os modelos exponenciais não funcionam dessa maneira. Somos acostumados a medir o progresso incremental (linear). Se 30% do tempo passou, assumimos que devemos ter caminhado 30%. É assim que as coisas funcionam no mundo físico quando seguimos para um determinado destino. No entanto, os modelos exponenciais não funcionam dessa maneira.

As empresas incorrem em um “gap das expectativas“, onde a estratégia exponencial é o maior risco da mentalidade incremental. É lá onde muitas empresas abandonam o modelo exponencial de volta para o incremental. Em sua jornada exponencial, preste atenção quando as pessoas ficarem impacientes por resultados. É o ponto no gráfico onde há a maior diferença entre as trajetórias incrementais e exponenciais.

Este “gap de expectativas” representa um risco para a estratégia de negócio, porque a impaciência pode ser usada por adversários ou céticos para convencer você e os demais stakeholders a “abandonarem” a mentalidade exponencial para a incremental. É inegável o alívio imediato que você poderá ter ao ver “o horizonte” novamente e constatar o progresso contínuo (constante) das coisas. Em contrapartida, você também terá desistido da possibilidade de acelerar os seus retornos. É a mentalidade exponencial que ajuda você a ter a coragem de perseverar e a paciência para prosseguir.

CRESCER: AGILIDADE E CONTROLE

Na terceira fase, você conseguiu gerenciar a incerteza da fase inicial, a impaciência da fase intermediária, e agora segue firme “na curva”. O crescimento nessa fase acontece mais rápido do que você podia esperar. Neste ponto, a mentalidade incremental tenta manter as coisas sob controle, o que é um erro: Para dar uma base sustentável aos retornos da aceleração, é preciso mudar a mentalidade sobre como mobilizar e gerenciar os recursos. Isso significa que a mentalidade incremental costuma assumir que é preciso mais “inputs” para produzir mais “outputs”. À medida que o crescimento começa a acelerar, as equipes começam a procurar mais recursos na proporção do crescimento. Só que colocar no processo mais pessoas ou recursos em excesso pode “inundar o motor” do crescimento.

É aí que você precisa de uma mentalidade exponencial para descobrir como 1X de input adicional pode criar 10X de output adicional. A aplicação dessa mentalidade exponencial ajuda você a gerenciar os recursos que já tem. Já a gestão pela mentalidade incremental cria uma fila de dominós. Tudo precisa estar altamente coordenado e supervisionado para sua empresa progredir um passo de cada vez. Ao contrário do dominó, a mentalidade exponencial é como em que as coisas acontecem em paralelo e focadas nas interações entre os participantes.

Bonchek acredita que há uma maneira de seguir a jornada sem perder o controle: na mentalidade exponencial, os gestores substituem o controle de pessoas pelo controle de princípios. Isso ajuda a orientar a tomada de decisão, cria alinhamento, consistência e capacitação. A mentalidade exponencial ajuda a crescer o “output” mais rápido do que o “input”, e capacita as equipes a alcançarem tanto o alinhamento quanto a autonomia.

Mas, a maioria dos líderes está acostumada a tomar decisões em vez de capacitar decisões.

A ansiedade pela perda do controle pode facilmente tirar as empresas da sua trajetória exponencial de volta para o caminho incremental.

Resumindo, no início, é preciso visão e um “salto de confiança (fé)” para se comprometer com o desconhecido. É preciso coragem e paciência para construir a base para o crescimento, mesmo quando os resultados ainda não são tão aparentes.

Quando chega a fase do crescimento, é preciso agilidade para capacitar equipes e prosseguir a trajetória sem perder o controle. Em todas as fases, o desafio é abraçar o desconhecido e “desaprender” as formas familiares de pensar. Apenas com uma mudança da mentalidade incremental para a exponencial vem a oportunidade para a verdadeira inovação. 

Fonte: LinkedIn